Os curtas da Disney são os melhores desenhos da atualidade

Televisão sexta-feira, 06 de novembro de 2015

Nos dias de hoje, quando se fala em “animação”, a mente das pessoas vai imediatamente pro 3D, sendo inundada por Kung Fu Panda, Frozen, Toy Story e vários outros, mas a verdade mesmo é que animação é qualquer coisa que use imagens para gerar um filme, ou seja, do parado ao movimento através da sequência de imagens interligadas, e por décadas e décadas a animação foi feita através do desenho.

Ainda com suas origens na pré-história, a animação ganhou mais importância no século XIX, sendo que suas bases modernas surgiram na França, não por coincidência, pátria também do cinema. No começo do século XX então surgem o que hoje são grandes clássicos: Betty Boop, Popeye e O Gato Felix. Até que, num belo dia de 1928, nasceu um rato. E bem, ele mudaria tudo.

Quase 90 anos depois e aqui estamos. Neste meio tempo, houve uma segunda guerra mundial, várias outras guerras ao redor do mundo, o ocidente e o oriente estão mais próximos que nunca e, de uma forma geral, os valores das sociedades estão cada vez mais próximos uns dos outros, e isso significa que, de forma geral, o mundo está ficando cada vez mais homogêneo. E este mundo homogêneo, tem uns cinco ou seis anos, decidiu que violência é ruim, fumar mata e que crianças não podem ver nada disso.

Você, velho de vinte e poucos anos, pode reclamar o quanto quiser, mas a verdade é que mesmo as gerações mais novas sabem muito bem qualé que era dos desenhos de “antigamente”: Pica-Pau, Tom e Jerry, Flintstones, Pernalonga, Coyote e Papaléguas, Droopy, Piu Piu e Frajola e até mesmo Scooby Doo fazem parte da vida dessa galera aí, ainda que não de forma tão assídua quanto de quem é mais velho. E cara, vou culpar o politicamente correto sim.

Todo mundo aqui se lembra de quando, uns anos atrás, foi anunciado que Tom e Jerry seria censurado por causa da violência, do racismo e do cigarro. E isso não foi só aqui não, mas nos EUA e na Europa também, e os gringos, tal qual nóis nós não gostaram nem um pouco disso pelo motivo óbvio que é idiota censurar uma obra de 60 anos de idade. Pra não falar nessa fiscalização moral, é claro.

E enquanto os desenhos animados clássicos eram deixados de lado, não pelo público, mas pelas próprias emissoras e canais, novos desenhos começaram a surgir. O legal dessa história é que não se pode culpar nem os anos 90 e nem os animes por nada disso… Aliás, os anos 90 foram a maior retomada da animação 2D que já tivemos, e os cartoons viveram muito bem ao lado das japonices todas. Não, o que começou a surgir foi este tipo de coisa aqui.

Eu não vou entrar em méritos específicos, mas a questão é que as coisas mudaram. Os estilos de animação mudaram, a estética, o público alvo, a própria produção dos desenhos em si. Qualquer pessoa que tenha dedicado uma manhã de domingo para a TV aberta uns dez anos atrás sabe que é extretamente fácil identificar um desenho da Hanna-Barbera, ou da MGM ou do Tex Avery, e que todos eles seguiam os parâmetros sociais das épocas em que foram feitos: É incrível como a hipocrisia consegue libertar uma sociedade. É incrível como uma mulher usar biquíni ou divorciar-se era mal visto, mas ao mesmo tempo podia-se falar abertamente sobre escravidão, comunismo e religião em horário nobre que ninguém ligava. A questão não era o que era falado, o conteúdo, opiniões e nem nada disso, mas a possibilidade de falar sem ninguém encher o saco por isso, ou melhor ainda, poder falar sem se preocupar se talvez o público vá encher o saco ou não.

E é por isso que o melhor desenho da atualidade é a série de curtas do Mickey chamada… Mickey Mouse. É, pois é.

Sim, é em francês mesmo.

Este aí de cinema é o primeiro episódio, que saiu em março de 2013. De lá pra cá, o troço virou uma série, estando atualmente na terceira temporada, tendo pouco mais de 40 episódios. Sei que alguns episódios já passaram no Disney Channel brasileiro, mas não sei como está a situação atual. Alguns dos curtas podem ser vistos dublados no site da Disney. No YouTube acha-se vários outros, mas em inglês. E se você for um pouco menos vagabundo tenho certeza que acha mais links pro troço nesta internet de meu deus.

