O Homem Duplo (A Scanner Darkly)

Cinema sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cara, esse filme é foda pra caralho. Mas parece que ninguém aqui no bacon percebeu isso até agora. Foi preciso que eu aparecesse aqui, em pleno ano de 2010, pra dar a essa obra o crédito que ela merece. Aliás, é basicamente isso que eu pretendo fazer nessa pocilga nesse maravilhoso site, até que resolvam me expulsar: Falar (Ou escrever, no caso) sobre essas coisas que eu (E muitas vezes só eu) considero fodas pra caralho, e são quase desconhecidas dos n00bs do público em geral. E de vez em quando também meter o pau nas merdas que vocês gostam. Mas chega disso, vamos ao que interessa.

O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por Philip K. Dick, mas como eu nunca li, vou ignorar qualquer relação existente entre as duas obras, se foi bem adaptado e todo esse mimimi.

A história se passa em um futuro não tão distante, onde uma parcela considerável da população se encontra viciada em uma droga chamada Substância D. Para combater o tráfico, o governo americano resolve invadir os países que supostamente cultivam a planta da qual a droga é sintetizada. Hum, eu já vi isso em algum lugar… Além disso, as pessoas têm todos seus movimentos vigiados por scanners, big brother style, também para impedir a proliferação da tal substância, claro.

Bob Arctor (Keanu Reeves) é um agente que trabalha disfarçado, com o objetivo de rastrear as fontes da Substância D, sob o codinome de Fred. Para isso, ele começa a comprar quantidades cada vez maiores da droga de sua namorada/traficante Donna Hawthorne (Winona Ryder), na esperança de que ela o leve a um distribuidor maior. Obviamente, ele acaba ficando viciado. E sofrendo com os efeitos colaterais, que incluem paranóia, inibição do sistema cognitivo e enfraquecimento da ligação entre os lados direito e esquerdo do cérebro.

 Ah, a boa e velha píula vermelha…

Tudo isso só piora quando Fred é designado para espionar Bob (Ele mesmo) e seus amigos Jim Barris (Robert Downey Jr.) e Ernie Luckman (Woody Harrelson), através de câmeras em sua própria casa. Agora vocês devem estar se perguntando: Mas como é que pode ser verdade uma porra dessas, hein Batima? Me explica essa porra! É muito simples, caros leitores: Ninguém sabe que Fred é Bob e vice-versa, devido a uma roupa especial que os agentes usam, que é… Ah, eu não sei explicar, vejam aí:

 Agora imagina isso se mexendo e mudando o tempo todo.

A partir daí, Bob vai se distanciando cada vez mais da realidade, enquanto busca entender por que, ou por quem realmente está sendo investigado. É claro que na verdade tudo faz parte de um esquema muito maior e talz, mas não darei mais informações pra não perder a graça.

Mesmo com um clima um quanto tanto sombrio, o filme tem vários momentos engraçados, principalmente por conta dos longos diálogos entre Bob, Jim e Ernie, todos devidamente viciados na Substância D. Destaque para Woody Harrelson, muito bem como sempre, e Robert Downey Jr. atuando pra variar, coisa que ele deve ter esquecido depois do Homem de Ferro. Ah, e pelas imagens vocês já devem ter percebido que o filme é todo animado em rotoscopia digital né… Se não perceberam ou não sabem o que é isso, vamos a Wikipédia:

Rotoscopia é uma técnica usada na animação onde usa-se como referência a filmagem de um modelo vivo, aproveita-se então cada frame filmado para desenhar o movimento do que se deseja animar.

O diretor Richard Linklater já tinha usado essa técnica de forma experimental no Waking Life, que eu nunca vi, nem comi, eu só ouço falar, mas no Homem Duplo ficou simplesmente espetacular. Casa perfeitamente com o estilo do filme e logo de cara já te deixa no estado dorgas mano (Não que eu saiba como esse estado realmente é, claro) que permeia o resto da história.

Enfim, o filme prende até o final, brincando com a linha entre ilusão e realidade ao alterar entre o ponto de vista dos personagens e o ”oficial”, é divertido e ainda nos convida a refletir sobre questões como: Somos realmente livres? Os fins justificam os meios? (Clichê, eu sei, mas ficou legal mesmo assim). Ah, e quem conhece um pouco da vida e obra do Philip K. Dick também vai encontrar umas referências bacanas. Mas esse texto já tá muito grande, então vai lá assistir o troço e tentar extrair/responder mais questões implícitas envolvendo O que um scanner vê? A mente? O coração? Meu interior, seu interior? Claramente ou obscuramente?

O Homem Duplo

A Scanner Darkly (100 minutos – Ficção Científica)
Lançamento: EUA, 2006
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Philip K. Dick, Richard Linklater
Elenco: Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr., Woody Harrelson, Rory Cochrane

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  • Jin

    Scanner Darkly é bom. Na verdade, o Linklater é um autor/diretor foda. Waking Life é clássico, e Slacker também tem um pouco da aura “dorgas manolo”, só que sem o sci-fi.

  • Jin

    Ah, também vale mencionar os romances Before Sunrise/Sunset e o claustrofóbico Tape.

  • Lil

    eu vi Waking Life e depois disso fiquei traumatizada com filmes feitos com rotoscopia… mas enfim.

    Waking Life eu achei uma porcaria, veja bem. Mas ele, ao contrário desse, não tem enredo (nem de longe). São cenas meio “soltas”.

  • Marina

    putz, “Waking Life” é muito bom. Não, não tem enredo. Mas não é esse tipo de filme. Não é um filme para você se divertir ou para entender. É para fazer pensar.

  • Lil

    eu achei bem fuleiro do ponto de vista do “fazer pensar”. É um apanhado de questionamentos filosóficos, sim, mas não precisava NÃO TER enredo pra fazer isso. Se eu quiser um resumo de filosofia, prefiro ler um livro e não ver um filme. Mas, claro, essa é a minha singela opinião.

  • Dianne A.

    É daqueles filmes que você tem vontade de ver até explodir.

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