Correções e traduções

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 27 de outubro de 2008 – 11 comentários

Ler pode ser algo agradável para alguns, aquelas pessoas que só lêem por diversão (eu) e que só chegam a ver o produto final em suas mãos. Mas para aquelas pessoas que têm a maldita tarefa de deixar aquilo correto, duvido que ler seja algo agradável.
Aproveitando que temos agora uma revisora no AOE, que por acaso não corrige meus textos (ainda bem, teria pena dela), fiquei aqui a pensar nisso, nas pessoas que ganham dinheiro pra isso. O autor se dedica para escrever a história e entregar para seu editor a tempo. Depois disso, o tempo passa e ele vê seu tempo dedicado a aquilo sendo admirado por seus fãs. Só que, durante esse tempo que ele entregou a versão para o editor e o momento que o livro foi pra prateleira, aquilo passou pelas mãos de pelo menos umas 10 pessoas, chutando bem por baixo. Primeiro tem o editor, cara que realmente sabe das coisas e que lê aquilo, anotando tudo o que tem que ser alterado ou corrigido ou simplesmente deixando tudo de lado, afinal, não é tarefa dele facilitar o trabalho do próximo da lista.
Presumo que depois disso seja a vez do revisor, esse cara considerado um anjo por alguns e a encarnação do diabo para outros, mas no fim, sendo um mal necessário. Ele é quem ajeita tudo, colocando pingos nos i’s, arrumando concordâncias em frases, ajeitando erros e, no fim de tudo, quem sabe, mudando todo o sentido da história. Se não existe um canal de comunicação entre o revisor e o autor, a garantia de que sairá merda é quase total, porque às vezes aquilo pode ser proposital ou apenas uma maneira de identificar um personagem.
Isso de erros identificarem personagens acho que pode ser explicado um pouco mais, aproveitando o momento. Vamos pegar por exemplo um trecho do livro Ratos e Homens, de John Steinbeck, já resenhado por aqui.

(…) O homenzinho puxou para baixo a aba do chapéu e olhou torto para Lennie.
-Então, ocê já isqueceu, foi? Vô tê que falá de novo, né?Jesus Cristo, ocê é um idiota loco!
-Isqueci-disse Lenny, suavemente- Eu tentei não isquecê. Juro por Deus que tentei, George.
-Tudo bem, tudo bem, vô falá de novo. Não posso fazê nada. Parece que eu passo o tempo todo falando as coisa pr’ocê, aí ocê isquece e eu falo tudo de novo.(…)

Meus dedos quase caíram por digitar isso, mas é detalhe. Essas poucas frases do livro se encontram logo no ínicio dele, logo depois que os personagens são apresentados. Ali, já dá pra identificar um pouco como cada um deles fala, somente pela maneira que cada frase é escrita e tudo o mais. Dali em diante, é possível até saber quem está falando sem alguma indicação, de tão bem caracterizados que os dois estão. Mas isso é um livro estrangeiro, o processo de tradução dele deve ter sido algo foda de ser feito, mas isso falarei mais adiante.
Como podem observar, às vezes os erros identificam os personagens, e a ajuda do autor nessas partes é crucial, pois uma correção pode acabar com toda a história, ou com o charme dela. Imagine o trecho acima escrito corretamente ou, se já leu o livro, pense como ele seria se escrito com a linguagem certa. Além de perder toda a identidade, ele ficaria sem graça. Eu acho, ao menos.
Sei que o processo de revisar um manuscrito é algo desagradável por causa de algumas coisas que acontecem por você ser um viciado em leitura. “Ei, Santhyago, escrevi isso, pode dar uma olhada e ver se tá legal?“. Se te dizem isso por MSN, a garantia de que você vai receber um bloco de notas ou um arquivo de Word é certa, mas se isso é dito pessoalmente, prepare-se para receber um calhamaço de páginas, todas escritas à mão, coisa linda de se ver. É nesse momento que você abençoa o revisor, por te brindar com um produto já amadurecido, sem nada mais para se preocupar a não ser apreciar a leitura. E se tem algo pra avaliar, meu e-mail tá ali, ó, fiquem a vontade pra mandar textos para lá, nem que seja para se arrependerem depois.
E agora, as traduções. Imagine o mesmo trecho de cima no original, como deve ter sido difícil de ser traduzido para o português. Como será que ele se apresenta em seu estado original? Tentei achar o mesmo trecho para comparar, mas não fui feliz em minhas buscas, então, que isso fique na imaginação de vocês. Ou achem isso pra mim que coloco nessa parte depois.
Aqui, eu acho.
Traduções não é algo que seja agravável também. O site Terminologia é um portal de tradutores profissionais, e acho que ali é onde os erros de tradução mais comuns são apresentados. Na parte sobre pérolas de tradução, encontra-se algumas muito bizarras, que eu duvido que algum profissional tenha feito.
É, acho que por hoje é só. Fiquei tentado a publicar essa coluna sem revisar, mas isso seria muita maldade com vocês.

