Os Suspeitos (Prisoners)

Cinema quinta-feira, 17 de outubro de 2013

 Em Boston, um pai de família deve lidar com o desaparecimento de sua filha e de um amigo dela. Quando suspeita que o detetive encarregado das buscas já desistiu de procurar pelo culpado, este pai desesperado começa a desconfiar de todas as pessoas ao redor. Fazendo sua própria investigação, ele encontra o principal suspeito e decide sequestrá-lo.

Pense num filme com reviravoltas. E reviravolta dentro das reviravoltas. Tá imaginando um do M. Night Shyamalan , aposto. Imaginou errado, mas não tá muito longe não. A principal diferença é no ritmo, que é quase um zumbi sem pernas, de tão arrastado. E que as reviravoltas não são tão reviravoltas assim. Eu sou meio tapado pra esses filmes de encaixar coisas, e metade eu matei só de relance. Por ai cê já vê o nível da coisa.

Tudo bem, o negócio tá mais focado no desespero de um pai em encontrar sua filha do que fazer uma trama realmente surpreendente, eu aceito isso e meu coração continua aberto. Mas porra, levar duas horas e meia pra me dar um final inconclusivo foi de cortar as bolas do palhaço.

E não, eu não vou meter muito spoiler aqui, sou legal e vou deixar você se foder pra descobrir. Ou não se foder, é bem capaz de vocês gostarem dessa jabiranga, tá todo mundo chupando as bolas da parada. Mas comigo é no popular: O negócio é médio. Eu fiquei tenso, claro. Mas eu fico tenso com microondas que demora a liberar a comida, então não conta muito. Sem contar que duas horas e meia de filme deixam a bexiga de qualquer um em polvorosa, e quem não fica tenso quando precisa dar aquela mijada?

O filme perde muito tempo pra introduzir o núcleo do personagem principal, Keller Dover: Sua família e vizinhos. Por motivos óbvios, já que ele é quem tem a filha sequestrada. O problema é que, por mais que os ideais dele estejam certíssimos e tudo mais, o método que ele segue é, no mínimo, questionável.

 Típica família de comercial de margarina.

E a coisa degringola: Tem paranóia delirante, tem a já crássica justiça com as próprias mãos, ou investigação paralela, chame como quiser. E a polícia indo pra outro lado. Que acaba não sendo tão errado quanto parece. Mas a demora da polícia acaba por comprometer as coisas. E, na boa, o filme tem coincidências demais pra ser levado a sério. Dá vontade de pegar o roteirista e dar na cara dele, gritando: UMA OU DUAS COINCIDÊNCIAS TUDO BEM, MAS BASEAR O FILME NISSO NÃO FICA LEGAL, ATÉ MINHA VÓ VÊ QUE TÁ FAJUTO!

Se bem que eu sou meio revoltado com essas coisas de filme que não me agrada. Ok, retomando. Se o filme fosse menos enrolado e menos dependente de coincidências felizes, ficaria maneiro. Talvez seja culpa da edição, que deixou passar coisa demais, ou cortou o que não devia, nunca saberemos.

 Porque discussões na chuva são muito relevantes para o andamento da história.

Mas nem só de reclamar eu vivo. Veja bem, a dualidade da história é um recurso muito interessante, evita que a história seja vista só por um lado, dando mais dinâmica na porra toda. Tem também o fato de que os personagens que tem tempo de tela [De verdade, não figurante de luxo] tem algum desenvolvimento, então você até cria alguma empatia com eles. Poderia ter sido dada uma maior ênfase nesse ponto, mas eu realmente acho que a edição não foi levada a sério. Sem contar que as ligações entre pessoas, acontecimentos e tal, que não são coincidências, fazem com que a trama ande, o que é bom pra caralho. E ainda são coisas relevantes, no sentido de conteúdo, não parece só baboseira específica do filme [Pode até ser, eu disse que não parece, não que não é].

Mas no fim é tudo uma metáfora sobre o governo americano foder vários direitos básicos da galera por conta da segurança e terminar no buraco, certeza.

Os Suspeitos

Prisoners (153 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 2013
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Aaron Guzikowski
Elenco: Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Paul Dano, Melissa Leo, Terrence Howard, Dylan Minnette, Len Cariou, Jane McNeill e Brad James

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