Nosso personagem gay, negro e autista ainda pula

Games quarta-feira, 02 de agosto de 2017

Já tem um par de semanas que eu venho dividindo o meu tempo ler mais sobre RPG e jogar Factory Idle, sendo que vez ou outra surge um Dishonored, Papers, Please ou o PS2 aí no meio, e eu me peguei pensando onde exatamente os jogos vão parar no futuro…

“Videogames” estão por aí desde os anos 50, mas foi só nos anos 70 que a coisa deslanchou mesmo e que viria a se tornar o que temos hoje: Computadores, consoles, TV, mecânicas, gameplay, joysticks, saves e tudo mais. Desde os anos 70 os dois grandes pontos de evolução dos videogames foram os gráficos e suas mecânicas; história, controle, multiplayer e todo o resto foram adições bem vindas, porém secundárias: Hoje, por exemplo, podemos fazer nosso personagem pular. No início dos anos 70 não dava pra pular… Porque cê não tinha personagem. Já fazem mais de 40 anos desde os primeiros consoles, e houve muita evolução em todos os aspectos, mas apesar de isso ser muito legal, muito bonito, muito cheiroso e muito interessante, já é passado.

Atualmente estamos na oitava geração dos consoles, mas o que temos hoje começou lá na quinta, em 1994, com o primeiro PlayStation. O primeiro Xbox viria só anos mais tarde, em 2001… Isso já tem dezesseis. O Xbox já pode votar. O Wii viria em 2006, ou seja, mais de uma década atrás. Nos portáteis atualmente temos os Nintendo 3DS XL e 2DS XL e o PS Vita: O DS original é de 2004, o PSP também. O fato é que a “geração atual” dos jogos começou em 2006, quando finalmente todos os elementos presentes hoje foram lançados originalmente. Nas quatro primeiras gerações isso simplesmente não ocorreu. O que chegou mais perto foi o NES/SNES e o Atari 2600/7800.

Definitivamente não paramos de evoluir, inclusive pode-se dizer que muito mais mudou entre o PS1 e o PS4 que entre o Odyssey e o Mega Drive, e não só nos elementos técnicos (Tanto hardware quanto software) mas em filosofia de criação de jogos (E suas respectivas plataformas): Hoje o debate é homofobia nos jogos, quarenta anos atrás era se tinha diferença acertar a bola o pixel com o meio ou a ponta da barra branca.

 Toda pessoa de bem sabe que a resposta é “sim”.

Eu sei que é muito fácil olhar pra trás e dizer que é “óbvio” que o caminho a ser seguido seja o que de fato foi seguido… Aliás, isso muito provavelmente tem um nome e uma página da Wikipedia. Mas como isso aqui não é um meta-debate, a pergunta que eu faço é: Alguém acredita que realidade virtual seja o futuro dos videogames? Ou quem sabe realidade aumentada? A final derrota dos controles em favor da captura de movimentos?

O que eu quero dizer é: Vamos continuar melhorando os gráficos e as mecânicas, vamos continuar criando novos tipos de jogos e sistemas conforme a tecnologia for avançando, e talvez de fato realidade virtual seja a resposta, ou talvez 100% de uso de telas touch seja, mas independente de qual vai ser a tecnologia predominante de dez anos no futuro, a gente ainda vai ter um PlayStation? Ainda um Xbox? Wii? DS, PSP?

Isso aqui não é um PC Master Race, e sim o fato de que começamos a usar o que temos hoje há VINTE E DOIS ANOS. E eu não vejo ninguém fazendo jogo retrô de PS1, cara. Nintendinho? Atari? Game Boy? Tem tudo à rodo! Até de DreamCast e GameCube tem! E ambos são da mesma geração do PS2!

Desde a sétima geração, quando todos os consoles atuais finalmente estavam juntos numa mesma geração, a gente não teve nada memorável. Eu não quero dizer que não tivemos jogos memoráveis, mas eu não acho que alguém vá olhar prum 360 e sentir nostalgia… Cresci jogando emulador de N64 e GameBoy, e eu acho esquisitíssimo que emulador de geração atual só funciona enquanto a geração dura…

Eu tô velho. Eu acho que realidade virtual é um gimmick tanto quanto TV 3D. Eu não aguento mais a Microsoft, a Sony e a Nintendo. Eu não acho que o PC seja uma resposta pros videogames, muito menos o Steam, Origin ou qualquer outro do tipo. Os jogos no celular são uma vergonha generalizada. Eu tô velho, e pode ser a cachaça a tia-velhice batendo, mas neste momento os videogames estão parecendo tão arcaicos quanto eu.

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