Torturas literárias

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 28 de julho de 2008 – 17 comentários

Ler um livro ruim já é martírio suficiente para um leitor compulsivo que termina tudo o que começa. Mas por incrível que pareça, há outras coisas que podem fazer um leitor sofrer. Essas são as torturas literárias, coisas tão malignas e cruéis que me deixam sem palavras, mas que vou tentar arranjar algumas para descrever isso para vocês.
Existem vários tipos de atitudes que podem fazer o mais sensível chegar aos limites. Uma dessas atitudes é usar livros de apoio para aquela mesa que está meio bamba. Dependendo da mesa, o dano que o livro toma é extremo, muitas vezes o deixando desfigurado, com partes faltando e inutilizado para futuras leituras permanentemente, uma desgraça total. Exagero, eu sei, mas é a verdade.
Outra que já é ruim, mas não chega a ser tão cruel assim é o ato de dobrar a página para marcar onde parou. Sou da seguinte opinião: “Qualquer coisa pode ser usada como marca-páginas”. Nisso, já usei folhetos, papéis de bala, palitos, folhas, pedaços de plástico, entre outras coisas que podem ser consideradas lixo. Logo, NÃO HÍ JUSTIFICATIVA PARA DOBRAR A MALDITA PÍGINA! Quando vejo isso em livros antigos na biblioteca, chego a ter pena do livro, mas o que está feito, está feito.
Riscar trechos interessantes é legal quando feito com um lápis. 4B ou 6B são bons números de lápis para marcações. São fáceis de se apagar e não danificam as páginas. Logo, virar uma página e dar de cara com ela quase toda pintada de verde limão, laranja-ataque nuclear ou vermelho sangue florescente é algo que me deixa com a cara com um misto de confusão, raiva e pena, porque aquilo nunca mais irá sair dali, ficando sempre em suas páginas até o fim dos tempos. Olha o exagero aí de novo. Um lápis e borracha são tão caros assim?!?
Existem muitas outras atitudes que podem ferir a integridade de um livro. Usar ele de alvo para facas, esquecer na chuva, deixar ele aberto virado para baixo, tudo isso são coisas que não irei mais falar aqui porque são muito ruins só de pensar; imagine de falar delas. Talvez em outra oportunidade, quem sabe. Pra finalizar, uma das poucas torturas que foram feitas comigo, que testaram minha força de vontade quase que até o limite. Chego em casa e meu irmão logo começa:
-Carlos, não imagina o que eu vi hoje quando estava vindo de casa, quando passo pela rotatória. Sabe o que tinha lá?
-Nem imagino, está certo. O que era?
-Tinha um livro! Vi ele ali, com os carros passando por cima, fazendo ele abrir e as páginas ficarem balançando no vento!
Nessa parte, ele levanta os braços e simula o movimento das páginas, balançando os braços de um lado para outro, para ilustrar o movimento do livro, enquanto fala “fiuuuuu”
– E você não pegou ele para mim?
– Tá louco? Os carros estavam muito rápidos e eu não iria parar por UM livro, ainda mais um que ficava balançando…
E repete o movimento.
Nessa hora, penso em ir até lá, mas já era tarde. Isso que le me contou foi ás 18 horas, muito tempo havia passado para que eu fizesse algo que pudesse salvá-lo. Descanse em paz, livro desconhecido.

