O Espírito que Anda pode salvar o Superman

Cinema, HQs sexta-feira, 08 de dezembro de 2017

Apesar de eu não assistir mais filmes de super heroi (Muito menos séries) e ter reduzido enormemente o que eu leio de quadrinhos, o debate acerca da coisa toda é rotineiro aqui no Bacon por motivos de #somostodosputinhas: Não que a gente se esforce pra isso, mas os filmes de quadrinhos são o nosso futebol, eis a grande verdade. Nesse debate tem aqueles personagens que não tem filme ainda… E os que a gente queria que não tivesse tido.

 No meio disso tudo, tem o Fantasma.

Cara, o filme do Fantasma… É provável que cê que tenha começado a gostar de quadrinhos por causa do Bátema do Nolan não saiba que tem um filme do Fantasma… Porra, é provável mesmo que cê nem saiba que existe um personagem chamado Fantasma que não anda de moto, é uma caveira e esteja em chamas. Mas a questão é que o personagem existe, e lá em 1996 fizeram um filme com ele.

E o filme foi uma desgraça. Foi reescrito várias vezes, foi cancelado e descancelado várias vezes, trocou de produtor, roteirista, diretor, e teve várias e várias e várias cenas cortadas: Em resumo, não foi a produção mais fácil. O filme foi mal nas bilheterias (Depois fez sucesso no vendendo fita cassete e DVD, mas não que isso mude alguma coisa), o suficiente pra impedir o treco de se tornar uma série e matar o personagem pra Hollywood. Os mais velhos vão se lembrar que lá em 2010 até rolou uma minissérie:

Que – grassazadeus – eu nunca assisti e nunca vou; e que também não levou à nada. Claro, já teve conversa de reboot e os caralhos, mas até o bagulho acontecer mesmo tem muito chão pela frente.

Como eu já devo ter falado aqui no Bacon em algum lugar, o Fantasma é um dos personagens que eu mais li quando mais novo: Tenho uma das coleções completas aqui em casa, e à bem da verdade é um dos principais responsáveis por me mostrar que quadrinho não é Disney e Turma da Mônica, nem coisa de criança. O quadrinho todo tem aquela aura de aventura (Afinal, é um quadrinho dos anos 30 e aventuras em lugares exóticos era a moda) mas ao mesmo tempo mostrava que lição de moral é “ditadura é errado e escravidão também” ao invés de “divida seu lanche com seus amigos”.

Deve ter uns bons 10 anos que não vejo o filme de 1996, e pouco menos que isso que leio os quadrinhos: A última vez que vi o filme achei uma porcaria assistível; a última vez que li um quadrinho vi que eu tinha ficado com mais cagaço duma mão cortada e preservada num jarro do que do lobisomem da história. Minha opinião pode facilmente mudar se eu for ver as duas coisas novamente, mas isso não muda as experiências que eu já tive com ambas… Ou a memória dessas experiências.

Nesses 10 anos filmes de quadrinhos voltaram à moda, personagens dos anos 30 ganharam nova relevância (Ainda que com atualizações) e do que a gente tanto reclamou lá em 2000 com o filme dos X-Men agora faz sucesso… A real mesmo é que eu acho que pode muito bem ser uma boa hora pra fazer um novo filme do Fantasma.

 Aparentemente este é o Kit Walker que a galera conhece hoje.

Pensa só: O personagem tem tudo que a gente já disse que seria uma merda no cinema, mas que hoje funciona perfeitamente. Uniforme tosco colorido? Sim. Nenhum super poder? Sim. Um monte de penduricalho que dá fácil fácil pra transformar em brinquedo? Sim. Companheiros animais pra galera fazer meme? Sim. Personagens femininas pra galera chamar de ídolo feminista? Sim. Tiro, porrada e bomba porque violência é maneiro? Sim. Mistura de elementos realistas e fantásticos só pra mudar o ritmo de vez em quando? Sim. Cueca por cima da calça?

 SIM CARALHO

O Fantasma é um personagem mais foda que o Justiceiro, mais tradicional que o Batman e muito menos tosco que a gigantesca maioria dos personagens secundários que a DC e a Marvel tão jogando no cinema porque comprometeram os outros personagens principais em vendas dos direitos de imagem. O que eu tô dizendo é: Tudo que deu errado no filme de 1996 pode muito bem funcionar hoje em dia, de modo que o personagem não só ganha relevância novamente, mas que ainda seja uma mudança no status quo do cinema de super heroi atual. Talvez o que o cinema precise seja realmente do Fantasma, ou do Rocketeer ou ainda do (Com o perdão de Will Eisner) personagem merda que o Spirit é… [Nota: Já teve filme do Spirit, e foi ruim. Muito, muito ruim] Talvez o cinema de super heroi precise dos quadrinhos de pirata pra sobreviver à esse monte de laser, gadget e firula mágica que rola atualmente.

Tem umas duas semanas que eu falei pro Pizurk que não sentia falta alguma dos filmes de super heroi, e que não conseguia pensar em nenhum personagem ou série de quadrinhos que me fizesse voltar assistir as paradas: Taí, esse personagem é o Fantasma… Até porque não rola um filme da Mafalda, do Níquel Náusea, do Overman, (Outro) do Asterix e Obelix e muito menos do Zé Carioca.

Porra, taí, eu assistiria fácil um filme do Zé Carioca, foda-se o Fantasma.

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