A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life)

Bogart é TANGA! sábado, 25 de dezembro de 2010

É… eu andei meio sumido. Vocês sabem como é fim de período, provas, trabalhos, seminários e etc. E ainda por cima eu ainda peguei um segundo semestre tumultuadíssimo no trabalho. Mas eu não ia deixar uma data tão especial como o natal passar em branco aqui no Bacon, então preparei o texto mais importante que eu já escrevi aqui, para comemorar essa data. Alguém tem alguma ideia do filme que será abordado? [Nota da editora: Posso tentar? Será esse aí que você mencionou no título. Será? Será? O que eu ganho?]

Sinopse: George Bailey (James Stewart) é um homem que nunca quis seguir a benevolente carreira de banqueiro do seu pai. Ele queria sair, para conhecer o mundo e seus segredos. Porém, por causa da necessidade de todos a seu redor, ele nunca conseguiu realizar o seu sonho. Até que pensou em se matar, por causa de uma dívida, e recebeu uma mãozinha lá de cima…

Então, George era o garotinho mais velho da família, que sempre teve um lado aventureiro, e desde novo se imaginou viajando pelo mundo. Quando pequeno, ele trabalhava de ajudante em uma farmácia, e isso será de grande importância posteriormente. Eram anos difíceis aqueles, já que os Estados Unidos mal tinham saído da Grande Depressão.

George foi crescendo, e após a sua formatura do colegial parecia que seu sonho de se aventurar pelo mundo finalmente ia se realizar. E se realizaria de fato, se seu pai não morresse e os sócios de banco do velho não pretendessem vende-lo ao homem mais inescrupuloso e ambicioso de Bedford Falls, Sr. Potter. O Sr. Potter queria de qualquer jeito a parte de George do banco, pois desejava construir um grande condomínio na cidadezinha, desse jeito ele seria praticamente o dono da cidade. Mas George, com todos os seus princípios, nunca iria deixar a empresa que seu pai comandou ao longo de todos os anos nas mãos desse crápula, certo? Ele foi tocando o banco, e planejou passar seu cargo a seu irmão mais novo quando ele se formasse. Mas os planos dele deram errado, porque o irmão teve que lutar na Segunda Guerra Mundial, adiando mais uma vez o sonho de George.

 Ô seu guarda, isso não é meu não, eu só tava guardando pra um amigo

No meio de tudo isso, George se casa com Mary (Donna Reed), a garota que ele era apaixonado desde a adolescência, e constrói uma bela família. Ele continua administrando os negócios do banco tal como seu pai fazia, sempre colocando as pessoas em primeiro lugar. Certo dia, seu Tio Billy comete um descuido e faz com que o banco caia de mãos beijadas no colo do Sr. Potter, deixando George tão desesperado que ele decide se matar. Na hora do suicídio, Clarence, o anjo da guarda de George, o resgata e tenta convencê-lo do quão importante é sua vida. George declina dizendo que o mundo seria melhor sem ele, e isso dá uma ideia muito boa ao enviado do cara lá de cima.

 Aí manolo, se você ficar vivo eu ganho asas!

Bom, eu disse que essa é a crítica mais importante que eu escrevo por aqui, devido ao fato do filme tratado ser um paradoxo ao que me deixou de baixo astral por muito tempo, e o que considero o mais importante da minha vida, Clube da Luta. Tem resenha do Clube da Luta aqui no Bacon, LEIAM! Mas se ninguém ler, ou quem já tiver visto e não entendeu, eu vou explicar:

O Clube da Luta passa uma mensagem totalmente pessimista da importância das nossas vidas, mostrando que somos apenas “peças” a serem movidas para a sociedade consumista se manter. Que somos enganados a vida inteira, criando sonhos que provavelmente nunca serão realizados, como sermos astros da música, atletas de elite ou milionários. Em resumo, você vai viver, vai servir ao sistema e vai morrer, e no final, a sua vida não fez diferença nenhuma.

É aí que entra a importância de A Felicidade Não Se Compra. No filme de Frank Capra, a visão da importância da vida é tratada de maneira positiva, que somos muito importantes para todos aqueles que estão em volta da gente. Que simples atitudes nossas podem fazer uma diferença enorme para as pessoas próximas e até para quem não conhecemos, como quando o garoto George salva não só a vida do paciente da farmácia que ia tomar veneno por engano, mas também a de seu patrão, que viveria uma vida de culpa até o fim de seus dias. É um filme que mostra a beleza existente na simplicidade, nos pequenos atos, nas atitudes humanas. Além do mais, esse que é o filme que mais me emocionou nos últimos anos, é muito simples, seja em seu roteiro, seja na direção sem invencionices e modernismos.

 E você, escolhe qual?

E o com o que todo esse conjunto combina? Com o espírito natalino, a celebração do nascimento do Papai Noel. Mesmo tendo inspirado diversos outros filmes natalinos, A Felicidade Não Se Compra é tão melhor, que até hoje é reprisado em programas de tv americanos. E pra finalizar, eu deixo um pensamento do grande técnico campeão brasileiro de futebol em 2010:

“Às vezes é preciso adiar um sonho para fazer o que é correto”

disse Muricy Ramalho, após ser campeão e perguntado sobre a sua decisão de rejeitar a seleção brasileira para comandar o Fluminense, mas é uma frase que poderia muito bem ter sido dita pelo George Bailey, concordam?

A Felicidade Não Se Compra

It’s a Wonderful Life (130 minutos – Drama)
Lançamento: Estados Unidos, 1946
Direção: Frank Capra
Roteiro: Philip Van Doren Stern, Frances Goodrich
Elenco: James Stewart, Donna Reed, Thomas Mitchell, Lionel Barrymore, Henry Travers,

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  • benyblancofromthebronks

    Eu tenho esse filme no HD a anos já e nunca vi. Agora com essa crítica totalmente inspiradora eu resolvi conferir.
    obrigado

    Se eu odiar eu posto aqui de novo xingando você.

  • Caralho, já achava o filme muito bom, com tua crítica fico ainda melhor, gostei muito da comparação com o Clube da Luta. Tá de parabéns…

  • Ah legal tua comparação , ambos os filmes são muito bons , seja pela direção e parte técnica quanto por suas execuções, atuações e mensagens. Então mas eu vejo mensagens positivas em ambos os filmes, no ‘clube da luta ‘ nos também podemos retirar algo de simples e ratificante, é um filme tão explosivo, mas que ao mesmo tempo assistido diversas vezes se torna tao verdadeiro e cada vez melhor. Se a gente olhar por um lado somos o fruto do sistema e fazemos parte dele e talvez mesmo nunca realizaremos o que pensamos, mas é por isso mesmo que muitas vezes deveríamos abandonar as futilidades e o materialismo capitalista, é um filme anárquico com uma mensagem de libertação de desapego. Faz um retrato irônico e cínico de como levamos as coisas e nos mesmos tanto a serio , dizendo que precisamos ler livros de auto ajuda, e participar de grupos , de esquemas hierárquicos. Podemos sim fazer o que gostamos , de outra forma não haveria existido tanto o livro quanto o filme que foram feitos por artistas fazendo aquilo que gostavam. :D

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