O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

Cinema terça-feira, 24 de março de 2015

 O Grande Hotel Budapeste conta as aventuras de Gustave H. (Ralph Fiennes), o lendário gerente do famoso hotel europeu no período entre guerras, e Zero Moustafa (Tony Revolori), o mensageiro do hotel, que se torna seu mais confiável amigo. A história envolve o roubo e a recuperação de um famoso quadro renascentista e a batalha por uma enorme herança de família – tudo durante as repentinas e dramáticas mudanças no continente.

A primeira vez que vi alguma coisa sobre esse filme, creio que foi numa rara propaganda na TV (Aliás, as propagandas de filmes estão cada vez piores), achei interessante: A história de um hotel e seus hóspedes, tipo numa coletânea de curtas, que acabam por formar a história completa… Assim eu achava. Acabou que o filme conta uma história só, com um monte de gente passando rapidamente pelas laterais, meio que de enfeite… Sei que gostaria de ver o filme que eu tinha achado que este era, mas devo admitir que gostei de assisti-lo do jeito que é.

Vamos tirar algumas coisas da frente logo de cara: Sim, tem toda uma aura hipster/cult/mamãe-eu-quero em volta desse filme. Sim, ele ganhou vários Oscars (Oscares?) e isso deixou uma galerinha fazendo bico. Sim, o pôster do filme é horrível, mesmo fazendo sentido. E sim, aquela chave só está alí por falta de um nome minimamente importante no elenco. Pois bem, agora vamos ao resto.

Caguei pro Wes Anderson, diretor do troço. Caguei pra ele e pra mania inútil de fazer tomadas e fotografia simétricas. É legal ver que acontece no filme todo? É, dá pra tirar alguma diversão de ver como a coisa foi feita, mas só, não vale pra mais nada.

O resto do filme: A história é dividida em cinco partes, mais prólogo e epílogo. A história é contínua, e a divisão é quase que formalidade, só pra dar aquela cara de que cada parte do filme é um capítulo do livro: O filme começa e termina com uma garota lendo o livro do autor para quem a história do filme é contada. Em suma, o prólogo e o epílogo se passam no “presente”, em 1985, narrando a narrativa que foi narrada em 1968, sobre eventos ocorridos a partir de 1932. Parece complicado mas não é, o resto é todo linear.

 Viu só? Simétrico.

A história em si é sobre Gustave H., gerente do hotel, que para um bom e respeitoso homem seria imediatamente taxado de salafrário filho da puta, sempre às voltas das velhotas ricas, deus abençoe o leite em pó. Seja como for, ele contrata Zero, um imigrante que quer trabalhar no hotel. Tudo muito bom, tudo muito bonito, até que uma das velhotas morre, deixa uma herança gigante, a família surge dos bueiros feitos ratos e Gustave, claro, não quer ficar pra trás, já que quer um quadro horrível sobre um garoto com uma maçã. E a coisa segue daí, com Gustave e Zero roubando o quadro, e tendo de lidar com as consequências disso.

A coisa toda beira um surrealismo absurdo, da história ao visual, do vestuário à saturação de cores. O Grande Hotel Budapeste parece uma versão de época de The Middle.

Aliás, como já disse alí em cima, um dos pontos principais do filme é a pura exibição babaca: Basta ver a quantidade de gente que participou do filme. Sério, o elenco é gigantesco, e o mais incrível é que tem gente boa pra caralho no meio dessa bagunça, e que se tem dez minutos de tela, é muito. Dá pra passar o filme todo caçando a participação de alguém famoso. Dá certo, há de se admitir, as atuações são incríveis, e se todos os filmes fossem assim, seria foda pra caralho, mas não deixa de ser um certo desperdício…

Com toda a sua estética própria, a coisa mais legal no filme são os trechos que usam animação e outras formas “manuais” (Tem aqui uma entrevista com o supervisor dos efeitos, vale ler). Sim, o filme todo é um festival chamativo de efeitos visuais, mas o analógico é o mais legal, primeiro porque é real, segundo porque cada vez é mais raro de se ver no cinema e terceiro porque faz mais pela ambientação do filme que os uniformes roxos.

Então, você deve ver o filme? Sim, você deve.

Esqueça os atores, os prêmios, o diretor, o visual e absolutamente tudo que já te falaram sobre o filme antes, o que importa é isso aqui: É um filme de comédia, por mais que não pareça, e você vai se divertir. As piadas são boas, tanto as grande e óbvias quanto as pequenas; as situações absurdas acertam no ponto entre o possível e o impossível; e ainda que toda a parte técnica contribua para fazer do filme o que ele é, são os personagens, suas ações e particularidades, que fazem o filme valer à pena.

O Grande Hotel Budapeste é o tipo de filme que você pode assistir com um caderno de notas do lado, fazendo mini-discursos para você mesmo de como um filme é executado, ou, pode sentar com a família e os amigos do lado (Desde que estes não sejam do tipo mala anteriormente descrito) e gastar bem umas duas horas da sua vida. A escolha é sua.

O Grande Hotel Budapeste

The Grand Budapest Hotel (99 minutos – Comédia)
Lançamento: EUA, Alemanha, Inglaterra, 2014
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Hugo Guinness (Baseado na obra de Stefan Zweig)
Elenco: Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Owen Wilson e Tony Revolori e Léa Seydoux

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