Recomendo: Os Espiões (Luis Fernando Verissimo)

Analfabetismo Funcional terça-feira, 07 de setembro de 2010

Luis Fernando Verissimo (sem acento mesmo) é um popular autor brasileiro, consagrado pelos seus pequenos e bem-humorados contos e crônicas, reunidos em livros como As mentiras que os homens contam, Comédias para se Ler na Escola, O Analista de Bagé e Comédias da Vida Privada. Não chegou a lançar muitos romances, tendo ganhado maior reconhecimento apenas com Gula – O clube dos Anjos, integrante de uma excelente série de 7 livros, escritos por autores diferentes, um para cada pecado capital. Assim, para mim, Verissimo era um excelente contista/cronista, sem vocação para romances.

Ledo engano. Se ele escreve excelentes contos, por que não poderia escrever romances tão bons quanto? A propósito, há contos muito mais elaborados que muito romancezinho-de-caninos-afiados-e-sanguinolentos por aí. Enfim fui presenteado com um romance de Luis Fernando Verissimo, surpreendi-me, devorei-o e agora recomendo-o.

Os Espiões é uma obra divertida e bem-humorada (como não poderia ser diferente), com um enredo, digamos muito bem-bolado, temperado com pitadas de filosofia de bar (literalmente), romances platônicos, mitologia grega, suspense, e com sabor de livros policiais. O personagem principal é um amargurado de meia idade, que trabalha numa editora fazendo uma espécie de triagem dos textos eventualmente publicáveis. Certo dia, sua rotina é modificada com a chegada de uma carta, acompanhada com o primeiro capítulo de uma obra de confissões intitulada Ariadne.

Em breve e mal-acabado resumo, Ariadne era filha do mitológico rei de Creta, Minos, e ajudou seu amado Teseu a sair do labirinto onde vivia o Minotauro. A princesinha teve a brilhante e simples ideia de dar um novelo de lã para que Teseu voltasse pelo caminho que havia entrado no labirinto (Acho que os Irmãos Grimm adaptaram essa ideia em João e Maria). Há duas versões para o final do mito. Na primeira versão, Teseu abandona Ariadne e esta suicida-se. Na outra versão, não há suicídio, mas sim salvação: Dionísio aparece na jogada e casa-se com a rejeitada.

Voltando ao livro, na carta recebida pelo protagonista, Ariadne avisa que vai contar toda sua história e, ao final, vai cometer o suicídio. Tudo fascina na história, que a bela Ariadne passa a mandar semanalmente. Os colegas de bar do protagonista passam a se envolver no enredo até o ponto que concluem pela necessidade de salvar Ariadne no eminente suicídio:

A literatura de Ariadne era um apelo a Dionísio, qualquer Dionísio, inclusive um de meia-idade com cirrose incipiente, para salvá-la do seu passado ou mudar o seu destino.

A partir daí, deflagra-se a Operação Teseu e momentos cômicos e trágicos se intercalam no desenrolar do romance. Leitura rápida, amena e prazerosa. Ótima opção para presente ou para quem está com pouco tempo. A propósito, esse livro acabou de ser indicado entre os finalistas para o Prêmio Jabuti.

Os Espiões (Luis Fernando Verissimo)


Ano de Edição: 2010
Autor: Luis Fernando Verissimo
Número de Páginas: 142
Editora: Alfaguara

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  • João Pedro

    Os espiões é ótimo. mas o meu preferido dele é jardim do diabo, o primeiro dele. ESpetacular, leia se puder.

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