Mídia vs. Estilo: O embate final

Nona Arte quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ficção científica!

Biografia!

Narrativa histórica romantizada!

Terror!

Coração! Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta! Romance!

Sabem, eu gostava de remoer no assunto “discriminação das HQs”. Era um tema interessante, que me permitia divagar loucamente e encher linguiça quando me faltava criatividade. A partir de hoje, porém, não mais tocarei nesse assunto, pois finalmente encontrei a solução para o mesmo. Como?

Tudo começou algumas décadas atrás, com meu nascimento. Vários anos se passaram, e eu conclui o ensino médio e iniciei um curso superior. Um curso superior, como se espera, está longe das facilidades da escola, onde você tem, para ser aprovado, inúmeras reposições, provas de recuperação, provas finais e conselho de classe (E no caso de estudantes de escolas públicas, um belo empurrão do MEC, mesmo que o moleque não consiga distinguir um 3 de um B e ache que a capital dos EUA é “Noviórqui”). No meu caso, passei os últimos 30 dias sem tempo sequer para coçar o nariz, que dirá me divertir, e o futuro não promete ser melhor.

Atualmente, meu lazer se resume a ouvir podcasts enquanto estou na academia (O que, no meu caso, não chega a ser exatamente lazer. Odeio exercício físico). Como ouço uma pá de podcasts, e só vou à academia umas três vezes por semana, acabei ficando meio desatualizado. Sexta passada, na esteira, ouvia um episódio do Papo de Gordo sobre quadrinistas, e um dos participantes disse algo que eu já havia dito antes, mas sem o fator “iluminação” (Ou câimbra, sei lá): Quadrinhos são vistos não como mídia, mas como estilo.

Somos pessoas esclarecidas. Sabemos distinguir ficção científica de romance histórico, biografia de romance e poesia de poema, e sabemos que todos esses são estilos literários; a massa sabe que é tudo livro. Nos utilizamos de todos os meios de mídia: Vídeo, áudio, texto escrito, internet… Sabemos distinguir mídias de estilos, e isso nos torna, ao menos nesse ponto, superior à massa.

E, para a massa, quadrinhos são um estilo, não uma mídia. São um tipo de conteúdo em si, e não um meio de propagar este.

E, não é um mero estilo literário. É um estilo somente apreciado por crianças, jovens imaturos e adultos idiotas. Não importa se qualquer volume de Hellblazer tem uma história melhor que toda a saga crepúsculo (Sim, sem maiúsculas mesmo); pouco adianta Sandman ser considerada uma das melhores obras literárias das últimas décadas; é irrelevante se Transmetropolitan mostra um futuro distópico assustadoramente possível. “Gibis” não deixarão tão cedo, pelo menos aqui nas terras tupiniquins, de ser coisa de retardado. O nosso povo não vê tons de cinza. Puro texto? É maçante, só “intelectuais” aguentam. É quadrinho? Coisa de imbecil.

Descanse em paz, pequena e doce polêmica.

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  • Ricardo Scholles

    Praticamente o mesmo acontece com animes no Brasil. Ou no ocidente todo, sei lá.

  • O problema é mistura. Explico:

    Existem quadrinhos de retardado, de criança e de jovens imaturos, e existem quadrinhos bons. Acontece que está tudo misturado por aí. Um bom exemplo é uma banca de revista, onde você encontra um exemplar de Jonah Hex do lado de turma da mônica jovem. Pra piorar, assim como consumidores de qualquer mídia, nem todo mundo que lê quadrinho é exatamente muito maduro. Tem muito moleque criado com leite e pêra e empinando pipa no ventilador que lê quadrinhos.

    Tanta mistura de merda com coisas boas deixa o brasileiro médio, que já não é muito esperto, bastante confuso.

  • Angelo Dias

    Posso ouvir um Aleluia?

    Falou tudo.

    Graphic Novels tem esse nome na gringa pq não são Comics. E, caceta, compara Y! The Last Man com turma da mônica pra ver…
    HQ no Brasil é pouco valorizada.
    Como os jogos da nova geração!

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