Uma análise das propagandas de perfume

Televisão terça-feira, 21 de novembro de 2017

Não é segredo nenhum que de todas as coisas que passam na tela da sua TV a mais bizarra de todas são as propagandas de perfume: Nenhuma delas faz sentido nenhum… Diriam os detratores. Mas está na hora de iluminar a mente dos desafortunados e iniciá-los nos mistérios e segredos desta arte.

Cara, em que outro site cê veria esse tipo de coisa? Só o Beico mesmo pra iluminar vocês desse jeito.

Uma das propagandas de perfume mais diretas de todos os tempos: Fresh, o perfume da dona de casa. Dizem alguns que além de cheirar a pinho também limpa pias e azulejos, mas o importante mesmo é que quando o perfume acabar cê ainda pode encher o frasco de novo com Veja Multiuso e dar aquele grau no seu fogão e no seu look.

Eu também jurava que era a Milla Jovovich na propaganda, mas a Wikipedia me diz que é a modelo Linda Evangelista, seja como for, a própria Moschino sabe o que tá fazendo: Fresh serve pra cozinha, lavanderia e eau de toilette.


Foi difícil escolher uma só propaganda do famoso J’Adore, mas resolvi ir com este clássico: Num movimento de resgate da cultura popular da idade média, Dior faz uma homenagem às raízes do espetáculo em praça pública, afirmando o indispensável papel que o circo teve na nossa sociedade. Ainda assim é possível notar a atual preocupação com a ética do espetáculo, notadamente que as acrobacias feitas pela atriz Charlize Theron não utilizam nenhum animal ou forma de humilhação pública, mas sim a centenária arte do tecido acrobático. Aliando então a tradição circense à documentação inexorável da moda decoramental aristocrática, a personagem enfim emerge no futuro, onde tudo é touch e fica manchado com suas digitais.


A última vez que a Kristen Stewart apareceu na minha TV foi há uns 5 anos, quando Crepúsculo estava estreando no Telecine. De lá pra cá muita coisa mudou, e ela enfim reapareceu neste comercial da Chanel, primeiro em uma homenagem ao Frodo lutando contra a Laracna, depois, passando através de um túnel temporal reminiscente à 2001, a personagem deixa a fantasia medieval para trás e encara de frente os filmes atuais de super herói, para enfim sair vitoriosa e poder cavalgar andar em direção ao pôr do Sol.


Este acima não é nem de longe o mais memorável comercial de 1 Million, mas é o mais recente. Enquanto o primeiro era uma ode à vida de luxo que (Supostamente) um milhão de dinheiros poderia trazer, a propaganda atual perde o rumo achando que ainda estamos nos anos 90, quando homens pareciam mulheres, cabelo de anime era moda e dançar como se estivesse tentando coçar o corpo sem as mãos era legal. O pior de tudo é o All Star que botaram nos pés do cara que tem UM MILHÃO pra comprar um sapato maneiro.


Eis aqui, senhoras e senhores, uma propaganda épica: Adotando o clima de The Way You Make Me Feel do Michael Jackson, a fragrância Good Girl subverte a história invertendo o gênero dos personagens, trazendo um dos grandes símbolos do poder feminino para o primeiro plano. Ao elevar o salto alto (HÁÁÁÁÁ!) à seu merecido patamar, pode parecer que o comercial se perde, mas quando você menos espera PÁ, NA SUA CARA: O vidro do perfume também é um salto alto. Não fosse o suficiente, a propaganda ainda prova que é possível usar um clichê de forma excelente: De parar o trânsito mesmo.


Mostrando que tá antenado com as modernidades, Gaultier aposta no steampunk no comercial de seus dois maiores perfumes, mostrando que o perfume pode ser atual, mas os anos 30 ainda são bem maneirinhos. Nada mais justo, portanto que colocar o barco na água e mostrar que não ter relações com seus colegas de trabalho é coisa do passado. O comercial termina então relembrando os bons tempos do lança perfume e reafirmando que mulher também gosta de bundas: Um clássico.


Quando menos se espera, eis o mundo nos surpreendendo: De todas as companhias possíveis, foi justo a Versace que resolveu quebrar paradigmas e mostrar que supermodelos também são #gentecomoagente e que quando compram um bagulho novo ficam fazendo pose com a parada. Um tapa na cara da sociedade, do capitalismo e da sua tia Hilda, que falsifica perfume Boticário.


Coco Mademoiselle: The Film não leva esse nome à toa, já que é praticamente um longa metragem dos comerciais de TV. Como se isso fosse pouco, ele ainda faz o que milhões de pessoas no mundo sempre quiseram fazer: Colocar a Keira Knightley interpretando a Natalie Portman. À bem típico dos franceses, a personagem usa perfume ao invés de tomar banho, anda de moto no meio da praça e faz manobras radicais de moto mas sem passar do limite de velocidade. Ela então encontra o fotógrafo, que toca todo mundo pra fora do trampo só pra dar uma bimbada (Ao invés te agir profissionalmente e tirar a porcaria das fotos), e depois deixa ele na vontade porque bem-feito, quem mandou ser trouxa.


Nada diz “confiança no próprio taco” tanto quanto um close na sua sunga branca. Interessante notar que, sendo esta acima a segunda parte do comercial, algumas coisas mudaram em relação à primeira parte: Cabelo curto e barba não era descolado lá em 2010 como é hoje, aparentemente o modelo David Gandy aprendeu a mergulhar nesse meio tempo, e agora a mulher é morena (Não que eu esteja reclamando). A moral mesmo deste comercial é que ele acaba quando fica bom, que nem o perfume.


Não é sempre que a gente vê o nosso Braziu na TV quando não se trata de tiroteio, corrupção e memes, mas tá aí o perfume Flower pra dar um tapa nas nossas expectativas: Como se não bastasse aquele toque de memória à ditadura militar ainda tem Brasília em toda sua arquitetura… E é só isso, porque se fosse mostrar mais do país estragaria a propaganda.


Acho interessantíssimos esses comerciais de perfume que tentam ensinar as pessoas os homens a como se comportar… Tipo, eu tô perfeitamente bem com gente tentando me condicionar subliminarmente a beber mais cerveja, mas porra, olha o treco aí em cima: Te ensina a como passar o perfume, como abotoar as mangas da camisa, como dar nó na gravata, como atravessar a rua, como agir com respeito sem ser formal demais, como atravessar a rua… Véi, mim dexa. E aí tem a já memorável frase “Boss Bottled” como quem diz “É vidro mesmo, não é de plástico não”.


Me impressiona como esse comercial não tem a Sandra Bullock ou a Angelina Jolie, afinal são as duas que curtem fazer campanha de como o mundo seria um lugar melhor sem paredes entre as pessoas. Seja como for, cê tem 30 segundos de como a única pessoa de branco lidera todas as outras pessoas de preto em direção à beleza e à liberdade. Em Paris, porque a África é longe e cheira mal.


Não sei porquê, mas acho esquisitíssimo ver gente famosa casada fazendo papel romântico em propaganda… Tipo, em filme beleza, é parte da história, mas em propaganda é meio desconexo pra mim. Dito isto, em menos de um minuto a Natalie Portman morde a haste do óculos sedutoramente, se joga de um píer, usa camisa do peguete, finge que tá sendo filmada pelo cara, termina com ele, vai pra Paris onde mais fazer umas vidaloucuragens casamiga, pega um europeu e faz um drift na areia com um carro de duas rodas só pra jogar uma frase de efeito no final: Clássico absoluto das balzaquianas em crise.

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