Sou teu fã, você me ama?

baconfrito sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Resolvi baixar meu eu de 15 anos aqui: Sabe o que me deixa puto? Artista falando que ama fã.

Eu tenho que parar de usar música só pelo título.

Infelizmente vivemos num mundo em que chafurdar na breguice do século XVIII não só é aceitável, como desejável (Valendo lembrar que mesmo naquela época já era reaproveitado da Idade Média) e efetivo, logo, o amor é um saco. Isso não é novidade alguma, é claro: Só aqui no Beico acho que já foi tema de quatro ou cinco textos antes, e este aqui é o mais recente nesta saga pra tentar botar um pouco de vergonha na cara da galera (Não que eu ache que vai funcionar).

A questão é que “amor” é um bagulho tão banal que as pessoas dão como troco: Nem mais da desculpa de estar bêbado precisa mais. Daria pra culpar o movimento hippie, as drogas, essa gente politizada com musiquinha tema de enrolar beque alguém ainda fala beque? e até mesmo o projeto de educação no mundo, que ao invés de explicar porque escolas literárias morrem preferem te dar texto como tema de dissertação. MAAAAAAAAAAAAAS a verdade mesmo é que amor é um discurso tão mela cueca que todo mundo aceita só pra não ter que pensar em boleto vencido: É isso mesmo, quem paga conta não ama ninguém.

No meio disso tudo, entre marketing e papagaismos, convencionou-se usar o amor como vírgula autopromocional no mundo do entretenimento. Qualquer bosta que alguém faça por um artista (Seja este da música, cinema, teatro, pintura, desenho…) é retribuído com uma resposta mais fajuta e manjada que depoimento no Orkut: “Muito obrigado pelo apoio, amamos você!”.

Meu pau de chinelo, FDP.

Eu juro que este aqui não é mais um discurso de “artista nenhum gosta de fã, só quer dinheiro”: A real é que sem fã não existe artista nesse mundo mesmo e nego tem sim que mostrar gratidão e respeito, mas puta que pariu, custa fazer isso com um pouco de dignidade e dizer “obrigado”? Imagina se o mundo inteiro fosse assim?

– Filho, leva o lixo lá pra fora que o caminhão já vai passar
– Nossa mãe se num fosse a sinhora eu não taria aqui nem pra levar o lixo, eu te amo muitão

Eu não quero que ninguém me ame. Cês não me conhecem, não sabem meu nome, minha comida favorita, o que eu fiz no final de semana. Porra, o que cês sabem de mim é o número do meu cartão de crédito e, no máximo, meu endereço pra enviar essas bostas de caneca que cês insistem em vender.

Aliás, se você é o tipo de gente que compra caneca você tem mais é que ir tomar no seu cu. Camiseta até passa, mas caneca é sacanagem.

Mas voltando ao assunto, foda-se o amor, eu quero é um aperto de mão e um muito obrigado. Quero uma newsletter com próxima data de show na minha cidade e promoção relâmpago de box de DVD pela metade do preço. É isso que eu assino quando eu consumo algo de alguém, seu produto, sua arte, não a porra do teu discurso fajuto de consideração e falsa proximidade. A menos que cê esteja me chamando prum churrasco na tua casa cê não me ama: Me chama pra gastar mais dinheiro com o que cê faz, eu já mostrei que gosto, mas não vem querer perguntar da porra da minha vida só pra tentar vender livro.

 Pesquisei “pão de alho no espeto” de sacanagem e olha aí… Tem que parar essa gente!

Sabe qual o resultado disso? É que os tais “ídolos” tratam seus fãs do jeito que pais ruins criam seus filhos: Mimando, dando tudo que quer, respondendo à birra e choro falso. Porque qualquer merda que os fãs fazem tá lá o artista pronto pra passar a mão na cabeça só pra fazer aquela moral, só pra não botar o deles na reta. O fim do soneto é que fã vira um adulto insuportável: O tipo de fã que imediatamente ao abrir a boca sobre a tal obra já a estragou permanentemente pra quem acabou de conhecer. É o mesmo tipo de gente que acha que obra e autor são a mesma coisa, e que se a obra é boa artista é uma boa pessoa. É o tipo de gente que invariavelmente vai se desiludir no futuro e aí vai fazer textão em rede social dizendo como fulano “já não é como era antes e que não faz mas as coisas do jeito que fazia”.

Fã que é amado é um otário de marca maior e um pé no saco de quem tem a infelicidade de estar do lado.

Aí, caso o tal artista seja daqueles que acorda de lua, alterna entre fazer merda só porque é revolts olá, 2010 e ser todo paz e amor. Eu tô olhando pra ti, Tico Santa Cruz (Eu juro que eu não presto atenção no Tico Santa Cruz). Aí sim, o bagulho fica loco: Num dia tá falando que o mundo é uma merda e que tem que tacar fogo mesmo, no outro tá fazendo discursinho de #paz, #união, #liberdade, #alegria, #companheirismo, #luz, #energiaspositivas e pia limpa que é bom, nada.

É esse tipo de gente que tem que se foder: Quem acha que só por falar em amor tá livre de tudo nesse mundo e já pode dar palestra motivacional (E pode mesmo, porque palestra motivacional de cu é rola) e quem acha que só porque alguém pregou o amor já é um exemplo de vida. De um lado quem não tem culhões pra admitir que fã é importante sem ser permissivo, do outro quem aceita qualquer falta de caráter só pra ganhar um afago sem valor: Vocês merecem comprar caneca.

Daqui há 20 anos, quando eu já tiver estragado a minha vida e arranjado uns filhos, eu não vou deixar nenhum deles no parquinho junto com vocês, porque eu prefiro filho meu fumando pedra e sendo sequestrado por pedófilo à ouvindo um bando de gente que ele nem conhece dizendo que o ama. Pra amar filho meu só dentro de casa, na rua é pra ser assaltado.

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