Reuniões

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 07 de julho de 2008 – 3 comentários

Falar com outros leitores são momentos que merecem destaque. Primeiro de tudo, juntar pessoas que conhecem literatura o suficiente para falar sobre isso é muito difícil, como se fosse vergonhoso ler. Depende muito do tipo de livros preferidos mas isso não vem ao caso.
mas voltemos ao que interessa, como se eu não fosse me perder de novo em breve. Juntar um grupo sociável o suficiente já é algo difícil, mas vale a pena. Pode ser em um bar, numa praça ou onde for, falar de livros com alguém é algo que rende muito, nem que seja recomendações e promessas de empréstimos. De qualquer forma, vamos ao que interessa, que já enrolei demais.
Esse fim de semana presenciei um desses encontros espontâneos, que acontecem sem que ninguém combine, em um lugar que onde o que se menos espera é falar sobre literatura. Primeiro de tudo, uma sala em uma casa fez com que um dos caras falasse sobre a sua sala dos sonhos, que seria mais ou menos como a daquele cara, cheia de pôsteres, TV de plasma e DVD’s de bandas, coisas assim que todo fã de música é praticamente apaixonado. Depois de discutir sobre o tipo da sala, o que teria na sala de cada um de nós, eu falo sobre que a minha seria uma biblioteca com livros até o teto, cheia de prateleiras e poltronas, uma biblioteca perfeita.
Qual foi minha surpresa ao ver que todos eles tinham a mesma idéia, só que essa seria sua segunda sala perfeita, não a sua primeira escolha como seria a minha. Depois disso, uma pequena discussão sobre tipos de livros, os preferidos, os que seriam banidos da face da terra, aqueles que valem a pena e tudo o mais. Mas sabe-se lá o motivo, acabou por aí e falamos de outras coisas. Mais tarde, depois que todo mundo estava meio alto, adaptações de filmes e quadrinhos entrou em pauta, uma beleza. Depois de discutir tudo o que está em cartaz atualmente, o foco foi passado pra estilos de adaptações, o que deu certo, o que deu errado e se o que vem por aí será válido do preço de ingresso e tudo o mais.
Agora, a questão principal: PORQUE DIABOS ESTOU CONTANDO ISSO PRA VOCÊS?!?
Sei lá, falar sobre mim nessas colunas é algo que não acontece muito, mas serve pra mudar um pouco a impressão de que sou um nerd fanático por livros. Sou até, mas isso não me impede de fazer tudo como outras pessoas.
Depois de falar isso que não fez sentido nenhum, vamos em frente. Os poucos outros leitores que conheci antes disso se encaixavam no estereótipo de que acredito que muitos tem na mente, que é daquele cara que fica só lendo, não faz nada além disso. É uma pequena variação de um otaku, que só assiste anime e mangá, com a diferença de que ele é mais inteligente que um otaku e menos sociável. Depois do dia da toalha, onde conheci pessoas que compartilham praticamente os mesmos gostos literários, acabei entrando em contato com pessoas que são muito diferentes dessa aparência que citei acima. Pessoas legais, acima de tudo.
Mas novamente estou entrando em fatos de minha vida, algo que não interessa nada a vocês. Reuniões literárias podem ser feitas em vários lugares. Livrarias em shoppings tem seus espaços pra isso, onde as vezes alguns especialistas vão discutir sobre alguns livros, tornando o local um dos melhores pra conhecer essas pessoas, além de ser um bom lugar para arranjar comida de graça e talvez uma bebida na faixa, se for o caso de você ser uma esponja de álcool.
E agora, eu poderia finalizar com alguma idéia pra que leitores se encontrem e tudo o mais, mas não adianta nada. Não depende de mim fazer com que todo mundo saia de seu buraco e vá atrás de alguém pra conversar. Então termino por aqui, antes que eu acabe mais deprimido do que já estou.

