Por um mundo com mais bacon

baconfrito sexta-feira, 21 de junho de 2019

Esse texto faz parte de uma série, em que ex-colaboradores e conhecidos retratam sua percepção sobre os 10 anos de Bacon, que tá indo mais longe do que eu imaginava.

Rapaz, dez anos de Bacon… Confesso que achei que o site fosse mais velho, já que comecei a escrever em novembro de 2010 e ali o Bacon já era referência para mim (Eu também não sei por quê). Enfim, para cumprir com o texto pedido pelo Pizurk (Sdds das cobranças e prazos, aliás) e entrar no clima de nostalgia, fui revisitar alguns textos do período de quase três anos em que mantive o título de redator ocasional.

Surpreendentemente, não encontrei um festival de vergonha alheia. Fora uns erros de português e passagens idiossincráticas já incompreensíveis, achei tudo bem divertido. Não que fossem ótimos textos, mas se tornaram uma inesperada antologia dos produtos culturais que consumia na época. Além disso, acredito que não conseguiria repeti-los.

No caso, acho que até escrevo “melhor” hoje, mas eles têm uma despretensão que não daria para repetir. São produtos do que eu via no Bacon e tentava emular. Ainda lembro de quando abriu o chamado para redatores. Não fazia muito que tinha saído o Top 100 Filmes, texto mais relevante para mim do que um “1001 filmes para ver antes de morrer” ou algo que o valha. Apesar do pecado mortal de ter o Curtindo a Vida Adoidado na primeira posição, claro. Era o resumo de um estilo que misturava humor com uma arrogância característica que atraia mais do que qualquer outro dos sites focados em cultura pop mais certinhos (E mais preocupados com seus patrocinadores).

Depois de consumir tanto conteúdo na internet, eu também queria fazer parte disso. No teste de entrada, que consistia em resenhas do Titanic e Lagoa Azul, coloquei todo o meu empenho em projetar toda a autoridade que fosse possível para alguém com 18 anos. Parece ter dado certo.

Com o tempo, o entusiasmo foi escasseando, conforme outras responsabilidades apareceram e todo aquele clichê, até que parei de escrever em agosto de 2013. No entanto, isso não explica porque eu acabei deixando de acessar o site.

Para isso, é necessário ir mais longe. Entre empregos, mudanças de cidade e relacionamentos, o mundo em si foi ficando mais complicado (Já era complicado antes, mas vocês me entendem né, meu Brasil?). Eu costumo relacionar tudo o que aconteceu nos últimos cinco anos com a divisão do nosso universo em diferentes realidades depois do fatídico 7 a 1. Tipo naquele episódio do Community, em que o Abed joga o dado e cria outras versões do mesmo momento. Ou que nem quando acontece algo parecido no Rick e Morty, para os mais jovens. Lembram do tweet do Petkovic? Eu acredito que, em algum lugar, tudo efetivamente melhorou depois da Copa de 2014. Mas a gente ficou com o outro lado da moeda.

O jogo contra a Alemanha nos atirou numa espiral sombria que ainda não tem previsão de terminar. Correlacionando esse momento com a esfera politico-econômico-social e com a cultura, a internet acabou se resumindo à hegemonia de uns três ou quatro sites e o Universo Marvel sorrateiramente substituiu o cinema. Fosse outra a história, o Bacon poderia estar no lugar de certos sites nomeados a partir de receitas com ovos ou comandados por CDFs de pouca idade. Aposto que é isso o que acontece na realidade em que o colapso da sociedade capitalista já chegou e estamos no estágio da revolução em que a liberdade irrestrita ainda não deu lugar à ditadura.

Enfim, eu acreditava ter perdido o contato com aquele espirito que norteava o Bacon e meus textos ali. Mas, graças aos 10 anos do site, voltando a acessar o material mais recente, percebi que ele continua ali, com todas suas características primordiais. Já na segunda página tem uma ode ao Avatar (o desenho, claro), obra-prima que eu só fui descobrir no ano passado, que eu poderia facilmente ter escrito.

O Bacon merece um mundo melhor, mas encarnar aquele tio meio distante, menos bem sucedido, e ao mesmo tempo mais legal, também faz parte do charme. E, afinal, enquanto houver bacon, há esperança.

Lucas, depois do Bacon, foi trabalhar como físico e parapsicólogo na Universidade Pelotense de Ciências Ocultas e Letras Apagadas.

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