Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in)

Cinema terça-feira, 27 de setembro de 2011

 A história é ambientada no subúrbio de Estocolmo, em 1982. Oskar (Kåre Hedebrant), um frágil garoto de 12 anos sempre atormentado pelos colegas de escola, sonha com vingança. Ele apaixona-se por Eli (Lina Leandersson), garota bonita e peculiar que, aparentemente, é uma vampira, já que não suporta o sol ou a comida. Eli dá a Oskar força para lutar, mas o menino é colocado frente a um impasse quando percebe que ela precisa beber o sangue de outros para sobreviver: até onde pode o amor perdoar?

Sabe quando você começa a assistir um filme já sabendo que ficará perturbado por assistí-lo? Então, é exatamente isso que ocorre aqui e… Sinceramente? O QUE PORRAS OS SUECOS TEM NA CABEÇA?!

Malucos, esse filme é muito, MUITO, mas MUITO errado. Não “errado” no sentido de “putz, a camiseta dele tava com sangue e agora tá sem!”, mas no sentido quase japonesístico da coisa. Considerem por um momento que o mundo não é bunda como é atualmente, mas sim no bom e velho jeito dos anos 80, em que gasolina era barato e “sacanear os coleginhas” era de tapa na orelha pra cima, que putaria passava de tarde na TV e que álcool era vendido para crianças de cinco anos, que adolescentes trepavam no banheiro da escola e mesmo sem camisinha não engravidavam e que até mesmo rock sueco era mais foda que toda programação do Rock in Rio (Junta). E é nesse clima amigável e respeitoso que vive Oskar, um bundão de 12 anos que apanha dos colegas de classe. “Oh, mas tudo bem, afinal são os anos 80 e eles só estão brincando!” você diz, mas bastou eu olhar para o garoto por 3 segundos para fazer a ligação:

 RED ALERT!!!

Ele então conhece uma garota (Ahh… Spoilers…) chamada Eli, que, obviamente, é um vampiro. Ela o ensina a não ser tapado e a revidar o que sofre na escola (Coisa que dá errado, como sempre) e ele a ensina código morse… Injusto, eu sei, mas combina muito com a história, que aliás, é uma adaptação digna de ser lembrada e me fez querer ler o livro original (Låt den rätte komma in de John Ajvide Lindqvist), que diga-se de passagem, é ainda absurdamente “pior” que o filme.

 Calma que depois piora.

A partir desse momento eu sabia que não teria sossego, e, vejam só, eu acertei! O filme consegue ser perturbador, doentio, inescrupuloso, obsceno e pornográfico (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) na dose certa, e para eu dizer que algo é perturbador, podem ter certeza que ultrapassa os tentáculos japoneses. E nada disso seria possível se não fossem os atores e a direção: Ambos são simplesmente FODAS PRA CARALHO, desde os ângulos de filmagem, cenas, edição e, claro, aa atuações, que só podem ser descritas como “se eu fosse 30 anos mais velho (E fosse mulher), eu acreditaria que eles são os personagem, e não atores”, e não me refiro apenas à Kåre Hedebrant (Oskar) e Lina Leandersson (Eli), mas aos personagens secundários também.

 Eu sei o que você está pensando… E concordo plenamente.

Eu sei que estou atrasado, fazendo esse review 3 anos depois do lançamento do filme mas a foto é de 2010, e que já até fizeram o post da adaptação americana, mas devo dizer que esta versão sequer se compara ao orginal: A versão americana é muito mais leve, “mastigada” e simples que a sueca, e num filme como esse, onde praticamente tudo é genial, são os detalhes que fazem a diferença (Cês não fazem ideia do peso que essa frase carrega).

Meus caros, vi poucos filmes na vida, europeus então posso contar nos dedos (Se eu lembrasse deles), mas logo de cara já afirmo que essa é uma das grandes obras que jamais saíram do velho continente. Esqueçam toda essa coisa de metáfora para a adolescência, esqueça debates sobre o gênero, esqueça vampiros-homo-gays, esqueçam tudo: Concentrem-se no filme e na história, porque é uma das melhores que vocês verão na vida.

Deixa Ela Entrar

Låt den rätte komma in (114 minutos – Drama)
Lançamento: 2008
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist, baseado no livro de John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar e Patrik Rydmark

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  • Willian

    Esse filme é foda mesmo, melhor que o americano sem duvida. Não achei ele tão perturbador quanto voce disse, apesar de não ser nenhum conto de fadas tambem.
    Foi uma boa coisa os americanos terem feito um remake porque deu mais visibilidade pra esse filme, o sueco.

    So me explica uma coisa, que raio de ligação é essa (“mas bastou eu olhar para o garoto por 3 segundos para fazer a ligação” ) que eu não reconheci o outro guri da foto.

  • Loney

    É o Michael Myers de Halloween.

  • Willian

    Nem sei se voce vai ver isso mas num custa tentar. Onde voce conseguiu o livro que deu origem ao filme? No submarino não tem nada.

  • Muito bom este filme, Sylvio. Tive o prazer de vê-lo no cinema há alguns meses, quase um ano se duvidar. Bj, c.

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