Você um, eu um e um eles

Contos sexta-feira, 01 de março de 2013 – 0 comentários

Numa sala fechada, pequena, três. Parados, meio distantes, cada um em seu canto.
O de lá está olhando para baixo, voltado para baixo.
O dalí olha para cá e para lá, mas sem contato visual, só observa, calado, e pensa.
Daqui, eis a cena que se desenrola, silenciosa, parada, quieta. continue lendo »

Crônicas Vegetarianas

Livros terça-feira, 24 de janeiro de 2012 – 10 comentários

Churrascão. Picanha, maminha, linguiça, alcatra, coraçãozinho, costela, contra-filé, farofa. Galera reúnida, churrasqueira absurdamente quente, cerveja e refrigerante (Ambos gelados), música, debates de futebol, política, trabalho e o que a namorada do Alfredo está vestindo. Daqueles de fazer inveja para os vizinhos, atrapalhar o trânsito e tudo mais.

 NUNCA, DE JEITO NENHUM, JAMAIS desse jeito.

Como em todo churrasco que se preze, a galera estava se divertindo, as carnes saíam em intervalos regulares, de mal passada até “no ponto”, graças ao inegável talento de Seu Arlindo, dono da casa, dono da churrasqueira e pai do dono das cervejas. Entre conversas, debates, tentativas (Felizmente) isoladas de ligar o karaokê, peladas, mergulhos e reposições de gelo chega a notícia: Fernando chegou. continue lendo »

Abstinência

Analfabetismo Funcional quinta-feira, 11 de agosto de 2011 – 2 comentários

Escrever sobre drogas, com drogas ou sob efeito de drogas é algo interessante. Sua perspectiva do que está a sua volta fica beeeem distorcida, o monitor parece que vai e volta numa viagem bem locona, a luz parece que pisca nuns quatro tipos de tons diferentes e os sons? HÁ! Esses eu nem explico! Zumbidos, vozes que surgem do nada, gritos e berros, pareceu que um onibus cheio de vacas em chamas passou aqui do lado a pouco, dada a cacofonia enojante que dominava meus timpanos recém descobertos de graus de sons diferentes.

 Gira, desgraçado!

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Túmulo 127, Alaíde

Livros quarta-feira, 11 de maio de 2011 – 1 comentário

De vez em quando, o silvo metálico era o único som que animava a dimensão dos vivos por ali. Vinha do extenso cabo de aço preso ao solo, que cortava o caminho principal do cemitério, e que servia de guia para limitar o movimento dos cães de guarda. Sim, mortos ainda despertam ideias de dinheiro. Geralmente de ladrões mais covardes, em busca de um cruxifixo de bronze. Ironia: Era provável que viesse de alguma tumba construída na época em que bandido tirava o chapéu ao passar na porta do cemitério. continue lendo »

Conto: Um sonho de sonhador

Analfabetismo Funcional terça-feira, 19 de abril de 2011 – 0 comentários
 Não, não estou falando desse sonho

Essa noite eu tive um sonho. Como diria Raul Seixas, “um sonho de sonhador”. Pois é, maluco que sou, sonhei que os sonhos de todos indivíduos de um país se realizavam do dia para a noite. Bem ao menos, em tese, seriam realizados se não fossem as contradições surgidas nesse processo.

Como todo sonho, no momento que é sonhado tudo faz sentido, tudo se encaixa perfeitamente. Depois que acordamos notamos as bizarrices de um mosaico que não encaixa. Começamos a contar para alguém e percebemos que tudo aquilo, geralmente, não tem um mínimo de verossimilhança. continue lendo »

Conto: Metáforas do psicanalista

Analfabetismo Funcional terça-feira, 01 de fevereiro de 2011 – 0 comentários

 – Doutor, sem arrodeios, vou direto ao ponto.
– Como preferir.
– É o seguinte: estou arrasado. Aconteceram alguns fatos na minha vida que me deixaram completamente acabado. Passei algumas semanas mofando em casa, pensando, refletindo, enchendo a cara. Até que um amigo me indicou fazer algumas consultas com o senhor. Quem sabe o senhor me ajuda a entender a razão dos acontecimentos…
– Pode dizer. O que aconteceu?
– Minha esposa… Nos separamos.
– Ela traiu você?
– Isso.
– Veja bem, isso não é o fim do mundo…
– Não foi simplesmente isso.
– Prossiga, então.
– Vou contar tudo. E depois quero que o senhor me explique o que pensa que aconteceu.
– Vamos tentar. continue lendo »

Conto: Tese de bar

Analfabetismo Funcional terça-feira, 11 de janeiro de 2011 – 0 comentários

 Num boteco comum, de uma metrópole qualquer, numa típica noite de sexta-feira. Entre uma cerveja e outra:
– Mulher mal-comida é foda.
– É… foda mesmo.
– Parece uma bomba-relógio. Pavio curto do caralho.
– Bomba-relógio tem pavio? Puta merda, essa maminha tá salgada pra caralho!
– Porra, tu entendeu! Mulher mal-comida reclama de tudo, bota defeito em tudo, tem sempre uma respostinha mal-criada para qualquer crítica, se mete onde não e chamada e blá blá blá. É um pé no saco! Lá no trabalho tem uma dessas.
– Todo lugar tem alguma boceta queijuda dessas… Mas sabe o que é pior que mulher mal-comida?

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Conto: A Porta

Livros domingo, 05 de dezembro de 2010 – 0 comentários

A porta abriu. Amarrotado, com cara inchada, tirando a sujeira do canto dos olhos. Ele saía para trabalhar, e esperava pacientemente a chegada do elevador. A porta abriu. Querido, esqueceu o celular. continue lendo »

Conto: Psicodelia indigesta

Analfabetismo Funcional terça-feira, 30 de novembro de 2010 – 1 comentário

Vermelho, verde, amarelo, azul, verde, vermelho, marrom, amarelo, roxo. Verde, azul, roxo, amarelo, roxo. Luz forte. Fumaça. Escuridão. Luz forte. Fumaça. Escuridão. Luz forte. Escuridão. Luz forte. Escuridão. Luz forte. Escuridão. Luz forte. Escuridão. Tum, tss, Tum, tss, Tum, tss… continue lendo »

Conto: Crime na pousada

Analfabetismo Funcional terça-feira, 28 de setembro de 2010 – 0 comentários

O ambiente era bucólico. Bucólico ao extremo. O cheiro de bosta de vaca pairava no ar, as formigas atacavam os pés incautos, o verde predominava no horizonte, os telefones celulares não passavam de meros enfeites de um mundo distante e a energia elétrica era usada exclusivamente para iluminação durante a noite. Foi nesse ambiente – uma distante pousada no campo – que ocorreu um crime macabro. continue lendo »

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