Overdose Sci-Fi: Dia da Toalha – Como Foi

Livros segunda-feira, 26 de Maio de 2008 – 5 comentários

No momento em que escrevo isso, o Dia da Toalha está próximo do fim, afinal, faltam poucas horas para acabar o dia, mas sabe o que tenho pra falar sobre hoje (ontem)? Que hoje foi um bom dia (sem propaganda).
Tudo começa as 8 da manhã, quando acordo e me dirijo para o ponto de encontro. Não que estivesse atrasado, mas eu quis chegar mais cedo. Doce ilusão.
Peguei meus equipamentos e me dirigi para o ponto de ônibus, onde atraí olhares estranhos de quem me via carregar uma toalha PRETA. Mas isso não foi nada, esperem.
Quando pego o ônibus para o centro, tinha a previsão de que ia chegar cedo o suficiente pra um café e pra poder esperar todo mundo sem me preocupar, aí é que tudo começou a dar errado. Uma maratona estava acontecendo, e adivinha que pista os corredores estavam utilizando? Resultado: o ônibus teve que apostar uma corrida com os corredores para cumprir seu horário. Por sorte, o motorista não era lá muito bem da cabeça e foi cortando as ruas e correndo como um possuído, fazendo com que eu chegasse a tempo (09:30).
Chegando lá, não pude tomar um café então escolhi um banco e fiquei esperando alguém chegar. Passa o tempo e exatamente as 10:06 chega os dois primeiros mochileiros: Guilherme GP e Moony. Guilherme cansado depois de ter emendado do show do Nazareth em Ponta Grossa chega com sua toalha branca, tão limpa que faz os olhos arderem (exagero, eu sei). Moony carregava uma toalha azul, pequena, mas isso não vem ao caso. Pouco a pouco começam a chegar todos: Luli com sua toalha roxa, comprada especialmente para o evento já arranja um canto para se encostar e quase tira um cochilo se não fosse minhas orelhas.

Luli, Santhyago e Moony

Logo depois, Luísa e sua toalha amarela chega meio que tímida, mas por pouco tempo, seguida de perto por Igor e sua toalha do Paraná clube. Na praça só chegou esse pessoal, enrolamos um pouco e lá pelas 11:00 saímos em direção ao Largo da Ordem, ode Luli havia dito que o homem estátua estaria com uma toalha também. Mas primeiro, uma pose pra foto, que não deu muito certo:

foto desáigner

Antes de sairmos, um cara chega com seu… acho que era um cachorro. Não podia perder essa oportunidade, então fui lá tirar uma foto com o animal:

“não morde não”

