O Homem do Castelo Alto (Philip K. Dick)

Livros sexta-feira, 28 de março de 2008

SCI-FI
Minha defesa á Ficção Científica já deve estar cansativa, repetitiva até.
Como já disse: nada de espaçonaves ou heróis intergalácticos. Eu falo de gente comum. Como eu. Como você. Somente aí a ficção científica pode funcionar. Somente aí, como alguns diriam, o romance deixa de ser uma previsão desconfigurada do futuro, e torna-se um aditivo á própria realidade. Ao presente. Um presente exagerado, onde nossos defeitos, nossos problemas, e principalmente nossas neuroses tornam-se evidentes.
O real é surreal demais.

O Homem do Castelo Alto é assim. Um soco no seu estômago. Um tapa na sua cara.
O livro, escrito no começo dos anos 60, foge do padrão de Philip K. Dick. Ao contrário da maioria de seus contos e romances, a história passa-se também na década de 60. No presente. Mas em outra realidade.
O Eixo ganhou a Segunda Guerra. O mundo agora é dividido pela influência da Alemanha e do Japão, os novos senhores do planeta. Os próprios Estados Unidos não existem mais como país unificado, tornaram-se três estados separados: ao Oeste a região controlada pelos japoneses; ao Centro (chamado de Rocky Mountain States) uma área indepedente; e ao Leste, em nossa querida Nova York, uma região governada pelos nazistas.

nazis1.JPG

Ah sim, os nazistas. Não se trata de simples fascismo, esse nazismo. Politicamente muito próximo, você aprende a considerar com um simples regime de direita. Mas não é esse o ponto em nosso livrinho. O ponto é a Megalomania, a Loucura da Raça Ariana. Os judeus estão praticamente extintos, os poucos sobreviventes escondem-se com sobrenomes falsos e operações plásticas. A Ífrica foi dizimada, fim dos negros. Os restantes são Escravos nas regiões controladas pelo Terceiro Reich. Já há tecnologia suficiente para ir a Marte, para se viajar de Berlim a São Francisco em Meia Hora. No entanto….não existe televisão. O mundo evoluiu de forma diferente, a Alemanha controla o lobby mundial de plástico e todos os seus derivados. Uma tecnologia megalomaníaca de plástico.

Nos é dado apenas um relance, um pequeno piscar de olhos, dessa nova realidade maluca. Através das pequenas histórias de diversos personagens comuns, entendemos aos poucos o Terror do dia-a-dia num mundo em que o Nazismo é a Regra.
Um judeu designer; o dono de uma loja de antigüidades americanas (linda ironia, os japoneses colecionam antigüidades da cultura americana exatamente da mesma forma como nos sentimos atraídos por espadas samurais em nosso mundo); um importante executivo japonês, chefe de departamento do governo nipônico; um suspeito mercador de borracha da Suécia; uma professora de judô. Todas essas histórias se entrelaçam, conectam-se de forma a criar uma rede de acontecimentos.

E, claro, o ponto alto do romance, a maestria de Philiph K. Dick: The Grasshopper Lies Heavy.
O romance dentro do romance. Um obscuro escritor de ficção científica lança um história, banida nas áreas de influência nazista, sobre uma realidade alternativa, em que os Aliados teriam vencido a Guerra…

Considerado um dos melhores romances de K. Dick, O Homem do Castelo Alto nos oferece uma obscura visão da realidade enquanto torna evidente a catástrofe, única possibilidade de resultado com uma união tão estranha: Uma cultura oriental milenar, influenciada constantemente pelo Taoísmo, Budismo e Xintoísmo…dividindo o mundo de forma “amigável” com o Terceiro Reich, a cultura da Supremacia Branca, a Megalomania, a Pura Maldade SS.
Isso Faz Sentido?

Homem do Castelo Alto, O


Título original: Man In The High Castle, The
Ano de Edição: 2007
Autor: Dick, Philip K.
Número de Páginas: 304
Editora:Editora Aleph

Leia mais em: , , , , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Eu tenho esse livro, mas ele veio com um problema. Tem umas 30 páginas a menos nele, porque eu me nego a acreditar que o final seja aquela coisa medonha que veio na minha edição.

  • Leef

    “os judeus estão praticamente instintos”

    extintos meu rapaz, extintos

  • Friederichs

    Nunca li. Mas pelo que foi falado, uma suposta e distante realidade, não é assim tão distante.
    Se mudarmos alguns nomes, algumas coisas, chegamos a nossa triste realidade.

    o obscuro romance talvez seja , para os dias de hoje, apenas um retrato feito por Dali

  • thiago

    Eric, o final É uma coisa medonha.

    E porra, trocar instintos por extintos foi foda…

  • Olaf

    o livro me interessou, e instintos foi a parte comédia no texto, esse povo não tem senso de humor mesmo!

  • thiago

    O “instintos” foi recurso poético. Foda viu, ninguém entende de arte aqui…

  • eric

    Putz, acho que eu fui a primeira pessoa a ler e nem reparei no “instintos”

  • DAWN

    Nem sei o que dizer

  • Li esse livro nas férias de janeiro/2008. O mais curioso foi ter lido “ao mesmo tempo” A Bússola de Ouro (e a seguir os outros dois: “A faca sutil” e “a luneta âmbar”) e constatar a importância do I Ching em ambas as obras. Siniiiiiiiistro!

  • lol

    Faz.

  • Ah o final é foda, vocês que são burros.

  • Penso que apenas Philip K Dick sabia escrever com maestria sobre política, filosofia e ficção científica ao mesmo tempo.

busca

confira

quem?

baconfrito