O Fracasso e o Triunfo de Rei Nicolau I

Contos sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 – 0 comentários

Era um daqueles dias em que o mundo inteiro parece estar triste. O céu estava fechado e uma fina e persistente chuva insistia em molhar os pedestres, que apertavam-se debaixo de marquises como se o que estive caindo do céu fosse DST e não apenas água. Nicolau olhava para esta cena pela janela quase que completamente embaçada de seu apartamento no quinto andar do edifício Klaus 46, mas não estava prestando atenção no que acontecia diante de seus olhos. Nicolau estava perdido em pensamentos, planejava o futuro e tentava em vão não lembrar dos lamentáveis acontecimentos da noite anterior. Nicolau era um jovem adulto de 26, cabelos pretos, barba curta, olhos castanhos, enfim, era um rapaz bonito e elegante, apesar de naquele momento estar trajando apenas uma cueca frouxa azul. Tomava um café preto com pouco açúcar e esperava suas torradas ficarem prontas, coisa que já tinha acontecido cerca de cinco minutos atrás. Para a sorte de Nicolau, a torradeira que sua mãe havia dado de presente era daquelas que desliga após cuspir as torradas. Se tem uma característica que todos percebem em Nicolau é que ele é bastante distraído. O apartamento de Nicolau era um apartamento completamente comum, meio tedioso e desinteressante, do tipo que se tivesse que conviver em sociedade com outros apartamentos seria completamente rejeitado até mesmo pelas kitnets. Paredes brancas, carpete preto na sala e no quarto e azulejos azuis na cozinha e no banheiro. Era como uma viagem no tempo para 1982.

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Um dia na vida

Contos terça-feira, 07 de abril de 2015 – 0 comentários

Era sábado à noite, a luz azulada sozinha da TV iluminava a sala, lançando sombras suspeitas nos móveis e almofadas. Mudei de canal, a tela piscou por um segundo, e fixou na nova imagem. De novo e de novo. Nada. Nada minimamente digno de ser assistido, nem mesmo o que eu já tinha assistido antes… Era sábado pós feriado, é claro que não teria nada. Por acidente, acabei parando na fatídica MTV. Mas o canal não tinha acabado? continue lendo »

A incrível geração das pessoas sem problemas intestinais

Contos sexta-feira, 04 de julho de 2014 – 1 comentário

Hoje eu vou contar pra vocês a história da Janaína. Janaína era uma pessoa muito amarga e gastava horas da sua vida no Facebook falando mal de tudo e de todos. Da mãe, do pai, do irmãozinho, do trabalho, de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos homens e das amigas. Ela tinha muito ódio dentro de seu coraçãozinho pois, aparentemente, era a única do seu círculo social que sofria de um grave problema: Prisão de ventre.

Elas vão salvar a sua vida

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O Deus do Amor

Contos segunda-feira, 02 de junho de 2014 – 0 comentários

O Deus do Amor é um homenzinho, já velho, com cabelo só nas laterais da cabeça, completamente brancos, tal qual sua curta barba. Ele é um deus. Claro, ele pode tomar a forma que quiser, mas esta é sua favorita. Ele flutua por aí, a mais ou menos um metro do chão, fazendo o que gosta de fazer. Ele não tem asas, usa apenas uma toga branca (Não translúcida – isso é coisa de outro deus) e está sempre descalço. Alguns dizem até que ele é meio narigudo. continue lendo »

A Piada Mortal

Contos terça-feira, 22 de abril de 2014 – 1 comentário

A maior piada do mundo se chamava Augusto Matraga Pinto. Augusto Matraga – o Pinto ele escondia – era uma pessoa normal – ou quase – mas ganhava a vida mexendo na internet. Fundou com uns amigos um blog de piadas e ficou o que se pode chamar de equivalente hipster de rico. Publieditorial disfarçado de comédia mal feita rende muita grana, vocês nem imaginam. O que acontece é que Augusto Matraga – Ou Matagrão, sua assinatura virtual – traduzia posts de sites americanos e fazia um sucesso besta. Também pagava de artista no deviantART e até mesmo se arriscava em algumas tirinhas de autoria própria. À primeira vista suas obras pareciam bem transgressoras e geniais, e conseguia até mesmo rapar umas cocotinhas pagando de pensador profundo, de gente que tem uma galáxia crescendo dentro de si e nunca vai dormir antes das cinco da manhã por que a cabeça tá ocupada por pensamentos suicidas. Como a boa criança forjada na rede mundial de computadores que era, Augusto passou de blogger a vlogger, de vlogger a VJ e de VJ a formador de opinião virtual. Sua palavra era lei na cidade dos 140 Caracteres.

