Da Magia à Sedução 2

Cinema sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Buenas, talvez a minha opinião de hoje seja polêmica. Ou romântica demais. De fato, eu nunca escondi meu coração de mocinha por aqui e Da Magia à Sedução é um filme que me pega demais. Então, logicamente, quando anunciaram a continuação quase 30 anos depois do lançamento do original, fui eu que pedi sim (diferentemente do último filme que eu resenhei). E já aviso: vai ter spoiler.

No filme original terminamos a história com uma Sally Owens (Sandra Bullock) fora do armário, bruxa assumida, casada com o investigador Gary (Aidan Quinn), e pulando do telhado da casa das tias Frances (Stockard Channing) e Jet (Dianne Wiest) junto da irmã Gillian (Nicole Kidman) e das filhas pequenas. Na continuação de 2026 Sally volta para o armário após o falecimento de Gary, vítima da maldição lançada por sua ancestral Maria: todos os homens que forem amados por uma Owens terão uma morte trágica. Em luto, ela escolhe renegar toda a magia de sua vida e estende a decisão até as filhas. As meninas perdem as memórias da vida mágica e crescem como pessoas “normais”.

Tudo muda quando a filha mais velha de Sally, Kylie (Joey King) finalmente se entrega ao amor com o namorado Gideon (Xolo Maridueña) vamos dizer que eu consigo entender o porquê rs. De toda forma, quando Kylie finalmente admite que o ama, ele sofre um atropelamento e entra em coma. Nesse cenário, Sally confessa para a filha a existência da maldição familiar que atinge a todas as mulheres Owens e revela que todas são sim, bruxas. Kylie então parte numa jornada desesperada em busca de desfazer o feitiço, mas acaba indo por um caminho perigoso.

Na minha percepção, o novo enredo não é perfeito, mas funciona. Eu já li da Magia à Sedução, livro que dá origem ao primeiro filme e as coisas giram em torno do amor, assim como aqui. Há furos e coisas que poderiam ser melhor trabalhadas no filme? Claro. Mas no conjunto, a história cativa e passa sua mensagem. Preciso destacar também que Sandra Bullock e Nicole Kidman estão mais uma vez um deleite juntas. A parceria ainda rende bastante e ao lado das tias é um primor!

Falando em tias, esse é talvez o ponto alto do filme, a parte mais nostálgica e que nos conecta ao anterior. Elas estão lá, lindas e mágicas como sempre. Chorei muito nas cenas que, quem assistiu, sabe bem quais são. Elas conectam o passado e o futuro, mantendo sempre suas personalidades distintas lá e cá. Um dos livros da série, inclusive, retrata o passado de Frances e Jet, e eu estarei na melhor fila do cinema quando resolverem adaptar mais essa história.

As filhas de Sally aqui interpretadas por Joey King e Arya Stark Maisie Williams me surpreenderam. Houve um certo burburinho pela escolha das atrizes, tendo em vista que poderiam ter escalado as atrizes originais (entre elas a maravilhosa Evan Rachel Wood, beijos Westworld!). Porém, entendo agora a escolha: o filme preferiu retratar o início da fase adulta das garotas, o que pedia atrizes um pouco mais jovens. Não acho também que há um prejuízo real, King e Williams se incorporaram na família Owens com sucesso, mesmo achando que poderiam ter dado mais tempo de tela para a personagem Antonia.

Vi algumas resenhas pela internet reclamando que o primeiro filme era mais sombrio, de que os efeitos especiais deixaram o filme mais caricato. Concordo com a primeira afirmação, mas discordo da segunda. Gosto de como fizeram os poderes reconectarem as mulheres da família, mesmo que de forma gráfica. E pensando em contexto visual, aqui tudo segue com uma aura de pura beleza e charme. A casa está lá, mais linda do que nunca. O figurino segue no ponto, os penteados belíssimos (ainda que eu sinta falta da peruca ruiva inesquecível da Gillian no primeiro filme), as botas cheias de referências.

Esse, pra mim, é um filme essencialmente feminino/feminista. O filme fala de amor romântico sim, mas principalmente de amor entre mulheres. Demonstra o poder que se emana dos vínculos familiares e ancestrais, e mais ainda, de como podemos mudar o futuro através do apoio entre nós. O final feliz é forjado por elas e para elas. Os homens aqui estão orbitando as protagonistas — não de maneira pejorativa, mas as admirando. A síntese disso é a cena final onde Sally caminha até Ian, o beija e volta para a pista de dança. Ela dança enquanto caminha, absolutamente hipnotizante, forte e dona do seu destino. Se isso não é ser uma bruxona das brabas, bem, meus amigos, não sei mais o que pode ser.

Da Magia à Sedução 2

Practical Magic (110 minutos – Fantasia)
Lançamento: EUA, 2026
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Akiva Goldsman, Georgia Pritchett.
Elenco: Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing, Dianne Wiest, Joey King, Maisie Williams, Xolo Maridueña.

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