Existe uma outra versão dessa foto, mas eu estou meio EMO. Talvez um dia vocês a vejam. Andamos pelo largo por algum tempo em busca do cara, mas não o encontramos de jeito nenhum. Depois de algumas paradas em sebos estendidas no meio da rua e de pechinchar livros, seguimos rumo ao Mueller, onde esperávamos encontrar mais mochileiros.
Na praça de alimentação, juntamos algumas mesas e começa a difícil tarefa de escolher o que comer. Decidido que o alimento seria pizza, eu fui atrás de umas informações. Quando volto, todo mundo está rindo e olhando pro lado. Em uma mesa ao lado, uma senhora está sentada. Ao me sentar, me falam: “Ô Santhyago, tira uma foto lá dela!”. Como maior responsável (risadas livres) do grupo, fui lá. Ao me aproximar da mesa, rola um diálogo deveras diferente:
-Opa, será que eu p…
-Essa juventude sem respeito pelos mais velhos!
-Q?
-Esses jovens sem respeito, não conseguem ter respeito pelos mais velhos, ficam rindo da minha velhice e de minha deficiência, não tem respeito pelos outros!
-Como assim senhora? -Nessa parte eu já tinha puxado uma cadeira e me sentado.
-Ficam ali, rindo da deficiência alheia e da velhice, parece que não têm mãe, não respeitam ninguém, jovens assim têm que queimar no inferno!
– Entenda que a gente não estava rindo da senhora, a gente tá se reunindo pra comemorar algo e acredito que as risadas não sejam por sua causa.
-É bom mesmo, porque é só eu chamar os seguranças que eles expulsam vocês rápido daqui!
*chega a neta*
-Olha, eu estou aqui com minhas netas passando a tarde e não sou obrigada a aguentar isso… e olha só, ela chegou, pode voltar pra sua mesa?
-Ah sim, volto, mas quero te dizer que é só um mal entendido, nada de mais.
*olho pra neta dela*
-Olha, não é nada não, é só sua vó que achou que meus amigos estavam falando mal dela, ok?
– Ãhn, ok!
Volto pra mesa e me atualizo com o restante da história que havia perdido. De acordo com eles, Igor havia notado a semelhança da velha com uma personagem de familia dinossauros e compartilhado isso com os demais. Incomodada, a velha havia chamado todos pra briga, com o movimento de ombros e braços característico para tal atitude. Foi aí que eu cheguei. Não tirei uma foto da velha, mas digo que ela era IDÊNTICA a figura abaixo:

“Cadê o respeito desses jovens sem respeito?”

Passa o tempo, falamos besteiras, jogamos pega-varetas com alguns palitos de dente que eu havia roubado um pouco antes do lugar onde eu fui pedir a pizza que logo chega, momento que uso pra roubar pacotes de sal.
Devo admitir que foi um bom alimento, não sobrou nada pra contar história, apenas fotos:

Logo depois, chega Tita com sua toalha personalizada e um amigo do qual não me recordo o nome agora, que pareceu assustado, mas aos poucos se acostumou com o clima. Logo depois, seguimos até a ponte no estacionamento, coisa que eu não tinha visto por ali. Uma viagem de ida e volta, uns esporros de um segurança por terem sentado no corrimão, mas tudo bem. Um pouco depois, ao passar por um cartaz, não contive meus impulsos e tive que corrigir uma cagada:

No andar do cinema, aconteceu a galeria de fotos, que podem ser conferidas abaixo:

comofas o turbante, Santhyago?

Despedidas, cada um foi pra seu canto. Isso lá pelas 17:00, com planos pra todo mundo se juntar novamente. Mas é claro, isso é outra história…
Participou do dia da toalha? Tirou uma foto usando ela? Manda ela que eu coloco aqui. O e-mail é: santhyago@atoouefeito.com.br

A equipe do site mais quente da galáxia também tirou suas fotos, cada uma com seu estilo peculiar:

Para Bel, não digo nada, nem precisa
Atillah e seu modo exclusivo de usar uma toalha
O théo é tanga.
Nico, Acima da lei

