O Futuro da Produção de Quadrinhos é VOCÊ

HQs sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Tenho pensado muito em quadrinhos ultimamente. Lido muito pouco (Lê-se “nada, tirando quatro ou cinco webcomics”), mas pensado muito sobre… É aquele tipo de coisa que ocupa a tua mente quando você não pode fazer mais nada: No ônibus, no metrô, no quarto depois de broxar. Nas horas em que ou você pode jogar um pouco da tua dignidade no lixo e tirar um cochilo sem ligar pra ninguém falando contigo ou pensar em alguma outra coisa qualquer, que te dê um momento de descanso do mundo ao teu redor.

 Todas as imagens deste post serão ruins por motivos de: Tá foda.

Como todos os meus interesses nessa vida, o por quadrinhos também é temporário, porém cíclico e intenso: Me interesso muito por um período curto, aí largo mão, fico distante, pra, tempos depois, voltar e começar tudo de novo. Tal qual o número de vírgulas na última oração, meu interesse pelas coisas é comum ao ponto de ser abrangente… Infelizmente ele também não é forte o suficiente para me prender por tempo suficiente para que eu faça algo realmente útil e proveitoso com ele, me limitando a ser muito mais um espectador ocasional que qualquer outra coisa.

Em bom e velho português, isso significa dizer que, normalmente, eu não termino as paradas… Claro que eu leio os trecos até o final, claro que eu gasto horas discutindo a parada inutilmente na internet e claro que eu sei disso tudo e não mudo bosta nenhuma, mas o fato é que eu já passei por isso tudo tantas e tantas vezes que, olhando pra trás eu não posso fazer nada além de me xingar a mim mesmo por eu próprio ser pessoalmente um merda em forma de gente… Ou quase.

Eu desenho desde criança… Acho que essa frase é extremamente batida, mas é a real. Absolutamente todos os meus cadernos de escola, cursos, faculdade e os caralhos tem desenhos em algumas páginas, rodapés e bordas. Fiz várias e várias daquelas animações basiconas nas folhas de apostila, criei personagens, fiz historinha, fiz ilustração… A primeira coisa que eu faço com papel e caneta na mão é começar a rabiscar (O que talvez diga muito sobre a forma que eu escrevo). Sei que essa história é comum, mas ela muda porque não vai nem pro “chegou um momento eu pensei que seria legal fazer isso pra viver” e nem pro “depois eu parei e não peguei mais”: Eu fiquei no meio.

Ainda desenho; comprei até mesa digital pra isso… Uso-a muito menos do que gostaria, e ainda sou muito melhor no método tradicional do que no digital. Enquanto eu não me empenhei o suficiente para ficar realmente bom na parada, também não larguei e deixei a habilidade deteriorar. Aliás, eu sou assim pra tudo: Música, escrita, desenho, jogos. Não é à toa que tem texto meu no Bacon de tudo quanto é área, e normalmente vários da mesma área em seguida.

E nessas últimas semanas a tal da “vida real” resolveu complicar as paradas pro meu lado (Aliás, pro lado de todo mundo acho), e os meus momentos de ócio que não podem ser aproveitados com algo realmente útil (Lê-se “fazer alguma coisa”) têm sido utilizados pra pensar em quadrinhos. Não ler mais, ou a situação da Marvel e da DC, sobre a Turma da Mônica ou ainda o melhor personagem brasileiro, Zé Carioca, mas sim sobre… Produção de quadrinhos.

Acho que não é segredo nenhum que todos nós aqui do Bacon flertamos (UI) com realmente fazer todo esse tipo de coisa, de podcast vídeo pra internet até livro, passando, é claro, pelos quadrinhos. Vira e mexe um de nós joga uma ideia pra galera… Ela nunca sai do lugar, mas a vontade tá alí, e isso já tem vários anos. Não é diferente comigo e com as coisas que eu tenho a falsa pretensão de fazer e, independente das desculpas todas que eu dou, acaba não acontecendo.

Isso porém não quer dizer que o assunto sai da minha cabeça, e nessas últimas semanas eu tenho lido e visto muito acerca da produção de quadrinhos aqui no Brasil… Que bagüio zika, lek. Tem que ser muito doido pra fazer quadrinho nesse país, e digo mais: Parece que tem mais gente fazendo essas paradas que gente lendo e comprando e discutindo as paradas… Tipo, é como se a coisa toda sobrevivesse na troca de dar like e seguir de volta entre os próprios artistas… Seria uma baita roda de punheta beijo, Jo se não fosse meio triste.

E a real é que eu não sei como resolver a parada; nenhuma ideia me parece a certa… Tá, e se mais gente comprasse gibi no Brasil…? E se mais gente discutisse gibi no Brasil…? E se tivesse mais apoio do governo e instituições culturais no Brasil…? Isso me parece mais um discurso de cartilha que um processo de recuperação, saca? É como se, magicamente, todos os problemas fossem resolvidos se os números fossem maiores. Feliz ou infelizmente eu não sou o tipo de gente que liga pra números… Só me dá problema isso aí, diga-se de passagem, mas é como eu gosto das coisas.

À bem da verdade, eu nunca estive por dentro da história: Nunca realmente desenhei, escrevi, editei quadrinhos, nunca participei do processo em ponto nenhum antes do treco chegar nas bancas, livrarias ou ser publicado na internet… Dos que eu vi, ou foi algo muito limitado ou foi de forma que eu sei que é diferente do padrão… Ou ainda do padrão do que é de fato publicado. Então a minha experiência é de consumidor, não de artista: Sei muito bem que fazer a parada é difícil, mas não sei o suficiente para tornar a coisa mais fácil do lado de lá, entende?

Então, em resumo, se você sabe, velho, divide a parada aí. A gente te paga umas breja mentira, te convida pro churrasco mentira… Quem sabe cê não ganha até uns brindes de graça mentira. E assim, o esquema não é views e compartilhar e fazer corrente, é botar a banca mesmo e dizer: EU TENHO UM BOM JEITO, USA SE QUISER, saca? Às vezes a humildade só te torna humilde.

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