Quadrinhos compactos – Parte IV

HQs sexta-feira, 25 de junho de 2010

Se tem uma coisa que acho na qual acho que o Brasil sempre foi bom é na sua vocação para humor, pelo menos no mundo da tira. São diversos personagens que ganharam as páginas dos jornais ao longo dos anos, e que deixaram sua marca principalmente através do sarcamo.

Como eu disse no último artigo, o cotidiano é um dos ingredientes de sucesso para as tirinhas que lemos nos jornais, e no Brasil isso não é diferente, apesar de que a aqui um dos temas mais recorrentes não é a inocência infantil, mas a libertinagem…

Mas com isso não quero dizer que não temos tirinhas estreladas por inocentes crianças, afinal de contas, a Turma da Mônica do Maurício de Sousa já estrelou várias e várias tiras, abordando o humor através do retrato simples do dia-a-dia e até usando sua vertente cômica como forma de conscientização.

 Realmente Assustador

E apesar do sucesso nas tiras sabemos que Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento e sua trupe são personagens mais voltados para as revistinhas do que os jornais, portanto, fiquemos somente com os “Clássicos” das tiras.

Só que antes, de começar, é bom lembrar que as tiras brasileiras contam com um traço mais caricaturesco e possuem em suas linhas muitas figuras geométricas. Um exemplo disso é o rato Niquel Naúsea, criado por Fernando Gonsales, misturando num ‘liquidificador cerebral’ três humores: O negro, o ácido e o nonsense.

 Mickey é o C@*@%$!

Aliás, o que não falta nas tiras de Gonsales são animais, sejam os ratos, as baratas ou mesmo gatos, pássaros e traças, mas vez ou outras encontramos humanos contracenando com os animais, mas meio que numa inversão de papéis já que os animais costumam analisar os homens.

Outro que usa e abuso de traços caricaturescos com humor ácido e anárquico é Angeli, que criou uma grande mescla de personagens, os Chiclete com Banana: Desde o esquerdista Meia-Oito, o homossexual enrustido Nanico, a doidona Rê Bordosa, as adolescentes Luke e Tantra, entre tantos outros.

Mas dentre seus personagens mais conhecidos se destacam Wood & Stock, que retrata dois caras noiados, sempre em busca de reviver as glórias do passado no chamado estilo “drogas, sexo e rock n’ roll”.

 Paz e Amor!

Porém, Angeli foi um parceiro importante de muitos cartunistas brasileiras quando criou, em 1983, a extinta revista Chiclete com Banana, que trazia um forte teor humorístico contando inclusive com participação de Glauco, Miguel Paiva, Laerte, entre outros grandes nomes das tiras brasileiras.

Laerte, inclusive, segue mais ou menos a mesma linha de Angeli, trabalhando com um vasto mundo de personagens como o herói Overman, que tem como principal vilão seu próprio ego, os ‘maléficos’ Piratas do Tietê e o problemático Hugo Baracchinni em meio a sua vida moderna.

 Super-herói brasileiríssimo

Porém, é com debates em humor metafísico que vemos Deus que, após criar a humanidade, não tem mais nada o que fazer além de passar o tempo e filosofar. Atualmente as tiras de Laerte tem se enveredado mais para uma arte conceitual e intelectual, muitas vezes sem humor e sem graça.

 Ser Deus é dureza…

Miguel Paiva contudo já tem um traço mais estiloso, sempre abordando temas mais cotidianos da sociedade. Como em Gatão de Meia Idade, onde são retratadas as peripécias para sobreviver em meio a “Crise da meia-idade”, com o objetivo de levar a vida sem qualquer envolvimento sentimental. Outra personagem famosa de Paiva é Radical Chic, onde aborda os relacionamentos humanos.

Os personagens de Miguel oferecem aos leitores um humor mais light, comparados aos de Laerte e Angeli, só que mesmo assim sempre podemos ver um tom crítico em seu humor, como se mostrasse que a vida é um pouco mais além do que vemos.

E só pra citar, dentro das tirar Paiva houve uma parceria de sucesso ao estilizar o detetive azarado Ed Mort, personagem do cronista Luis Fernando Veríssimo. Mort é tudo aquilo que os grandes detetives não são, por isso ele como todo bom brasileiro usa o ‘jeitinho’ pra conseguir se dar bem, mas nem sempre consegue.

Por falar em Veríssimo, o autor também gosta de jogar com a arte seqüencial, como podemos ver em As Cobras, que usam o humor principalmente como crítica política, mas ataca outras áreas do cotidiano como esportes, relacionamentos, entre outros assuntos.

 Vai dizer que não é assim

E só pra encerrar esse assunto (Pelo menos até eu resolver fazer outra coluna sobre as tiras nacionais, já que temos muita coisa boa por ai), irei falar do Glauco que tragicamente foi assassinado há pouco tempo.

Glauco tinha um traço mais limpo e simples, mas nem por isso deixava de usar e abusar do humor ácido com piadas rápidas retratando problemas do dia-a-dia como neuroses, drogas, violência e sexo. Seu principal personagem é o Geraldão, um solteirão de 30 e poucos anos que ainda vive com a mãe e é cheio de vícios.

A critica social também pode ser visto em Faquinha, outro personagem de Glauco, que mostra as desventuras de um menor vivendo em uma favela. Mas são os relacionamentos e a sexualidade que mais se destacam na obra de Glauco, como mostra as personagens: Dona Marta, Ficadinha, Casal Neuras, entre outros.

Pra fechar essa série, no próximo artigo vou falar sobre as Webcomics, as tiras criadas na internet.

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  • Jão

    Isso me faz pensar que Glauco tá morto “tchan tchan tchan tchaaaaaaaaaaaaaaan (musica de suspense)”, uma pena para os quadrinhos brasileiros

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