A Fênix Pixelizada – A Chama Célere

Nona Arte quarta-feira, 10 de março de 2010

De uns anos para cá, começou a acontecer algo que eu, desde pequeno, julgava impossível: Os nerds se tornaram populares. Claro, sempre tinha uma ou outra ovelha desgarrada que, devido a algum desvio de personalidade, conseguia ser menos desprezado que o normal. Nós, nerds, não tínhamos habilidade para praticar esportes, velocidade ou resistência para brincar de esconde-esconde ou pega, ou mesmo beleza para brincar de salada mista.

É, a vida era uma merda. Nossa diversão se resumia a ler (Com dez anos, eu já tinha lido O Sítio do Pica-Pau Amarelo umas ? vezes, os livros infantis do Érico Veríssimo e pelo menos metade d’O Tesouro da Juventude, além de centenas de revistas da Turma da Mônica, entre outros), assistir TV (O Mundo de Beakman, programação da TV Cultura em geral, além de Caverna do Dragão e uns outros desenhos) e, para os insanamente sortudos, jogar videogame (Tenho meu SNES até hoje, mas ele não anda muito bem da CPU) e/ou usar o computador dos pais como plataforma para jogar hacks de Prince of Persia, Mario e Pokemon Blue, entre outros que eram compartilhados via pilhas de disquetes. É, a vida era simples e boa.

Mas os nerds ainda eram desprezados. Ninguém que preferisse ler, assistir TV ou se reunir para jogar RPG ao invés de correr no meio da rua era normal. Crescemos e criamos uma sociedade à parte, com costumes, hábitos, estilos de vida e cultura diferenciadas, e éramos felizes com isso.

Entendam que nenhuma dessas atividades, isoladas, bastaria para classificar alguém como nerd. Sempre tinha o cara que passava a tarde grudado na TV, gravando o filme da Sessão da Tarde em VHS. Também tinha um ou outro que gastava quase R$ 5,00 por dia (O que, na época, era um valor -e uma quantidade de tempo considerável, dependendo do custo da hora – altíssimo) na locadora de videogames do bairro, apagando as digitais enquanto jogava Street Fighter, Super Mario World e Teenage Mutant Ninja Turtles, além do crássico Internacional Soccer Superstar Deluxe, para quem gostava. Mas só isso não era necessário para ser considerado um nerd. Afinal, o cara que melhor jogava futebol na rua era fanático por Sonic, a menina que mais pulava corda não perdia por nada nesse mundo seu episódio de História Sem Fim Malhação ou a reprise de A Lagoa Azul.

Um ou dois anos atrás, sem nenhum motivo aparente, ser nerd se tornou popular. O cinéfilo apelidado de IMDB Ambulante, mas sociável e noob, era nerd. O cara que jogava Call of Duty só para aliviar seus instintos homicidas era nerd. O outro, que decorou os códigos de edição de texto do WordPress por puro costume, era um nerd g33k h4ckz0r fr0m h311. O emo que passou a ler The Umbrella Academy porque o roteirista era o vocalista do My Chemical Romance era um nerd. De repente, todo mundo e, ao mesmo tempo, quase ninguém, era nerd. E isso se tornou um problema.

[Continua na próxima semana]

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  • É a velha questão… os Nerds vão dominar o mundo informatizado…

    Mas que Prince of Persia era massa isso era, foram boas horas jogando-o, isso quando não estava tentando zerar Final Fantasy II

  • Marina

    eh… hoje em dia o conceito de nerd está desatualizado |:

  • É como estava discutindo como um amigo esses dias. Nerd hj é status cult, tem gente que assiste TBBT, se diz nerd, mas não entende as piadas de fisica.
    Era o tempo em que se assistia A vingaça dos Nerds e vc realmente sabia o que significava ser “Nerd”.
    Hj em dia tem até definição de tipos de nerds.

  • Guten

    @Bruna
    Tem gente que só ri assistindo TBBT por causa da trilha de risadas à la Chaves.
    Tipos de nerds sempre existiram (o Gamer, o Rato de Livraria, o cara que era um banco de dados de informações geralmente inúteis…), o problema é que querem separar eles. Só existe um tipo de nerd: aquele que quer saber de tudo. As diferenças são as “especializações”: um aprende tudo sobre o universo expandido de Star Wars/Star Trek, outro se afoga em Livros, aquele ali programa uma AI em Pascal em uma hora…

  • Como que eu não vi citarem o universo de JRR Tolkien? D:
    Que tipo de nerd são vocês? Se é que são. D:

  • Guten

    @Willian
    O texto continua semana que vem, e eu não vou abordar nenhuma área específica de nerdice. O tema é a irritante modinha de ser nerd. Obras citadas no texto possuem unicamente o intuito de exemplificar.

  • Jorge Delamare

    Me identifiquei com uma pá de coisas aí… hehehehe

    Ah, e como o Guten disse aí, há vários tipos de nerd. Eu diria mais, há tipos “básicos” e tipos “derivados”, sendo que estes são misturas de vários aspectos daqueles. hauhauhauhahua Criei um teoria social para explicar a inexplicável nerdice… :P

    Quer saber mesmo a abrangência do termo? Assista os filmes clássicos “A vigança dos Nerds”, “Os Nerds também amam”e os “Nerds saem de férias”. Dá pra ter uma noção da vastidão de “seres” que podem ser ROTULADOS com esse termo.

  • dervecna

    Pois é, sinto meus direitos de nerd roubados.
    Pelo menos acumulei vastos pontos de XP nessa vida de nerd, e já estou num nível épico. Não a ponto de entender de mecatrônica, ou de consertar um computador, mas tenho papo com qualquer desajustado social. E não sei, absolutamente, conversar de novela, futebol ou big brother. No máximo análises psico-sociais sobre isso.

    BTW, esses “nerds” de hoje em dia nunca entenderão como me senti quando completei minha coleção de Senhor dos Anéis, quando ganhei o box de DVDs da minha namorada ou quando comprei 5 livros com mais de 500 folhas cada, numa tacada só! *.*

  • Guten

    @Dervecna
    Orra, véi! Achei que cê tinha morrido!

    Enfim: neonerds, BBB, futebol e novela=merda. FDP acha que, porque assistiu SdA, é nerd. Malditos.

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