Thunder Dope (Matanza)

Música terça-feira, 05 de março de 2013

E aqui estamos nós [No caso, eu] falando novamente de Matanza. Depois de um hiato de cinco anos entre A Arte do Insulto e Odiosa Natureza Humana, eles lançaram Thunder Dope no fim de 2012. E ao contrário do que aconteceu com Odiosa Natureza Humana, esse álbum foi um pouco decepcionante. Em partes porque a banda regravou umas demos, mas que não ficaram tão boas assim produzidas, na minha não tão humilde opinião. Sei lá, eu gosto de coisas cruas. Eu gosto do meu bife mugindo.

Quem ouviu Terror em Dashville, a demo de 1998 já conhece Gore Doom Jamboree e Matanza em Idaho. Não sei porque diabos Goreddom Jamboree foi grafada assim, inclusive. Ficou bem babaca, mas ok. Ambas são musiquinhas rápidas, de um minuto e meio, com uma pegada que mistura country e punk. O que fica bem esquisito, considerando que são dois estilos que não costumam ter muita produção. Eu reclamo muito de produção, né? Ô PRODUÇÃO, FAZ FAVOR AQUI!

Podiam ter deixado as músicas antigas enterradas no passado que ficava melhor, mas vamos em frente que quem vive de passado é museu e A Praça É Nossa. Na sequência, temos Mulher Diabo, que é um cover em português da crássica Devil Woman, de 1976, imortalizada por Cliff Richard. Não conhece? Nem eu, mas tá aqui a versão do Cradle Of Filth pra vocês. A tradução que foi feita não é exatamente ruim, mas quem lembra do Jimmy cantando em inglês no To Hell with Johnny Cash fica até com saudades. Mas a música é bacana, mesmo sendo meio lenta pros padrões do Matanza. Depois disso, vem a Estrada de Ferro Thuder Dope, que nomeia o álbum [AH VÁ!]. A bateria entra moendo, e você tem a impressão de que essa sim devia ser a música de abertura dessa porra. E vocês ainda dizendo que quem manda na música é guitarra, pfff.

Ai vem Devil Horse, que também já é música velha, do De Volta a Tombstone, outra demo, esse de 1999. Mas, nesse caso, a produção fez bem à música. Talvez porque essa demo é uma merda, não sei. Mas a música é bonitinha, até. Pelo menos comparada a Dashville Chainsaw Massacre, também do Terror em Dashviile. Que não melhorou nem piorou, só ficou diferente, e é bem mais a cara do Matanza: Fuzarca, putaria, zona, caos e tocar o terror na população. Já My Old Liver é meio baladinha, só que ao invés de reclamar de dor de corno, a reclamação é da cirrose mesmo. Ninguém mandou não guentar a birita e pedir pra sair, Jimmy. Toma suquinho então, fiote.

Country Core Funeral, no entanto, lembra o primeiro álbum, Santa Madre Cassino: Uma pegada rápida, em que nenhum instrumento domina, e a voz praticamente se mescla á eles. Die Hillbilly é outra que lembra os álbuns antigos, mas é mais acelerada e animada, quase uma música de saloon, com direito à dançarinas de cancan levantando a perna no palco. Dá vontade de pedir uma salsaparrilha e sair batendo as esporas no chão, no melhor estilo “IRRA!

Continuando com a reciclagem de músicas, Alabama Death Tenebris é uma espécie da volta dos que não foram, porque nada mais é do que Alabama, outra música do Terror em Dashville. Só que num universo paralelo onde o Jimmy tá com câncer nas cordas vocais e canta feito bosta molhada caindo no chão do quintal. Não me pergunte de onde eu tirei essa comparação, apenas sorrie e concorde. Ai vem Sunday Morning After e avisa: Eu sou a música depressiva e sobre ressaca ao mesmo tempo, se fodam ae. Não que ela seja ruim, ela só não é divertida como as outras. Ela te dá vontade de não ter acordado. Exatamente como uma ressaca. Se isso foi proposital nunca saberemos, mas acho que atingiu o efeito desejado.

Pra passar a ressaca, nada como mais álcool. Ou outra salsaparrilha. Digo, música. She Is Evil But She Is Mine cumpre bem essa função de tirar você da modorra da ressaca e te preparar pra encher a cara de novo. Ou sou só eu quem tou bebendo demais? E pra encerrar, Pane nos Quatro Motores não fede nem cheira. Não é uma música de encerramento foda feito O Bebum Acabado, mas também não é uma Escárnio, que te faz querer matar alguém pra não se matar. É… Média.

Meu veredito é o seguinte: A primeira vista, o álbum não vale meia pataca, mas conforme você vai ouvindo cê pega gosto por algumas músicas, o que torna a experiência agradável, até. Agora, que foi um caça-níquel lazarento foi, 13 músicas em meia hora é de cair o cu da bunda. Da próxima vez, demorem mais um ano e façam um disco inteiro, fazendo favor.

Thunder Dope – Matanza


Lançamento: 2012
Gênero musical: Countrycore
Faixas:
1. Goreddom Jamboree
2. Matanza em Idaho
3. Mulher Diabo
4. Estrada de Ferro Thuder Dope
5. Devil Horse
6. Dashville Chainsaw Massacre
7. My Old Liver
8. Country Core Funeral
9. Die Hillbilly
10. Alabama Death Tenebris
11. Sunday Morning After
12. She Is Evil But She Is Mine
13. Pane nos Quatro Motores

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  • Aline

    Gosto bastante do Matanza, mas esse álbum, olha, tem que ouvir muitas vezes pra gostar…
    A Arte do Insulto e Odiosa Natureza Humana são dois álbuns muito bons, com um instrumental muito louco, denso, cru, do jeito que um bom rock/hardcore/country/seja lá qual for o gênero deles deve ser.

  • A Arte do Insulto eu ainda acho meio forçado, meio ranheta. Já Odiosa Natureza Humana soa tão natural, tão fluido que não dá nem pra reclamar.

  • Aline

    A Arte do Insulto tem músicas muito boas, Clube dos Canalhas é um hino aos, bem, aos canalhas, e Eu Não Gosto de Ninguém e a música-título do álbum são ótimas pra descarregar a raiva. Já o Odiosa Natureza Humana tem músicas ótimas também, como Carvão, Enxofre e Salitre e A Menor Paciencia, que inclusive foi minha trilha sonora durante as últimas eleições, visto que trabalho numa sala com metade petista puxa-saco. Mas não sei, o álbum parece mais sentimental, mais depressivo.

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