O Palhaço

Cinema quinta-feira, 27 de outubro de 2011

 Puro Sangue (Paulo José) e Pangaré (Selton Mello), pai e filho, são os donos do Circo Esperança e lideram uma trupe de artistas pelas estradas do país. Entre os espetáculos surgem as cobranças, todas em cima de Pangaré. Ele está exaurido e obcecado pela seguinte ideia: “Eu faço todo mundo rir, mas quem é que vai me fazer rir?”

Só pra deixar bem claro que esse filme não é sobre a minha vida nem nada do tipo, antecipando a piada. Na verdade, é uma comédia com toques de drama e tal, bem naquele esquema agridoce do palhaço mais triste do mundo, somado com um filho pródigo, um pé na bunda que talvez seja mais uma esperança que nunca se concretizou, sei lá. É uma suruba dos diabos, bem ao estilo circense. E não, eu não disse que nos circos role suruba nem que não rola, só quis dizer que os circos costumam ser assim, cheios de referencias e tal. E vamos concordar que um personagem sério e introvertido, que mal sabe se expressar é a cara do Selton Mello [É brincadeira, cara, não me bate!].

Pois bem, Benjamim é um palhaço, dos bons até, junto com seu pai, que é o dono do circo [E eu nem lembro se citam o nome verdadeiro], e como filho do dono, tem que cuidar dos pormenores que o pai não trata mais. Não que o pai fique lá, sentado na sombra e água fresca, aproveitando a gostosa lá companhia da Lola. Quer dizer, ele também faz isso, mas não é só isso. Eles são a dupla de palhaços que também é a atração principal do circo Esperança. E devo admitir que mesmo com piadas mais ou menos manjadas, os shows apresentados foram bastante engraçados. Mas, como eu disse, nem só de alegria vive o filme.

 Não, não é um frango de borracha na mão dele.

Benjamim tá numa crise de identidade fudida. Não sabe o que quer da vida [Exceto que quer um ventilador], não sabe como lidar com a angústia que aperta seu coração, não sabe lidar com os problemas do circo e os próprios. Ele não sabe nem se ser um palhaço é o que ele pretende. E como todo caso clássico de crise de identidade, ele apela pra máxima “bebe que passa”. Só que não passa, e piora a situação.

 “MENTSHIRA, EU NEIM BEBIH”

Tirando a história, que é melhor deixar quem tiver interessado descobrir sozinho, o filme conta com várias participações especiais, como Fabiana Karla [Que fazia aquela nutricionista n’A Praça é Nossa], Jorge Loredo [Zé Bonitinho sem peruca], Jackson Antunes [Não confundir com Jackson dos Pandeiros], Moacyr Franco, Tonico Pereira e Ferrugem. Tem também o cara que vende o mapa da Venezuela, mas eu também não lembro o nome do desgraçado. E cada uma dessas participações é um show a parte, em grande parte pela piada, já que não acrescentam em muita coisa no enredo [Exceto a da Fabiana], mas também pelas memórias que trazem à tona [Claro que se você não tem memórias, não vão trazer porra nenhuma].

 “Se fode ae, nerdaiada.”

Mas o importante é que o filme tem conteúdo, ao contrário de boa parte da produção de hoje em dia. Mas mesmo sendo uma comédia, não é pra criança. Pelo contrário, vale muito a pena a reflexão. Por que o rato come queijo, o gato bebe leite, e eu sou um palhaço.

O Palhaço

O Palhaço (90 minutos – Comédia)
Lançamento: Brasil, 2011
Direção: Selton Mello
Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto
Elenco: Selton Mello, Paulo José, Giselle Indrid, Larissa Manoela, Teuda Bara, Erom Cordeiro, Cadu Fávero, Maíra Chasseraux, Thogun, Hossen Minussi, Alamo Facó, Tony tonelada, Bruna Chiaradia e Renato Macedo

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