Overdose Sci-Fi: Dia da Toalha

Livros segunda-feira, 19 de Maio de 2008 – 2 comentários

Bom, pra mim é meio difícil falar algo de novo sobre esse dia, então farei um esforço pra colocar algo original sobre isso aqui, ok?
Antes de tudo, vamos ao inicio de tudo, lá pelo longínquo ano de… 2001. Esse foi o ano que o autor de livros Douglas Adams resolveu fazer uma viagem pra um lugar que ele não poderia dar notícias. Ele havia batido as botas, abotoado o paletó de madeira, entrado em um sono eterno, virado futura comida de verme, essas coisas. Em resumo, ele MORREU.
Fãs de sua obra, a mundialmente conhecida trilogia de cinco livros O Mochileiro das Galáxias, ficaram tristes com sua morte; mas como ele tinha dedicado toda a sua vida a fazer todos os seus leitores rirem, foi decidido que esse dia não deveria ser um dia triste. Esses mesmos fãs, se baseando em uma das partes do livro, mais especificamente a parte que é dedicada a falar sobre as utilidades de uma toalha pra um mochileiro, resolveram fazer desse dia o chamado Dia da Toalha.
Apesar de Douglas Noel Adams ter morrido no dia 11 de maio, foi decidido que a comemoração deveria ser no dia 25 de maio. Essa foi a data que foi realizado o primeiro encontro entre fãs da obra e desde esse dia, todos os anos são realizados esses encontros. O porque dessa data continua ainda um mistério, pelo menos um mistério pra mim.
Nesse dia, todos os participantes carregam uma toalha. O estranho objeto é utilizado de diversas maneiras, que tentarei demonstrar a frente, com o melhor modelo fotográfico que meu dinheiro pode pagar:

ombro

No ombro: Maneira clássica de carregar. Simplesmente a jogue no ombro e a carregue por aí, usando ocasionalmente para limpar o suor, ou para utilizar rapidamente, caso seja desafiado para um duelo.

costas

Nas costas: Outra maneira que é bastante utilizada. Colocando ela por dentro da camiseta ou utilizando um alfinete para afixá-la, essa maneira é para quem quer se esquentar se está sem casaco, ou quer se mostrar superior.

turbante

Turbante: Acredito que isso não é muito usado, mas é sempre bom dar idéias de uso. Seja para afastar tentativas de lerem sua mente ou pra impedir que seu cabelo molhado respingue por aí, é uma outra maneira de usar.

máscara

Máscara: Boa maneira para aqueles dias em que está frio, e que aquele vento maldito insiste em te deixar com a cara congelada. Ou por caso você queira roubar uma loja de conveniências, nunca se sabe, não é?
Existem variações desses tipos de usar a toalha, mas não vou falar sobre elas aqui. O principal nesse dia é todos se reunirem, conversarem, tirar fotos, fazer novos amigos, essas coisas que sempre rolam normalmente por aí se você tem uma vida social normal. É claro, cada um com sua toalha.
Como disse logo no começo desse texto, esse encontro é feito em todo o mundo, e aqui no Brasil não será diferente. Diversas comunidades do orkut já estão se mobilizando e marcando encontros pelo Brasil inteiro. Uma busca pelo termo por lá retorna vários resultados de várias regiões. Se você é de uma dessas regiões, compareça com sua toalha e se divirta um pouco, o que você tem a perder?
Se quer mais informações desse dia, não deixe de conferir também o site oficial desse dia em inglês ou Português. Se perder esse ano e tem interesse em participar, é só esperar, ano que vem terá outro.
E só lembrando: o dia é 25 DE MAIO. Se te falaram que é outro dia, ignorem esse cara, porque ele está mais louco do que eu, o que não é algo muito bom. Se você participar de alguma reunião, entre em contato com a gente para que possamos divulgar as fotos das reuniões que foram feitas. Espero a participação de vocês e as fotos para que eu possa divulgar aqui mesmo. Para isso, envie ela para o endereço de e-mail que se encontra na parte de equipe, ou se você for muito preguiçoso, só copia daqui: santhyago@atoouefeito.com.br

Curiosos

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 14 de abril de 2008 – 5 comentários

