Propagandas e beijo sabor chocolate

Televisão terça-feira, 25 de março de 2014

De tempos em temos nos deparamos com algum comercial realmente bom. “Bom”, não bem sucedido: A propaganda da Fiat, por exemplo, com a música d’O Rappa, passou de campanha vai ter copa de futebol pra tema de protesto político. Como expressão popular ela foi bem, mas como propaganda foi um puta fracasso. Vem pra rua junto.

Esses 0:41 aí

Todo ano campanhas são premiadas e aplaudidas, mas, verdade seja dita, isso não significa que elas tenham dado certo. Veja esta lista: Sazón, Bombril, Casas Bahia, Brahma, Dolly. A menos que você tenha passado os últimos vinte anos em coma, tenho certeza que lembrou de amor, de um careca, do quanto você quer pagar, do Zeca Pagodinho e do seu (O seu, não do Zeca) amiguinho. O capitalismo está mais embrenhado no seu cérebro do que vocês pensam.

Acreditem, há muito mais técnica, estudo, pesquisa, inteligência e planejamento no marketing e na publicidade do que esse bando de graduandos fazem parecer. Dá pra falar isso sobre tudo quanto é coisa em humanas aliás.

 Você está velho.

Um livro ou um filme podem mudar sua vida. Até uma novela pode, mesmo ela mostrando uma versão mais coxinha bunda mole do dia-a-dia de todo mundo. Um livro tem 300 páginas, um filme, duas horas, e uma novela dura meses e meses. Não importa o quanto você a odeie, a Open English está gravada para sempre na sua mente. E ela fez isso em 30 segundos.

Pessoalmente, a genialidade da fatídica “PP” é vencida apenas pelo seu cinismo inerente. Se você se esquecer de que tudo, absolutamente tudo, é um produto, você perdeu. Las Vegas é, provavelmente, o maior símbolo mundial do consumo de ideias vendidas. Essa é a palavra chave: Ideia. “Produto” é a chave. E, claro, todo produto precisa de clientes.

Já pensaram no quão incrível algumas propagandas da Coca-Cola são? No quanto – essa é pros mais velhos – as companhias de cigarro gastavam por cada tomada de cada gravação? Notaram que, nos últimos anos, as propagandas de carro estão ficando cada vez mais produzidas? Sou capaz de apostar que você já aplaudiu Johnnie Walker e se sentiu inspirado à praticar esportes pela Nike. Durex é marca, Catupiry também, e nos EUA sunga é Speedo.

Nos últimos tempos venho pensando no histórico de algumas marcas. Nada específico, mas me lembro de campanhas anteriores delas, e é interessante notar como, com o passar dos anos, as marcas defendem algumas ideias e depois as largam. Faz completo sentido, afinal, campanhas terminar e novas são criadas, só que, analisando os registros, fica nítido o quão volúvel é a coisa toda.

Sabem o que me mata? Moletons da Oakley. Ou da Mormaii, DC (Sim, vou deixar a piada passar), GAP, Billabong e tantas outras. Mochilas com Adidas cobrindo a lateral toda… Não dá pra negar a relação da publicidade com a ostentação de marca, seja com o funk, no rap ou na “bitch music”, vocês sabem, bling, bolsas Dolce & Gabbana e reality shows com um monte de peruas. Ainda sim, o ponto não é quem usa, mas o que usa: Não há problema em estampar sua marca no seu produto, mas a partir do momento em que você torna seu cliente (Que, por definição, já é idiota) um outdoor eu tenho um problema com isso. Um grande problema. Mas não com a marca, com o cliente.

Esta, talvez seja uma das maiores sacadas: Compra quem quer. E a compra é o apoio, a compactuação. Não importa se a desculpa é parecer legal pra galera ou o câncer de mama. A venda está acima de tudo, independente de ideias, valores, moral, leis, ética, política, opinião de funcionários (Da marca e da agência que fez a campanha) e do impacto ambiental do produto. Pode-se, e deve-se, fazer tudo pelo lucro, caso contrário não há porque ter empresa.

Vocês percebem que tudo que eu disse até agora soa como um ataque, ainda que com concessões, ao capitalismo? Pois acreditem, não é. A noção de que, em busca do lucro, há a exposição e defesa de conceitos, todos devidamente ajustados às necessidades de um produto, é, para mim, simplesmente incrível. Vou lhes dizer com toda sinceridade: O capitalismo, mesmo decadente e depois de ter falhado é, como objeto de estudo, muito mais fascinante que a utopia do socialismo.

 Perdeu, preyboy.

E assim voltamos ao começo: A propaganda é uma das bases do maior sistema econômico já criado e posto em prática. Sendo babaca nas perguntas, alguém aqui acha que o nazismo teria chego onde chegou sem o Goebbels? Ou que as eleições seriam bem sucedidas? Você consumiria o que consome se só conhecesse o produto na hora de comprá-lo? Não é retórica, é sério: Sua vida, nossa vida, seria completamente diferente.

Propagandas custa caro. Para fazer, para criar e ainda mais para serem veiculadas, e não é à toa. Cada vez que você compra alguma coisa você compra uma ideia, você suporta uma causa: O produto vem de brinde (Com o valor embutido, obviamente). E na verdade não importa se a ideia é verdade ou mentira, só importa o preço que você paga.

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