Sim, originalmente em português mesmo.

E esses curtas são muito fodas. Eles mantém toda a estupidez absurda de uma animação, a física impossível, a mistura da ingenuidade com a esperteza, a violência como forma de diversão… Mesmo sendo do próprio Mickey os curtas vivem sacaneando a própria Disney, fazendo piada acerca de outros filmes e desenhos e de estereótipos que a Disney inventou. Sério, a trilha e os efeitos sonoros desses curtas são geniais, misturando tudo que é efeito típico dos velhos cartoons com a nova tecnologia. Aliás, a própria estética destes curtas são fodas pra caralho: Um excelente exemplo de como pode-se modificar e adaptar o visual de qualquer coisa sem perder o estilo e deixar de homenagear o visual clássico… Um baita exemplo pra tudo quanto é Scooby Doo novo que já fizeram.

Inclusive recomendo que vejam em inglês mesmo. Tá certo que eu acho dificílimo entender o Donald, mas porra, a dublagem original americana é simplesmente sensacional: Não lembro a última vez que vi personagens gritarem de medo, surpresa ou susto com tanta intensidade e genuinidade na voz. Além, é claro, de ter todos os grandes personagens da Disney extremamente bem representados aqui, passando desde suas origens até seus momentos mais recentes: É a melhor versão de todos eles que vi há anos, tanto nas obras oficiais quanto não oficiais da Disney.

Esses curtas não só me lembram os desenhos antigos e todos os recursos utilizados, mas também me joga diretamente pra Roger Rabbit: Encare estes curtas como uma versão menos cínica e sem sexo de Roger Rabbit, mas com toda a genialidade do mesmo. E, por mais incrível que pareça, do Mickey! Cara, qualquer um que tenha lido os quadrinhos da Disney sabe que o Mickey é chato pra caralho! Não só não é o tipo de coisa que se vê mais nos desenhos, como também é feito exemplarmente. É o tipo de desenho que você pode mostrar pros seus pais, pra tua vó e até praquele rabo de saia que te ignora: É o tipo de desenho que essa gente toda não vê desde que era criança. É o tipo de desenho que faz as pessoas gostarem de assistir desenho. Porque essa história de que as pessoas param de assistir desenho porque ficam mais velhas é pura besteira: As pessoas param de ver desenho porque criança é o público alvo dos desenho e criança do século XXI vive em redoma de vidro. Saia por aí perguntando se o seu tio-avô, que era pirralho na década de 60, não assistia ThunderCats, He-Man, Doug, Os Anjinhos, Animaniacs, Pinky e Cérebro, Cavaleiros do Zodíaco e todas essas porcariadas que todos assistimos tanto.

Se você cansou de desenho querendo ensinar o poder do amor, como manter relacionamentos, referências à cultura pop (Taí a grande frase clichê da última década), animações sem peso, desenhos “caricatos por escolha” (Vocês sabem, o típico visual lixo “mas que tem conteúdo”), e toda essa zona que a animação virou, clique nos links aí e divirta-se. Porque Mickey Mouse é desenho mesmo, com todo o absurdo que torna um desenho algo incrível e divertido, sem aventuras épicas a cada episódio, sem personagens secundários feitos para “roubarem o show”, sem a preocupação de dizer o que é certo ou errado pra quem está assistindo e sem stop motion/recorte de revista/animação 3D no meio (Porque animação mesmo nunca preciso de nada disso pra ser boa): O resto é autoajuda para idiotas fantasiada de entretenimento.

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  • Que desenho! Que texto!
    Conheci esse do Mickey na França assim que saiu, mas o do futebol também é sensacional.

    A única observação que eu faço é que procure o “Scooby-Doo! Mystery Incorporated” que saiu entre 2010 e 2013. Eles voltaram com o visual clássico, tem 52 episódios muito bons e ainda rolam muitas referências (incluindo flashbacks) do desenho de 1969. Vale à pena.

  • Loney

    Ah sim, Scooby Doo tem coisas recentes (da última década, vai) muito boas, mas outras tremendamente ruins

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