Mas Augusto é uma pessoa bem comum até, não é? Por que seria ele a maior piada do mundo? Por que morreu. Sim, me perdoem, mas o texto é meu e dou spoiler se quiser, e quando bem entender. Se quisesse ter dado já no título, assim teria feito e ninguém teria nada a ver com isso. Peço desculpas, só que a gente precisa entrar no clima do assunto desde já e prefiro ser pau no cu de cara, pra acostumar cedo. continue lendo »

Crônicas da vida carioca: transporte

Contos sexta-feira, 07 de março de 2014 – 17 comentários

Pra informação geral da nação, vou me apresentar. Meu nome é Aline, tenho dezenove anos e sou carioca. É, que merda, eu sei. Também faço faculdade por aqui, num lugar que é tão bonito e tão acessível que é chamado, carinhosamente, de Ilha do Fundão. Posso descrever a UFRJ como uma versão em negativo de Nárnia: quente, fedida e cheia de gente feia.

Pra quem não sabe, viver no Rio é uma merda. Das mal cagadas. Daquelas que só se faz depois de um domingo de feijoada na casa da tia. continue lendo »

A casa dos séculos

Contos segunda-feira, 13 de janeiro de 2014 – 0 comentários

Na casa dos séculos, sem número e em rua nenhuma, localizada além de Além da Imaginação, vive o Século 21. Tem quatorze anos de idade. Ele está naquela fase de descobrir o próprio corpo, rabiscar nomes de banda no tênis, não ter noção do ridículo e não saber que é um completo idiota. Compreensível, todo mundo foi assim – ou algo parecido. O irmão mais velho que o precede por exemplo, Século 20, quando tinha a mesma idade já estava matando príncipes e começando guerras mundiais, é verdade, mas o pobrezinho era tão inocente ao mesmo tempo. Gostava de ouvir rádio, não sabia o que era um carro rápido de verdade, nem tinha computador, Facebook e smartphone com Android. Que besteira. O Século 21 agora já pega o carro do papai, e odeia ser tido como inocente; ele se vê como esperto, legal, moderno, afinal é o que ele é, não? Ele é cheio de poder, desde que nasceu. Cada ano que passa ele se torna mais legal. Tão legal, mas tão legal, que seu irmão pensa que ele vai cair duro e sufocado qualquer hora dessas. continue lendo »

A viajante

Contos sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 – 0 comentários

Atenção: O conto que vocês estão prestes a ler foi baseado em uma história real – ou tão real quanto nós queremos que seja. Os nomes dos envolvidos foram alterados para resguardar suas identidades.

Se forem verdadeiros, não há explicação satisfatória para certos eventos narrados a seguir. continue lendo »

Sobre zumbis e empadas elétricas

Contos segunda-feira, 23 de setembro de 2013 – 1 comentário

ATENÇÃO: NADA NESTE TEXTO É VERDADEIRO.

Tirando a parte do calor, é óbvio. Oferecimento exclusivo BENFLOGIN LTDA BEIJO MÃE PAI XUXA ASH KETCHUM DA CIDADE DE PALLET VOCÊ É O CARA DOIS BEIJOS FIQUEM COM JESUS AMEM.

E comprem batom. continue lendo »

Que haja rock

Contos sexta-feira, 13 de setembro de 2013 – 3 comentários

Era um fim de tarde calmo e ensolarado. O sol das cinco da tarde passava pelas janelas e iluminava cabeça e ombros de uma pessoa dentro do cômodo, sentada em uma poltrona reclinável. Era um senhor de avançada idade, que se recostava placidamente, rosto tranquilo, quase imóvel a não ser pelos dedos indicador, médio e anular da mão direita que subiam e desciam sem parar no apoio para o braço, marcando o ritmo da música alta que vinha de um arcaico aparelho em um dos cantos do ambiente. Um velho CD girava em altas velocidades dentro da máquina, e sobre ela havia uma capa e um encarte abertos, que há poucos momentos reviveram velhas lembranças. O velho levantou e caminhou lentamente até a janela, curvando a cabeça e os olhos para baixo para contemplar a vista da cidade, os veículos zunindo em alta velocidade cento e três andares abaixo, onde o sol já não alcançava. O idoso começou, por algum motivo, a pensar em seu aniversário – que era no dia seguinte – e em como o tempo passava rápido, sem dúvida. Incrível, pensava ele, como o ano de 2074 já estava quase na metade.

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