A incrível geração das pessoas sem problemas intestinais

Contos sexta-feira, 04 de julho de 2014

Hoje eu vou contar pra vocês a história da Janaína. Janaína era uma pessoa muito amarga e gastava horas da sua vida no Facebook falando mal de tudo e de todos. Da mãe, do pai, do irmãozinho, do trabalho, de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos homens e das amigas. Ela tinha muito ódio dentro de seu coraçãozinho pois, aparentemente, era a única do seu círculo social que sofria de um grave problema: Prisão de ventre.

Elas vão salvar a sua vida

Assim seguiu-se a vida, até o belo dia em que Janaína percebeu que não dava pra viver cagando só durante a menstruação, passar a vida estocando potinhos de 46 em casa e nem parecer mais inchada que o saco de quem não toca uma tem pelo menos uns seis meses. Um amigo apresentou-a às fibras, pequenas entidades coconáceas que agem, digamos assim, como carcereiros do intestino. Elas seguram a merda lá até ela poder se apresentar decentemente. Tipo você levando um amigo bêbado de volta pra casa.

A partir daí, Janaína começou a fazer abdominais desenvolvidos especialmente pra quem tem cólicas na TPM, malhou igual condenada e parou de comer tudo que não fosse integral, vegetal, pau-no-cu, vegetariano, cheio de óleos naturais e também qualquer coisa com sabor. Tornou-se então uma mulher renovada. Janaína, vendo-se liberta de uma vida de sangramentos anais por conta do esforço excessivo na privada, começou a literalmente cagar mole pros outros.

Aliás, a cagar duro. Não, melhor ainda, nem mole nem duro, mas com a consistência exata de claras em neve daqueles que podem olhar pro vaso e ter orgulho da obra que acabaram de produzir. Ela também passou a adorar passear pela casa de manhã dando bom dia e perguntando se mais alguém já fez ideograma na porcelana naquela manhã. Inclusive, pra combater os inimigos invejosos que pensam em fazer trabalho pra ela voltar a cagar menos de uma vez em até três dias, ela considera seriamente abrir um culto. Ainda é um nome temporário, mas acho que vai se chamar Igreja de Nossa Senhora das Fezes Diárias: Evacue Satanás de sua vida, afirmou por telefone à redação. Pela acústica perfeita da ligação, garanto que estava no banheiro. Ela também conta que, com um pouquinho mais de treino, pode começar a se arriscar em formatos diferentes. Acho que o míssil já tá meio sem graça, diz. Vou ser ousada e tentar outras: Rabinho de macaco, Pelé na natação, são tantas as possibilidades. Me vejo livre agora, é isso que importa.

Janaína faz parte da geração dos independentes. Espíritos livre que não carregam rancor em si – pelo menos não por mais de doze horas. É uma geração cheia de saúde, ousada e aventureira, composta por especialistas em rituais diários de exumação da angústia corporal. Viaja sem problemas e sem precisar levar um estoque de laxante consigo. Vai pra todos os lugares, experimenta temperos – sempre saudáveis, não esqueçam – faz ioga, meditação, tratamento com cristais e tira foto da panquequinha de whey protein do café da manhã. Na época da vovó, tanta vontade de viver seria impossível, por que tinha era muita louça na pia e muita conta pra pagar. Mas na época da vovó, pelo mesmo motivo, talvez as pessoas se importassem menos com a vida e as fibras alheias e sei lá, né. Vai que.

Essa galerinha cheia de energia, disposição pra encarar qualquer uma – desde que possam ir ao banheiro antes, claro – e tempo livre – muito tempo livre, sempre – não conhece nenhum limite além do céu. Aliás, nem o céu segura eles. Eles são tão leves por dentro que, se não amarrar bem ao pé da cama depois da cagada da noite, é capaz de saírem flutuando além da atmosfera. Aliás, nego é tão de bem com a vida, que faz amizade em qualquer lugar. Até com a salada. Só isso pra explicar por que toda foto com salada tem alguém rindo igual maconheiro. Ah, maconha pode, aliás. Se for integral. Misturar com haxixe, crack ou mijo de traficante não pode por que engorda, né. E prende o intestino.

“Há, conta a do Joãozinho de novo, por favor, que cê me mata de rir!”

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  • lbkatan

    Engraçado que eu cago bem pacas. Com uma frequência invejável.

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