Onde Os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Man)

Cinema sábado, 27 de março de 2010

A minha proposta inicial era escrever sobre Barton Fink, Delírios de Hollywood, também dos Irmãos Coen, quando por coincidência no texto do vassourada surgiu uma discussão de alguns noobs falando que o filme em questão é FRAQUÍSSIMO. Como minha função aqui nessa bodega é ajudar a vocês, noobs, a enxergar como alguns filmes bons passam batidos (Por vocês, idiotas, o filme ganhou 4 Oscars sendo de Diretor, Roteiro Adaptado, Filme e Ator Coadjuvante), me senti na obrigação de escrever esse texto.

Onde Os Fracos Não Têm Vez (Irmãos Coen, 2007)


Sinopse: Moss encontra um cenário incomum no deserto, uma picape com drogas, dinheiro e cadáveres. Tomando a maleta recheada de notas pra si, começa a ser perseguido por um psicopata o qual inicia uma cadeia de violência.

O filme tem seu início quando um policial de uma pequena cidade do Texas faz uma ligação contando sobre a captura de um criminoso um tanto quanto excêntrico: Além de um cabelo esquisitíssimo ele carregava consigo um tubo de oxigênio. O prisioneiro consegue fugir e ainda rouba o carro da polícia. Então somos apresentados a outro personagem principal da trama, Llewelyn Moss, o homem que durante uma caçada encontra uma caminhonete carregada de heroína, vários homens mortos e uma maleta com 2 milhões de dólares. Ele vê que como estão todos mortos não a problema algum ficar com o dinheiro, para, pega a mala e vai embora.

No meio da noite, o noob cara fica com remorcinho de um cara que já tava mais pra lá do que pra cá e resolve ir levar aguinha pra ele. Claro que a essa altura a galera já deve saber que o pau vai quebrar. E quebra mesmo. Uma galera aparece exatamente quando Moss tá lá no lugar da carnificina, então ele foge com a mala e deixa a caminhonete ali mesmo. Quando o cara de cabelo esquisito vai pegar a grana dele no lugar que o pau quebrou, cadê a grana? Sumiu! E só tem uma caminhonete.

 Esse cara de cabelo feio é MUITO mal

Moss é um cara durão, e ele não vai querer devolver o din-din. Daí começa a melhor parte do filme: A perseguição. Paralelo a história contada acima, o xerife da cidade tenta decifrar e entender as mortes que estão ocorrendo, passivamente e não querendo muito se envolver, até perceber que Moss está encrencado. Contar mais sobre o filme daqui para frente é fazer spoiler, seria sacanagem com quem não viu o filme.

Os irmãos Coen tem uma fórmula muito legal de fazer seus filmes, conseguem mesclar situações inusitadas de humor negro (Quase sempre relacionadas com mortes) e diálogos que são as críticas deles a alguma situação. Em Fargo, por exemplo, o humor negro está na má arquitetização do plano do vendedor de carros e na banalização da violência, fazendo com que assassinatos nos pareçam atos corriqueiros. Aqui, em Onde Os Fracos Não Têm Vez essa banalização chega ao extremo, Chigurh é um assassino que mata pra depois perguntar, qualquer um no caminho dele vira presunto. Se ele for muito com a sua cara, decide no cara ou coroa se você vive ou morre, ou por exemplo, se ele precisar pegar alguma coisa em uma farmácia ele simplesmente explode um carro para desviar a atenção.

A parte crítica está quase sempre presente nos diálogos (Ouso até dizer, nos diálogos finais), em Fargo percebido na conversa da delegada com o preso e em Onde Os Fracos Não Têm Vez no diálogo do xerife com sua esposa (Em todos os diálogos do xerife, o xerife É a crítica do filme). Mas o filme é muito bom em vários outros aspectos. Os Irmãos Coen têm total controle desde a construção, como por exemplo, o já citado cabelo esquisito, o que serve para mostrar que o sujeito é alguém bastante estranho ou no vilão com código de conduta e o “mocinho” sem; até a direção dos atores, todos em ótimas performaces.

A Fotografia também faz valer sua citação. Eles conseguem sempre diversificar as paisagens, a escura Los Angeles de Barton Fink, a clara e gelada Minesotta de Fargo e aqui a belíssima, amarelada e seca do Texas.

Bom, depois desse desabafo texto espero que os noobs que falaram mal desse exemplo de como fazer um bom filme o assistam de novo, prestando atenção em tudo o que foi falado aqui. Se não, já está comprovado que vocês não sabem nada de cinema e merecem morrer..

Onde Os Fracos Não Têm Vez

No Country For Old Man (122 minutos – Policial)
Lançamento: EUA, 2007
Direção: Joel Coen, Ethan Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Cormac McCarthy
Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harrelson, Josh Brolin, Stephen Roots

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • Cara.

    simplesmente não concordo com o fato de você considerar que, aqueles que tem uma visão e opinião diferente da sua sobre um filme, são noobs.

    um filme, um livro, uma música, são obras, e nenhuma obra está acabada em si própria ou na leitura de uma única pessoa.

    Infelizmente, “Onde os Fracos não tem Vez” é o pior filme dos Irmãos Coen.

    #Fato!

  • Cara, vc ainda não se acostumou com tdo mundo chamando todo mundo de noob aqui no Bacon?

    E na sua opinião é o pior, e na minha é o segundo melhor! #FATO

  • @charlescfaria
    Cara, cê diz que opinião não se julga, e logo em seguida, fala que o filme é o pior dos caras, o que, no caso é só a sua opinião. Ou seja: Noob.

  • @boa Pizurk

  • @Pizurk e @yuri

    no caso vivemos em um espaço-tempo de noobagem infinita e constante.

    ecos de um estado que vai se repetir para sempre, dentro de cada opinião.

    ‘o.O’

  • @charlescfaria
    Não, já que no caso cê propaga que opiniões são divergentes, mas em seguida “encerra” alegando que a sua é absoluta. E isso é noobagem. Admita suas derrotas, e aprenda com elas. E sim, eu gosto de filosofia de samurai. Ou buteco, depende do ponto de vista.

    E todo mundo que lê o Bacon é noob. Cê é leitor, então é noob. O fato de ter digivoluido não te faz deixar de ser leitor.

  • lol

    tudo é um ponto de vista, se uma pessoa mesmo não entendendo algo, não gosta, ela tem o direito de não gostar, você expressa tanto desrespeito pelos leitores ao opinar que a impressão que da é que vc vomita palavras, e me desculpe, é apenas minha opinião, seu noob

  • sofia martínez

    Filme magnífico. Pessoalmente, penso que os irmãos Coen conseguiram uma adaptação muito fiel, mas com este filme, há um paradoxo na sua construção na relação entre forma e substância que faz com que parece uma fita aparente muito simples para o seu enredo, que parece que não diz nada e até mesmo a sua história é um pouco confuso, mas não por isso se torna uma obra-prima que gere a linguagem cinematográfica com perfeição. Além do elenco é de luxo, Tommy Lee Jones, Javier Bardem e Kelly Macdonald que era digno de prêmio SAG por sua grande desepemeño neste filme.

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