Dunkirk

Cinema quinta-feira, 27 de julho de 2017

 Na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço.

Sabe, eu gosto de filmes de guerra. Filmes de guerra antigões, onde as pessoas se matavam com tiros de fuzil, daquele que cê tem de fazer um puta malabarismo pra engatilhar. A violência era utilizada pra resolver conflitos da mesma forma, mas havia uma certa graça, quiçá um charme em tal resolução violenta de conflitos. Ainda é violência, mas rebuscada. Dunkirk, entretanto, não é um filme de guerra comum. Não existem cenas de tiroteios homéricos, tanques de guerra avançando pra cima dos protagonistas [Salvo engano, tanques nem aparecem], e mesmo os bombardeios não são um Deus ex machina pra salvar um pelotão já no fim da linha [Estou olhando pra você, O Resgate do Soldado Ryan], mas formas do inimigo sufocar a esperança já diminuida. É mais que um filme de guerra, com ação e heroísmo: É um drama de guerra, com sobrevivência e resiliência.

Não que não haja ação: Considere que o filme trabalha com três “palcos”: Uma semana de espera dos soldados de infantaria para darem o fora dali, acompanhando Tommy; um dia pro barco do sr. Dawson sair da Inglaterra e chegar pros lados de Dunkirk; e uma hora de voo pro esquadrão de Spitfire chegar na área do porto, na tentativa de evitar bombardeios. A galera da terra só vê bala voando em sua direção, o povo do mar toma bomba e torpedo feito louco, mas os aviões… Ah, as batalhas aéreas… Que coisa magnífica, combates com metralhadoras, de distâncias de centenas, até dezenas de metros, sem mísseis de longo alcance. E mesmo assim, de um esquadrão de três aeronaves, só uma termina mais ou menos utilizável.

 E sim, no fim das contas tudo se interliga. Dã.

Falando em Spitfires, mais uma vez temos Tom Hardy com a cara coberta quase o tempo todo. Não que eu seja a favor desses filmes que botam até iluminação na fuça da criança pra você não perder nenhum detalhe daquela carinha cheia de maquiagem e botox [O que caga completamente qualquer ideia de conseguir ver fora do capacete], mesmo porque nem precisa. A atuação do cabra se dá PASSANDO FOGO NOS ALEMÃO!

Desculpa, me empolguei.

Enquanto isso, temos um tiozão que, quando recebe uma ordem de ceder seu barco pra Marinha Real fazer um resgate, resolve que o governo não sabe de nada, e que ele é quem vai resgatar a galera que tá na bosta praia. Dawson, acompanhado do filho Peter e de George, um moleque de 17 que só entra nessa pelo sabor da aventura, se embrenha mar adentro, com o Moonstone, o barquinho de passeio pra fim de semana, resgatar uns britânicos encurralados. E no fim das contas recolhem tudo que aparece no caminho.

 “Tá pegando fogo, bicho!”

Por fim [Mas não necessariamente na ordem em que eu escrevi aqui], temos a saga de Tommy, desde a fuga dos tiros alemães no meio de uma cidade deserta [Eu já falei que não aparece nenhum alemão, fora os caças da Luftwaffe?] até o famigerado resgate, não sem passar por maus bocados que eu não citarei aqui por motivo de evitar spoilers. E olha que eu acho que já contei demais.

É uma história bem contada, mesmo tendo alguns exageros para fins narrativos, que me apresentou um clima opressivo, desesperador, apresentando a guerra não como uma troca de tiros glorificada, em que o lado bom sempre vence [É o contrário: O lado que vence é sempre o “bom”]; é a redução do ser humano ao seu patamar mais baixo: A sobrevivência, feito os animais acuados que somos. Mas no fim, o que importa são os que sobrevivem, como pode ser notado na comemoração do retorno.

Dunkirk

(106 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, França, Holanda, Reino Unido, 2017
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead, Tom Hardy, Cillian Murphy, Mark Rylance, Aneurin Barnard, Harry Styles, Kenneth Branagh, James D’Arcy, Jack Lowden, Kevin Guthrie e Elliott Tittensor

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