O Custo da Arte é o Pé de Meia

Cinema, Televisão quarta-feira, 14 de junho de 2017

Eu tenho uma coisa em relação à atores que ficam muito tempo num mesmo papel: Eu digo que eles “desistiram de atuar“.

Normalmente a tal nomenclatura se refere à atores de TV, mais especificamente de séries, mas nada impede de se referir ao cinema, teatro e qualquer outro palco da arte que deveria ser é a atuação. Vocês com certeza sabem do que eu tô falando: Gente que vive fazendo o mesmo papel, seja literalmente ou não… Isso pra não falar quando fazem o mesmo papel em mais de uma mídia.

A lista é gigante, mas só pra mandar alguns: Todo o elenco de todos os CSI; o Tom Cruise; o elenco de Sobrenatural; Tarcísio Meira e Glória Menezes; Zooey Deschanel; todos os galãs da Globo; DiCaprio; Ingrid Guimarães (E a Giovanna Antonelli e a Mônica Martelli); Cléo Pires; Michael Cera; todo o elenco de Grey’s Anatomy (Aliás todo o elenco de tudo que é da Shonda Rhimes); Alexandre Borges. Percebam que nem incluí nomes óbvios e comediantes (Afinal ninguém espera grande atuação de comediante).

A questão é uma só: A galera diz que é ator e atriz mas não faz PORRA NENHUMA pra merecer o título. Uma vez, duas décadas atrás, eles pesquisaram um papel e é só o que fazem. Claro que as desculpas tão na ponta da língua: “Só me escolhem pra papéis assim”, “é o que tem no momento”, “esse personagem brinca com os estereótipos”. Tudo conversa pra boi dormir, como sabemos. O fato é um só: Seja literalmente no mesmo papel seja através de trabalhos diferentes essas pessoas deliberadamente escolhem sempre o mesmo personagem. Escolhem “interpretar” a mesma coisa por décadas. Literalmente décadas. À ponto de literalmente não precisarem se esforçar pra “interpretar” o tal papel. E, é claro, é apenas uma questão de tempo até o “eu gosto desse papel” virar “eu só sei este papel”.

Porque vamos combinar que ser ator não é exatamente o tipo de profissão pra quem quer apostar no garantido, e além disso não é um trabalho que (Em teoria) seja repetitivo: Atuar é um exercício criativo, não à toa chamado de “arte”, e que requer mais do que repetição mecânica e boa memória pra decorar falas. Mas não, taí essa gente fazendo a mesma merda há anos, logo “desistiram de atuar”. Porque não há criatividade no que se tornou parte da sua identidade como ator ou atriz: Deixou de ser atuação pra ser parte de como você é. O nome pode ser diferente, a história de vida, mas a partir do momento em que você vai interpretar outro papel e não consegue, é porque já é tarde demais.

É um simples fato: Na escolha entre tentar fazer arte e ter um salário no fim do mês, eles escolheram o salário. Tá errado? Não. Quer dizer, não se você for um contador ou uma balconista, mas se você se chama de artista e quer que o mundo te veja como tal, está sim. Porque você vendeu a sua chance.

Se você quer um salário todo quinto dia útil do mês ir pra atuação é um erro gravíssimo.

Porque a escolha é sua. É sua de estar num palco ou num camarim, é sua de fazer audições e correr atrás de papéis, e é sua de cuidar de que papéis você faz e quais não faz. Eu entendo que seja frustrante estar na sua carreira dos sonhos mas não conseguir nada bom, entendo que chega um ponto que cê tem que pagar conta, e que reconhecimento não só é incrível como também pode te viciar, mas se essa for a tua escolha não tem mais espaço pra “atuar é o meu sonho”. O teu sonho é banho quente e carro do ano, não arte. Banho quente e carro do ano é maneiro pra caralho, mas ambos podem ser conquistados perfeitamente sem fazer ninguém assistir a porcaria que você chama de “atuação”.

Enquanto antes a galera botar a mão na consciência, melhor, porque se poupa do ridículo, do discursinho vitimista que é o “ninguém me valoriza”, e poupa todo mundo que quer assistir atuação de verdade.

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