Ok, antes de começar a falar o tema da coluna, vamos as respostas das citações da semana passada. A primeira, como devem saber, é do Guia do Mochileiro das Galáxias. A segunda, meio complicada, pois é uma citação de um livro de Tolkien, o Silmarillion. E a terceira, que se alguém acertasse eu prometi a mim mesmo que me transformaria em um monge, é do livro Hagakure, um livro japonês até que interessante, mas isso não vem ao caso. Agora que já dei as respostas, vamos começar a falar sobre o tema de hoje.
Sou um cara que anda muito de ônibus. Não preciso dirigir, ando de Mercedes todos os dias e sempre tem alguma garota bonita pra tentar paquerar. É claro, isso nos dias de calor, quando o ônibus parece um corredor de dormitório feminino com garotas de mini-saia, blusas transparentes, suadas, com os cabelos balançando de um lado para outro, tentando diminuir o calor…
CHEGA! Não é sobre isso hoje o tema da coluna. Isso que disse é nos dias de calor, nos dias que nem penso em tirar um livro da mochila, pois tem algo bem melhor para ver. Nos dias normais, quando todas estão com suas roupas comuns, que não chamam a atenção, eu pego um livro e começo a ler, tudo para enrolar a viagem. Não são poucas as vezes que, logo que faço isso, começam a olhar para mim. Antes que pensem que eu leio coisas pornográficas no ônibus, não é nada disso. É simplesmente o interesse de pessoas pelo alheio, pelo que os outros estão lendo mesmo. Mas eu já li umas TRIP quando comprava a algum tempo atrás e atraía olhares também.
O legal disso é o pessoal que se desdobra em quatro pra tentar descobrir o que está lendo. Já vi gente amarrando o sapato, arrumando as calças, ajeitando o cinto, pegando algo do chão ou somente entortando o pescoço até um ângulo estranho, só pra ver o título. Até aí, nada demais, afinal, só estão vendo o título. Mas, e quando você está sentado, e todo mundo se acotovela por todo o espaço a sua volta para ler junto?
Quando se está a ler um jornal, acho normal isso, até porque o jornal é composto por notas curtas, nada que tome muito da atenção de quem está lendo e de quem está só de curioso por cima do ombro alheio. Se a notícia que estava lendo passou muito rápido, ou a pessoa ignora e continua a ler junto, ou pula que nem um louco pedindo pra voltar a página pra terminar de ler. Já presenciei essas duas cenas e, acredite, é algo estranho demais ver isso.
Mas isso é com jornal. Com livros a coisa fica um pouco diferente. Se você está lendo Crime e Castigo, a chance de alguém se interessar pelo que você está lendo é bem pouca, mas se a sua leitura for algo como Comédias da vida privada, se prepare, pois o público será grande. Quando li esse no ônibus, chegou a ter TRÊS pessoas lendo comigo: a pessoa do meu lado sentada, e duas outras que estavam próximas. Eu leio rápido, então foi uma boa experiência ver todos eles se matando para ler tão rápido quanto eu, para poderem terminar a página antes de eu a virar. Isso não acontece só em ônibus, acontece também em filas, como uma que tive de enfrentar a algumas semanas. Estava eu lendo Histórias Extraordinárias todo concentrado, quando uma cabeça fica entre eu e o livro e fica olhando por uns 2 segundos. Logo depois, se vira pra mim uma senhora e com um sorriso na cara, pergunta: “o que você está lendo?“. Viro a capa e mostro pra ela, que responde: “ah sim, interessante…” e continua do meu lado. Ela falou algumas coisas que ignorei depois disso, mas essa foi a situação que um curioso me impressionou.
Outra foi em um curso, em que eu estava lendo um livro de português, matéria de colégio mesmo. Estava pra virar a página, quando uma caneta vem do NADA, e me impede de virar a página. Na ponta dela, tem uma mão, e um cara com um par de óculos na ponta do nariz, se inclinando perigosamente em direção ao chão. Eu paro de tentar virar a página, e deixo ele terminar. “Desculpa, é que isso eu não sabia, hehe!” e dá aqueles sorrisos que tenho vontade de arrebentar uma viga só pra tirar ele da cara. No livro, a mancha azul da caneta dele e a marca de onde ele apertou pra impedir que eu virasse a página ainda estão lá, não consegui tirar até hoje. Mas isso é paranóia minha com a conservação de meus livros, assunto pra outra coluna.

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