Na minha época (Era pior mais tá bão)

Games segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Tem alguma coisa interessante em não poder jogar as coisas mais recentes. Além da manifestação óbvia da falta de recursos financeiros, seja para os jogos em si seja para os aparelhos que os rodarão, há também aquela parte do ser humano que aprende mais com a repetição que com a novidade (Tenho certeza que escrevi sobre isso em algum lugar achei), e isso significa dizer que você acaba por aproveitar mais o que tem do que as pessoas que as tem também, mas já passaram pra próxima.

Meu bom e velho PlayStation 2 está parado há mais de ano: Ele ainda guenta horas de jogatina e tal, mas cada loading é uma batalha, é raro ele reconhecer os jogos de primeira e, de forma geral, qualquer sonzinho diferente que ele faça já me assusta: Lá se vão dez anos desde que o ganhei, e ele já passou por quedas, batidas, destravamentos, limpezas, coolers e tantas outras coisas. É verdade que teve uma vida relativamente fácil se comparado à outros consoles, mas não quer dizer que está tudo bem… Naquela fatídica noite de Natal, mal imaginava eu, enquanto jogava GTA San Andreas, que em uma década meu videogame já teria passado por tanta coisa e já estaria largado há tanto tempo.

Meu computador, por outro lado, continua na ativa, e já está indo pro seu sexto ano: Ele sofreu muito mais que o console, mas está em melhor estado. É verdade que ele trava mais do que deveria, que aquece bastante, que já passou por formatação, limpeza e o escambau: Meu computador é, nesses últimos anos, minha plataforma para jogos. Skyrim é a coisa mais pesada nele aqui, sendo que sequer chega perto de rodar com as coisas no máximo, mas me garante horas de diversão e entretenimento a cada tantos dias.

Meu celular está indo pra quatro anos. Nunca foi tão potente, mas se vira bem com jogos mais casuais: Pra jogar a sério, mobile e portátil nenhum substitui o teclado ou o controle. Dos três, o celular é o que está em melhor estado, mas o mundo da tecnologia é insensível, e um troço com essa idade já é quase uma relíquia… Exceto iPhone, que a galera compra velho mesmo (Ainda paga caro pra caralho) e se acha foda por isso.

Seja como for, minha vida no mundo dos jogos parou há cerca de 3 anos atrás: Nada que eu tenha jogado nos últimos tempos foi no lançamento ou pouco depois… A única exceção deve ser Tomb Raider. Aliando a falta de tempo com a falta de recursos pra jogar e a tristíssima situação em que ainda me encontro, temos como resultado a realidade que eu acabo por conhecer muito bem os pouquíssimos jogos que acabo jogando… Ultimamente essa lista inclui Dino Hunter, no celular, e Skyrim… O PS 2 tá em casa. Até mesmo os joguinhos estão ficando de lado.

 Tá pra nascer gente mais comprometida com o humor autodepreciativo que eu.

Hitman: Blood Money? Manjo pra caralho. Os Tomb Raider de PS 2? Zerei tudo. Flash Sonic? Bike Mania? Billiards? Centenas de horas dedicadas entre os três. Já baixei, testei e deletei algumas dezenas de jogos no celular. Anos entre o Virtual Boy Advance, Project64 e tentativas falhas no ePSXe. Terminei mais jogos da minha infância depois de velho que na época que os jogava mesmo. Lembro de códigos e passwords de vários dos jogos que já joguei, e em plena década de 2010 fui atrás de um GameShark por causa de save corromper meu Memory Card.

Não estou chorando por causa de nada disso, o ponto é um só: A gigantesca maioria das pessoas não passa por nada disso atualmente. Alguns desistiram dos jogos, outros seguiram o avanço da tecnologia e outros ainda deram o foda-se e voltaram pras plataformas e jogos mais antigos. Vocês tem noção de que uns anos atrás era possível comprar um Mega Drive com jogos, acessórios e tudo mais por 50 pila e que hoje não se acha por menos de 150? Aliás, nunca gostei do simulador do Mega Drive.

A verdade é que mesmo se eu tivesse novos consoles, portáteis ou um computador, não teria tempo de jogar nada, pra não falar no preço dos jogos, das assinaturas online, de atualizações e tudo mais… Algo primordial pra raquítica jogatina atual é abrir o jogo e jogar, sem instalações, grandes loadings, criar personagem, acertar contraste, logar em conta, atualizações, xXxSephirothxXx está online e muito menos conectividade com redes sociais, serviços de streaming, Netflix e interagir com meu avatar.

É claro que eu gostaria de acompanhar o mercado, jogar os lançamentos que me interessassem e poder interagir de forma ainda mais imersiva nos jogos, mas, ao mesmo tempo, as velharias que eu jogo são mais o meu perfil de jogo do que os atuais.

Eu conheço estes jogos, sei onde vai ter tela de loading e onde estão os personagens e itens que preciso, sei como executar uma tarefa, como jogar pra obter os resultados desejados e, mais importante ainda, qual vai ser a experiência que vou tirar deles. Não tenho tempo, vontade e dinheiro para novas experiências.

Talvez o que eu esteja tentando dizer aqui (E viva perdendo o foco) é que o pouco tempo que dedico aos jogos atualmente já tem um resultado esperado: Ainda que a inovação faça falta, há também o fator da repetição, onde o que se altera é você e sua relação com a obra, e não a própria obra. O tempo que eu teria de gastar para conhecer novas histórias, personagens, mecânicas, estilos, funções, controles, consoles, IPs, e todas as necessidades que esses sistemas requerem para continuar funcionando bem, eu gasto tendo a experiência que eu quero. O tempo que eu gastaria aprendendo a jogar eu gasto jogando. E sem gastar a mais por isso.

Isso tudo é um tiro no pé que só vai doer lá na frente, mas por enquanto tá até que gostoso.

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