Truque de Mestre (Now You See Me)

Cinema sexta-feira, 19 de julho de 2013

 Daniel Atlas (Jesse Eisenberg) é o carismático líder do grupo de ilusionistas chamado Os Quatro Cavaleiros. O que poucos sabem é que, enquanto encanta o público com suas mágicas sob o palco, o grupo também rouba bancos e ainda por cima distribui o dinheiro para os próprios espectadores. Estes crimes fazem com que o agente do FBI Dylan Hobbs (Mark Ruffalo) esteja determinado a capturá-los de qualquer jeito, ainda mais após o grupo anunciar que em breve fará seu assalto mais audacioso. Para tanto ele conta com a ajuda de Alma Vargas (Melanie Laurent), uma detetive da Interpol, e também de Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), um veterano desmistificador de mágicos.

O Pizurk achou a ideia genial, mas né, é o Pizurk, então vamos com calma. Não é ruim, mas também não é bom, então vou falar umas coisas que vocês já sabem e outras que não gostariam de saber.

Pois então, temos quatro mágicos de rua, daqueles que fazem truques de carta e daqueles que roubam sua platéia: O Mark Zuckerberg é o cara das cartas e líder do troço; Henley Reeves (Isla Fisher) é a ex-assistinte dele, mas que agora tem uma carreira própria; Merritt McKinney (Woody Harrelson) é um mentalista chantagista e Jack Wilder (Dave Franco) é um trombadinha que de vez em quanto faz uns truques. E esses quatro “grandes mágicos” são reunidos por um cara de capuz, para realizarem 3 shows/roubos. E porra, tamo aí sem fazer nada, o cara tem uns projetores holográficos com plantas dos cofres… Por que não?

E depois de muito planejamento, chega o momento do primeiro show: Eles tem o apoio de um milionário (Michael Caine), tem um palco em Los Angeles e tem o endereço de um banco em Paris, com mais de 3 milhões de euros dando bobeira. Um sorteio, umas piadas e uma máquina esquisita depois, um monte de cédulas estão caindo sobre a platéia, sendo que um voluntário à participar do show jura que foi mágica de verdade que fez ele viajar do oeste do EUA até a França em alguns segundos. E no meio da galera tá Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), um daqueles ex-mágicos paus no cu que resolveram “desmascarar” outros mágicos, já de olho em suas próximas vítimas. Agora me diz uma coisa: Por que caralhos “desmascarar” alguém, se desde sempre todo mundo já sabe que é um truque? Quero dizer, o coelho desapareceu da caixa, mas ninguém nunca te disse que ele, de fato, desapareceu da caixa… Entendem meu ponto?

 Sim, “do Apocalipse” sim…

Enfim, após 3 milhões de euros serem roubados, o FBI é chamado, bem como a Interpol, pra saber o que caralhos tá acontecendo, e aí encontramos o Bruce Banner, parecendo muito mais alguém que vira um monstro verde do que parecia nos Vingadores, e sua parceira Alma Dray (Mélanie Laurent) francesa gostosinha. E porra, tão achando que é bagunça? Que porra é essa aí? Pode ir parando, véi.

 Mas é claro que isso dá errado.

Então, eu tenho um problema com filmes sobre mágica: Nada mais justo, para efeito visual no filme, do que usar, de fato, efeitos especiais. Quero dizer, fica legal, “parece mágica de verdade”. E aí fica o ponto: Mágica já é mágica, já faz o que, supostamente, você acha impossível, mas a partir do momento que algo impossível de fato ocorre, já não é mágica de verdade. A partir do momento em que panos se movem sozinhos em pleno ar (E sim, isso é uma cena do filme), eu sei que eu NUNCA veria mágico nenhum do mundo fazer aquilo, e porra, você acaba de foder com seu filme sobre mágica. Prum filme fica legal, mas pra mágica, que é o seu tema e alicerce, não.

E aí vem outro ponto-base do filme: É um filme policial, e durante a grande maioria do tempo você acompanha o FBI e a Interpol caçando Os Quatro Cavaleiros (The Four Horseman no original), e vejam bem, eles são os mocinhos. Os ladrões estão dando dinheiro para as pessoas, roubando, é claro, mas ainda sim “por um bem maior”. O problema é que em nenhum momento desse filme eu torci por eles. Já falei sobre isso. Eles estão errados, mas é para eles que você deveria torcer, mas isso, ao menos para mim, não acontece.

As cenas mais legais do filme são, claro, os shows deles, mas você só vê os shows do ponto de vista da polícia, e isso faz sentido: Mais que um filme policial, é um filme sobre mágica, e você não pode contar o truque antes. Acontece que eu só vejo os mocinhos serem perseguidos, e seus atos, praticamente todos eles, ficam sem explicação: Eu não tenho porque gostar deles, exceto o motivo óbvio de estarem sacaneando com quem está atrás deles, e isso não é o suficiente. Os Quatro Cavaleiros não são carismáticos, mesmo que sejam feitos para ser.

 E nem a gostosa da Isla Fisher resolve isso.

E, como não poderia deixar de ser, há vários plot twists. E eles não me incomodam, e nem nada disso, mas não são exatamente… Geniais. Você pode ou não descobrir tudo no filme, só depende do quanto você para para pensar no que está vendo: Nada ou uns 3 minutos. Já aviso que minha técnica falhou em boa parte do filme.

Aliás, falando no filme, este tenta misturar umas paradas de sociedade secreta, magia de verdade (De verdade dentro do filme), teoria da conspiração e a história de um mágico que morreu e mais uns caralhos a quatro. E é tudo superficial, dispensável e sem importância: Não atrapalha, mas se não estivesse alí não teria algum problema, e isso mesmo levando em conta o plot twist final.

No fim, Truque de Mestre é um filme legal, daqueles que você poderia alugar, se divertir um pouco pra depois devolver, isto é, se locadoras ainda existissem. Não há nenhuma grande interpretação, mas o elenco dá o seu melhor alí, dentro do que lhes é possível. E mesmo reclamando dos efeitos especiais, adianto: Eles não são ruins e/ou exagerados, só são mal utilizados dentro da proposta presente. O problema, talvez, é que não há bons truques e nem mestres, só um filme divertido.

Truque de Mestre

Now You See Me (115 minutos – Policial)
Lançamento: EUA, 2013
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Ed Solomon, Boaz Yakin e Edward Ricourt
Elenco: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Isla Fisher, Morgan Freeman, Michael Caine, Woody Harrelson e Melanie Laurent

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