Toy Story 5

Cinema quarta-feira, 07 de outubro de 2026

Olha, eu gosto de Toy Story. Gosto mesmo. O primeiro é um clássico, o segundo é melhor ainda, o terceiro fez uma geração inteira chorar e o quarto conseguiu até ganhar Oscar. Então quando anunciaram o quinto, minha reação não foi exatamente um frenesi, mas um singelo: precisava mesmo? E depois de assistir, continuo a me perguntar. Toy Story 5 é um filme ok. Divertido, bonito, bem feito, com algumas boas ideias e aquela dose calculada de nostalgia que a Pixar sabe vender como ninguém. Mas, puta que pariu, parece que a gente está espremendo uma laranja que já não tinha mais tanto suco.

Dessa vez, o grande inimigo dos brinquedos não é outro brinquedo, nem uma criança destruidora de bonecos: é a tecnologia. Bonnie está crescendo e começa a se afastar dos brinquedos porque, como praticamente toda criança do século XXI, tem uma tela muito mais interessante para olhar. Surge então Lilypad, um tablet em formato de sapo que vira a nova queridinha da menina. Jessie, agora ocupando um papel muito mais central, tenta lidar com a sensação de estar sendo substituída, enquanto Woody (beeem apagadinho) retorna para ajudar a turma. A ideia não é ruim — aliás, acho bastante coerente que uma franquia sobre o medo de ser deixado para trás eventualmente chegasse ao medo de ser substituído por um tablet. O problema é que eu já vi Toy Story falando sobre abandono, crescimento e despedida. Várias e várias vezes.

E talvez o maior acerto do filme seja justamente colocar Jessie no centro. Existe nela uma história que ainda tinha espaço para ser explorada, principalmente por causa do trauma de abandono que conhecemos desde Toy Story 2 (o meu filme favorito da franquia, aliás). Confesso que gostei muito de reviver algumas memórias dela e foi, pra mim, o ponto alto. Também gosto do fato do filme não transformar Lilypad simplesmente em “a tecnologia é uma merda, crianças precisam brincar com bonecos”. A questão é um pouco mais interessante: tecnologia também conecta, ajuda e diverte, mas não deveria substituir completamente a experiência de brincar, imaginar e conviver. Só que, ao mesmo tempo, parece que a Pixar está fazendo uma palestra sobre tempo de tela. Não que o tema não seja relevante, mas soa chato, quase professoral.

Dito tudo isso, Toy Story 5 não é ruim. Longe disso. É competente, simpático e tem uma mensagem bastante pertinente sobre infância, tecnologia e pertencimento. Só não consigo fugir da sensação de que Toy Story 3 já tinha dado à franquia uma despedida quase perfeita e que o quarto e o quinto filmes continuam tentando encontrar novas gavetas para guardar brinquedos que já tiveram seus melhores momentos. Talvez seja injusto cobrar de um filme novo a sensação que os primeiros causaram quando eu também não sou mais a mesma pessoa que assistiu ao primeiro Toy Story. Mas, no fim das contas, a pergunta continua: Essa continuação precisava existir? Pra mim, não. E, sinceramente, talvez os brinquedos também merecessem uma folga.

Toy Story 5

Toy Story 5 (102 minutos – Animação/Aventura)
Lançamento: EUA, 2026
Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris
Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Greta Lee, Conan O’Brien, Scarlett Spears, Mykal-Michelle Harris, Shelby Rabara, Craig Robinson, Krys Marshall, Matty Matheson e Alan Cumming

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