Quase Famosos (Almost Famous)

Cinema segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ai, que bacaninha! Já começou o Rock in Rio, e vamos pegar carona nesse clima de sexo, drogas e rock and roll (Esquece que o Luan Santana a Claudia Leite vai se apresentar também e FOCA AQUI!). Quase Famosos é a história autobiográfica do diretor Cameron Crowe, que assim como o protagonista, também descolou um trabalho na aclamada revista Rolling Stone e saiu em turnê com uma banda quando adolescente. A diferença é que Crowe ficou na cola do Lep Zeppelin, enquanto o nenis aqui curtiu todos os prós e contras da turnê “Almost Famous” de 1973, com a banda fictícia Stillwater. E vou te contar, se fosse pra escolher um filme em homenagem ao rock e mais ainda, ao rock 70, esse seria o escolhido.

William Miller é um garoto prodígio dos anos 60 educado por um mãe paranóica. Aos 11 anos, Will presencia a irmã mais velha (A fofa Zooey Deschanel) sair de casa, claramente cansada das críticas puritanas da mãe (Frances McDormand, provavelmente em seu melhor papel). Porém, Anita deixa como legado sua coleção de discos de rock, incluindo obras primas como Simon & Garfunkel, Led Zeppelin, Black Sabbath, Rolling Stones, Iggy Pop, Deep Purple, entre outros. O resultado vem 4 anos mais tarde, quando William começa a fazer críticas musicais despretenciosas. Certo dia, o garoto vê o crítico profissional da revista Creem, Lester Bangs (Que realmente existiu), dando uma entrevista para uma rádio local. Depois de uma abordagem em plena rua e um café, Bangs paga 35 mangos para o moleque fazer uma crítica para a revista. Não demora nada para a Rolling Stones botar os olhos no potencial do menino e contratá-lo para sair em turnê com a banda Stillwater, visando uma matéria de capa com os caras.

Depois de alguns minutos de filme, somos apresentados às groupies ajudantes da banda, fãs dedicadas que vivem entre os musicos. Entre as bonitinhas, está Penny Lane (Palmas pra Kate Hudson que foi até indicada ao Oscar de coadjuvante pela personagem), base para a parte dramática da história e inspirada na groupie mor dos anos 70, Bebe Buell, mãe da atriz Liv Tyler e maria-palheta assumida. Penny se envolve com o guitarrista Rusell Hammond durante toda a turnê, mas acaba despertando o amor (Ouuuunnnn) de William.

O longa também explora perfeitamente o mundo louco das bandas de rock daquela época, onde imperava a impulsividade, o apreço pela música e claro, pela maconha. O trio sexo, drogas e rock and roll era levado ao pé da letra. Nada de bandinhas posers de hoje em dia, o retrato é do tempo de ouro da música, onde ser cool era destruir camarins, fazer sexo à três (Ou mais, por que não?) e chapar com ácido. E o mais engraçado é que nas telas o negócio ficou na medida, nada ofensivo, com escassas cenas explícitas. Mas relaxa, isso não compromete a qualidade. Na verdade, o questionamento é mais profundo e suscita a fuga da realidade, a juventude rebelde que queria somente viver num mundo alternativo.

Os destaques do longa são vários, daria pra fazer uma lista enorme. As atuações são ótimas e a mãe linha dura de William rouba a cena diversas vezes, com diálogos e expressões inacreditáveis. Kate Hudson também faz sua parte com competência, bem como Billy Crudup (O Dr. Manhattan de Wachtmen!) que interpreta um guitarrista entre erros e acertos. O garoto Patrick Fugit surpreende no papel de William Miller e encarna bem o personagem. Já das cenas, o maior destaque certamente fica por conta da sequência do avião. Quem já viu sabe do que eu estou falando! Isso sem mencionar as incontáveis referências ao mundo do rock, o qual o diretor ficou extremamente à vontade de retratar.

Depois de assisti-lo, a sensação que dá é que essa magia enevoada pela fumaça dos cigarros se perdeu no meio do caminho. Dá um certo saudosismo e vontade de reverênciar os grandes nomes do rock, tentar resgatar, nem que intimamente, o sabor de uma boa música. Quase Famosos é uma puta de uma homenagem do começo ao fim e só não é perfeito por detalhes. Espetacular na sua face dramática, mostrando os conflitos dentro de uma banda de rock e quem vive sob a influência dela. E claro, a visão de um jornalista que se torna um amigo, mas que não deixa de ser o “Inimigo” de todas as bandas. Talvez seja esse o único aspecto que tenha se perpetuado, o embate eterno entre a mídia e a música. O bom é que a sétima arte passa ilesa dessa vez e trás um real sucesso para as telas.

Quase Famosos

Almost Famous (122 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 2010
Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe
Elenco: Billy Crudup, Frances McDormand, Kate Rudson, Jason Lee e Patrick Fujit.

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  • Só 9? Só 9???

    Sensacional, um dos filmes com as melhores falas que já vi (Lester Bangs é rei), você termina de ver e gosta de simplesmente de todos os personagens.

    Também é um dos poucos filmes que a versão do diretor consegue ser melhor que a de cinema, até vale a pena assistir com os comentários do Crowe (“sim… pergunta de novo”), e a banda é bastante convincente, misturando traços de Led Zeppelin, Grateful Dead e Pearl Jam.

    Interessante que a barreira (ou a falta dela) entre jornalista e amigo é uma das poucas críticas que dá fazer ao documentário Twenty que o Crowe fez sobre o Pearl Jam.

  • Eduardo

    Tesão de filme

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