Revelação (What Lies Beneath)

Num domingo frio e chuvoso eu fiz o que um cinéfilo que se preze deveria fazer: busquei um filme de suspense que eu ainda não tinha assistido (muito embora eu tenha um fetiche quase inexplicável por reassistir filmes antigos). Acabei caindo em Revelação, do diretor Robert Zemeckis, o que por si só deveria ser o suficiente para me convencer. Zemeckis dirigiu obras como De Volta para O Futuro, Náufrago, Forrest Gump, A Morte Lhe Cai Bem e Contato. Só a nata mesmo. Resultado? Altas expectativas. E como a gente já sabe, a expectativa é essa grandessíssima filha da puta que adora colocar água no seu chopp.
O filme conta a história de Claire Spencer (Michelle Pfeiffer), uma mulher que começa a perceber eventos estranhos em sua casa após a filha ir para a faculdade. Entre aparições, sons e visões, ela passa a suspeitar que há algo sobrenatural, porém, existem fatos sobre sua própria vida que ela desconhece e precisa agora encarar.

Posso começar minha lamúria pelo simples fato de a sinopse da plataforma de streaming conter um maldito spoiler absurdo? Juro. QUEM FAZ ESSAS SINOPSES? O ChatGPT faria melhor. Eu não vou te decepcionar desse jeito, mas acho importante que você saiba e tente não ler antes de dar o play. Muito embora, não ache que isso vai resolver completamente a sua vida, afinal, o filme é sim bastante previsível, principalmente se você já assistiu filmes com a mesma premissa (poucos anos depois o diretor trabalhou em Na Companhia do Medo, que é um irmão gêmeo um tico mais moderno).
Para ser justa, nem tudo é ruim. Algumas boas tomadas me deixaram feliz, como espelhamentos inteligentes, closes bem pensados e a crescente paranoia de Claire. Também preciso parabenizar, sim, alguns (parcos) jump scares e a cena da banheira que me deixou com falta de ar. Gosto muito também da atuação da Michelle Pfeiffer, especialmente bela nesse filme, e que consegue transmitir com maestria sua desorientação nas cenas de terapia.

A vibe anos 90 da filmagem também me agrada, a iluminação pré-Netflix é bastante característica e me gerou saudosismo. Mas, de toda forma, existem alguns exageros narrativos que não me descem. Soluções convenientes e cenas excessivamente didáticas – daquelas que já te fazem imaginar por que foram plantadas ali – minguaram (e muito) o meu carisma. Também acho que o filme se estende demais e poderia ser editado para os clássicos 90 minutos, sem prejuízo algum do resultado final.
Harisson Ford como o marido da protagonista nada mais é, pra mim, do que um Han Solo que envelheceu e foi para o outro lado da força (Deus, me perdoe por essa blasfêmia!). Eu peguei um pouco de birra do tom sempre desinteressado, com um quê de gaslighting que parece contaminar todas as suas atuações, apesar de ser muito fã de Star Wars.

Terminei o longa com uma desagradável sensação de déjà vu, mas não completamente injuriada. Tenho até agora certa dificuldade de avaliar se indico ou não que você assista. Acho que ele pode ser interessante se você não costuma assistir suspenses e se quer algo mais leve do que um terror (com uma pitada de drama). Agora se você já é cinéfilo e tem coisas melhores no currículo, volte algumas casas e leia meus textos anteriores, você vai encontrar excelentes pérolas para dias chuvosos. Ou acompanhe minha próxima resenha de um filme do Zemeckis que sai na semana que vem – esse sim, uma ótima pedida!
Revelação
What Lies Beneath (130 minutos – Suspense)
Lançamento: EUA, 2000.
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Clark Gregg
Elenco: Michelle Pfeiffer, Harrison Ford
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terça-feira, 12 de maio de 2026 
