Recomendo: O Visconde partido ao meio (Ítalo Calvino)

Analfabetismo Funcional terça-feira, 30 de março de 2010

Como talvez tenham percebido, estou escrevendo semanalmente na Analfabetismo Funcional. Pretendo intercalar um post com uma recomendações de leitura, com um texto sobre algum assunto relacionado a literatura de forma geral. Quando for a vez da recomendação (como é o caso), não farei uma resenha do texto, mas tão-somente apresentarei uma breve sinopse do enredo e os motivos pelos quais estou dizendo “Leiam essa bagaça e não se arrependerão”. Caso alguém leia e se arrependa, paciência. Não posso garantir que meu (bom ou mau) gosto te agrade, muito menos o seu dinheiro de volta, mas me esforçarei para indicar algo, no mínimo, interessante.

Vamos ao que interessa, o livro: O Visconde partido ao meio, escrito por Ítalo Calvino.

O título já desperta curiosidade e dá uma ideia de como a história é nonsense. Não curto spoiler, mas como toda sinopse tem que falar algo que dê um gostindo-de-quero-mais (e de preferência não estrague as surpresas da leitura), direi a questão em torno da qual se desenvolve todo enredo, muito embora seja previsível pelo título autoexplicativo:

O tal Visconde (que não é o “de Sabugosa”, mas sim Medardo di Terralba) é partido ao meio, tanto no sentido literal, como no figurado.

Com esse artifício da ficção o excelente autor desenvolve uma narrativa jocosa, divertida, leve e ao mesmo tempo bastante reflexiva e surpreendente. Há reviravoltas, comportamentos bizarros e situações surreais que servem como excelentes e criativas metáforas para instigar reflexões. A leitura corre fácil, parecendo mais um daqueles contos ao estilo de Scott Fitzgerald, curtos, de linguagem simples e divertidos. A propósito, a obra inaugura a trilogia Os nossos antepassados, completada pelas histórias de O Barão nas árvores e O Cavaleiro inexistente.

O autor é filho de italianos, nasceu acidentalmente em Cuba e viveu por toda vida na terra dos pais, ou seja, no final das contas é italiano mesmo. É deveras respeitado e reconhecido em todo mundo. Já no Brasil, como era de se esperar, é pouco lido e reconhecido. A temática de suas obras – romances e contos – sempre envolve enredos que analisam o espírito humano com um refinado tom de humor.

É isso, quem se interessou leia, pois não se arrependerá!

O Visconde partido ao meio (Ítalo Calvino)


Ano de Edição: 2004
Autor: Ítalo Calvino
Número de Páginas: 100
Editora: Companhia de Letras

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  • Eu tenho que ser a primeira a comentar.
    Ítalo Calvino para mim é um dos melhores escritores da atualidade. O primeiro livro que li dele foi “O Barão nas Arvores”, que a principio me parecia bem infantil, mas era bastante reflexivo.

    Aliás, Ítalo Calvino é reflexivo. Apesar de ter alguns livros dele que ainda não consegui entender totalmente. Mas é non-sense, não é mesmo?

  • Isabella Santos

    Mais um livro que você terá que me emprestar, Jorge!
    =)

  • @B. Cristina
    Total non-sense. Esse é o diferencial dele. Ele leva à reflexão de uma forma divertida e sutil.

    @Isabella
    Até que emprestaria, mas esse eu não tenho! Na verdade, ele me foi emprestado, mas já devolvi (sim, eu devolvo as coisas que me são emprestadas).

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