Dunkirk e o resto de nós

Cinema sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Manjam Dunkirk, né? O mais recente filme do Christopher Nolan que é sobre (Vejam só!) a evacuação de soldados ingleses da cidade de Dunkirk na França… Então… Puta perda de tempo do caralho.

 Uns fodidos.

Seguinte: Guerra, morte, bomba, triste. Esclarecido isto, ao filme.

Que puta filminho chato do caralho. E é chato por um simples motivo: Cê já viu essa bosta meio milhão de vezes. Dunkirk, porém, faz sim algumas coisas diferentes.

Primeiro que não é um filme americano, sendo apenas parcialmente americano além de britânico, francês e holandês (País baixista?). Em outras palavras, ao invés de ter gente correndo por aí declamando a Declaração de Independência tem gente correndo por aí dizendo quanto é muito mais maneiro morar numa ilha que no continente (Como os franceses toparam continuar a investir no filme eu não sei).

Segundo que cê não vê nazista nenhum: Esse é um “detalhe” interessante e já teve a atenção devidamente chamada para si. É uma excelente ideia tratando-se de narrativa: O que importa não é o “vilão” e sim os atos dos “herois”… Funcionaria, se o filme não fosse chato pra caralho. Um filme chato sobre a Segunda Guerra Mundial não se pode dar ao luxo de não mostrar Nazistas; não precisa de Hitler, mas porra, meia dúzia de aviãozinho ao longe?! Se foder, bróder.

Terceiro porque não tem absolutamente nada memorável nesse filme. O navio afundou? É, então, teve uns quatro ou cinco navios afundando. Teve tiro? Teve muito pouco tiro. Teve bomba? Só de longe e sem ver explosão. Teve morte? De ninguém importante. Teve personagem que se destacasse? A maioria sequer é nomeada no filme, cê descobre nos créditos. Teve boas atuações? Não… Nada ruim a ponto de ser triste, mas não teve destaque nenhum. Porra, quando o nível de atuação dos atores tá no mesmo nível que no do membro de boyband cê tem sérios problemas.

 Aí você olha praquele lado e faz cara de bunda.

Eu não contei, mas quando seu filme tem uns doze “protagonistas” e nenhum deles têm sequer um pingo de carisma você tem por dever paralisar a porra da filmagem, demitir o diretor de casting e começar de novo. Cê provavelmente tem que refazer o roteiro também, porque ator só atua, não faz milagre.

Normalmente eu vou pesquisar os filmes mais à fundo pra falar sobre eles, incluindo as demais reações que eles geraram. Com Dunkirk é diferente: Não tem nada nesse filme que vale gastar mais que a pouco-mais-de-uma-hora-e-meia que ele dura… Aliás eu fui procurar qual a duração dele só pra escrever esta frase anterior e garanto com toda absoluta certeza que se alguém me dissesse duas horas e vinte eu acreditaria facilmente: Nos quinze minutos iniciais não acontece absolutamente nada digno de nota, aí passa uma boa meia hora com os navios afundando, aí mais meia hora de avião voando (E afundando) e aí todo mundo é resgatado da praia SPOILER. Diga-se de passagem, eu passei metade do filme sem me dar conta de que ele não é mostrado em ordem cronológica, mas sim mostrando várias coisas que acontecem ao mesmo tempo: Se eu assistir de novo é bem capaz de só ter um navio e um avião no filme todo e eu não tive saco pra perceber.

 Tom Hardy continuando sua tradição de usar focinheira.

Sabe por que eu achei esse filme chato pra caralho? Porque eu não sou gringo e nem otário. Porque gringo é otário: Basta falar em nacionalismo que essa galera se joga de carteira e tudo no mar de mediocridade que é a atenção midiática à Segunda Guerra. Gente de bem nenhuma liga a mínima pra Dunkirk; gente que acha que “lutar pelo país” é um plano aceitável de vida, liga. Aliás, o filme faz um draminha babaca de “se a gente perder aqui a Inglaterra vai ser tomada pelo Eixo!” e advinha só? Eles começam o filme perdendo, passam o filme perdendo e terminam o filme perdendo. A grande vitória é chegar de volta na Inglaterra e ver os ingleses que não foram pra guerra levando cerveja pra eles: Isso não é uma piada, é literalmente o final do filme. Agora sim, SPOILER.

Há, porém, a necessidade de se fazer um adendo em relação ao Mr. Dawson. Entre soldado fugindo do combate e aprendendo a nadar, o Espantalho dando piti e os nazistas não dando a cara, o personagem do Mark Rylance é o único nesse filme que vale à pena ser salvo pelo simples motivo de ele não ser um pau no cu. TODO MUNDO MAIS está perfeitamente bem em deixar toda a galera se foder, ele é o único que é firmeza. Ele é o único que eu queria do meu lado numa guerra (Aliás, tô pra ver mandinga mais forte que a do Kenneth Branagh, já que explode todo mundo na porra do píer de madeira – incluindo um navio de guerra – menos ele).

O Pizurk, em sua resenha, deu nota 10 pro filme. Rapaz, poucas vezes antes vi alguém jogar fora nota assim: Dunkirk é ruim como filme de guerra, ruim como exercício de atuação, ruim como exercício de direção, ruim como exercício de fotografia… Esse filme tem um único mérito, que é extorquir dinheiro de quem glorifica a Segunda Guerra como um ponto alto da humanidade. Tá certo que não tem tiroteio com nazista, mas esse filme é exatamente a mesma porcaria que quase todos os outros filmes de guerra: Uma punhetação de um espírito fajuto de superação baseado no fato muito real de que tem gente que gostaria bastante de botar fogo no mundo só pra ter o próprio ego massageado.

Felizmente filme da Segunda Guerra é um treco que já está rareando pelo simples motivo de que esta bosta foi há mais de setenta anos atrás: Tua vó era uma 9inha sirigaita quando essa porcaria acabou, o que significa que, pouco a pouco, qualquer imbecil que acha uma guerra mundial do balacobaco está ficando senil e morrendo: Quem participou em guerra de verdade tá pouco se fodendo pra filmeco e fogos de artifício.

Quem esteve na situação jamais correria novamente o risco de achar que o teu governo liga pra você, aí cê não entra num barco pra ir trocar tiro com quem nem sabe que cê existe e muito menos cê perde tempo vendo filminho lambe saco de como é heroico pra caralho se foder à cinco mil quilômetros de distância da tua casa (Ou pior, dar o migué na tua mãe e ser chamado de heroi por morrer de cegueira). À menos, é claro, que você ache uma ditadura é uma boa ideia: Nesse caso toma aqui essa arma, esse avião e vai se foder longe daqui. E leva esses DVDs tudo com você.

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