Millenium (Backstreet Boys)

Música segunda-feira, 03 de junho de 2013

Sim, essa é uma resenha séria! Eu juro, não to de sacanagem. Millenium foi o álbum que eu mais ouvi na pré adolescência, de longe. E fazia tempo que não ouvia, provavelmente uns 11 ou 12 anos. Mas agora que comecei a dançar para perder o peso extra que tenho desde que nasci adquiri nesse fim de faculdade, relembrei com muito carinho das músicas dos rapazes. Ouvir novamente os hits me fez bem, me trouxe um sentimento muito gostoso. Apesar do reminder de como estou ficando velha rápido, fui buscar nas minhas tralhas e achei o CD praticamente intacto, com encarte e tudo. Queria ter envelhecido tão bem quanto ele. Provavelmente os Backstreet Boys, que já estão na faixa dos 40 anos e não são mais boys já faz um tempo, também. Se você deu aquela embarangada na última década, como eu e eles, aperta o play e vem viajar nesse balão:

Em 1997, eu tinha 9 anos de idade e as meninas da minha idade só não eram apaixonadas pelos Backstreet Boys se não os conhecessem. Descobri o grupo quando fazia aula de inglês na Cultura Inglesa e a professora colocou o clipe de Quit Playing Games (With My Heart), do primeiro álbum deles de 1996, no fim da aula. Foi aí que eu, definitivamente, descobri que além de adorar inglês, adorava garotos. Mas eles não eram só bonitos, eram talentosos também. Tinha, além da discografia inteira, pilhas de VHS com shows deles e eu ficava vidrada, porque eles não faziam playback, faziam versões acapella belíssimas e eu ficava abismada com a capacidade de dançarem como dançavam sem perder o folego. Quando o Millenium foi lançado, eu estava vivendo minha primeira fossa. Então, intercalando com meus soluços solitários, ouvi o CD de cabo a rabo umas 100 vezes, até nunca mais tocá-lo no meu falecido micro system. Black & Blue, de 2000, foi presente da minha mãe. Mas como nessa época já estava em outra vibe, ouvindo Black Sabbath, Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, não dei muita bola. A fase das boy bands passou, mas nunca esqueci e nem reneguei esse meu lado. Bem, só pra todos os amiguinhos da escola que respeitavam a “Janis” e não a fã enlouquecida de pop.

Ouvir hoje, depois de mais de 10 anos sem tocar uma faixa sequer, com exceção de I Want It That Way, foi uma experiência assombrosa. Isso porque eu ainda lembro das letras do álbum, mesmo das faixas que nem lembrava que existiam, sem nem precisar de cola. Senti também o cheiro do meu antigo apartamento, lembrei das paredes rosas há muito esquecidas e de como gostava de ouvir música abraçada com a minha, já falecida, cachorrinha. É óbvio que não dá para comparar Millenium com meus álbuns favoritos, como Closer to Home do já citado Grand Funk ou Bookends, dos monstros Simon and Garfunkel. Propostas, técnicas e décadas diferentes. Mas não posso dizer que o terceiro álbum dos Garotos da Rua de Trás é ruim, é apenas diferente do que hoje sou acostumada a ouvir.

 Nick lindo.

Ao contrário do ano de 1999, foi impossível ouvir o álbum inteiro. Muitas faixas me soaram melosas demais, insuportáveis demais. No entanto, fiquei em um loop eterno e apaixonado nas faixas boas. Larger Than Life abre o Millenium de forma animada. Ótima para dançar, fica grudada na sua cabeça como chiclete gruda no cabelo. Posso classificá-la como um karma, porque nem lembro quantas vezes ouvi antes de passar para a segunda faixa, o hit máximo do CD, I Want It That Way. Lembro que achava a letra linda, que me fazia pensar no menino que eu gostava. Na verdade era um diferente a cada semana, era um projeto de adolê muito volúvel. Enquanto a melodia é bonitinha mesmo e gostosa de ouvir, além das vozes dos rapazes que se encaixam perfeitamente, a letra é muito, muito ruim mesmo. Talvez mais do que isso, é sofrível. Fala, fala e não diz nada. Mas abstraíndo isso, é a música mais agradável comercialmente e, no mais, boa pra tocar no fim da aula de dança.

Show Me The Meaning Of Being Lonely, a terceira do álbum, sempre achei a mais chatinha, mas hoje acho muito bonita. A letra dessa é bem melhor do que das anteriores e o clipe é uma coisa deprimente de dar dó. As vozes de cada um ficam muito claras e o que sempre gostei neles foi a facilidade de identificar quem era quem nas músicas. Mesmo o Nick e o Brian tendo sido os “líderes” eleitos pelas meninas, é fácil identificar e reconhecer as participações dos outros três, diga-se de passagem, subestimados. Don’t Want You Back é, definitivamente, sexy. Já achava isso antes de saber o que significava. Uma pena, pena mesmo, o AJ ser o cão chupando manga, porque a voz dele é uma delícia. Talvez nem precisasse nascer de novo, parar de pintar as unhas de preto já contribuiria para isso. Mas se ele tivesse a carinha do Nick com a voz que tem, ia ser o sucesso absoluto do grupo. Aliás, a voz do loirinho, que eu gostava tanto, se tornou uma agulha para meus ouvidos com o passar dos anos. Vomitante.

Spanish Eyes e The One foram as últimas que consegui ouvir, porque as outras 6 são muito, muito chatas mesmo. Ou seja, 50% de aproveitamento. Para The One a palavra gostar é muito forte. É uma música OK. Com o passar dos anos não melhorou nem piorou. Mas Spanish Eyes é divina e, hoje, a minha favorita do Millenium. É uma balada pop de muita qualidade e precisei adquirir certa maturidade para apreciá-la como merece. Nunca tinha reparado na voz linda do Howie D, o Backstreet Boy sempre esquecido, que não é reconhecido na rua e não é o favorito de ninguém. Se ele tivesse tido mais destaque ao longo dos anos, provavelmente seria a voz mais linda do grupo. Até o Nick está tolerável nessa faixa, gosto como ele canta a passagem dele sem a afetação de sempre. Mas para mim o mérito é todo da melodia, cheia de romance e melancolia, composta por Andrew Fromm e Sandy Linzer.

Eu me pergunto se as pessoas viam Backstreet Boys, Nsync e Five como hoje vemos Justin Bieber, One Direction, Emblem3 e similares. Me pergunto se os irmãos mais velhos das minhas amigas zoavam os quartos repletos de pôsteres, as camisetas e as pilhas de Capricho que guardávamos, ou o que meu pai pensou quando pedi para ele me levar para vê-los no Hotel Meridien, pedido que ele prontamente rejeitou antes de ir dormir. Me solidarizo com as fãs do Bieber e acho, sinceramente, que ele não deve ser tão ruim quanto todos dizem que ele é. Se o Millenium fosse lançado hoje, provavelmente não compraria, tampouco tomaria conhecimento Mas música boa não é só uma questão de técnica, originalidade, qualidade vocal ou instrumental. Uma música boa te transporta, te toca. Backstreet Boys me eterniza em um tempo que passou e que foi maravilhoso. Me faz sentir gosto de biscoito Fofy (ALÔ, NABISCO, QUERO SENTIR ESSE SABOR DE NOVO! QUEBRA ESSA!) e o cheiro do perfume Taty, que eu costumava guardar no armário do quarto rosa que, hoje, também já não existe mais.

Millenium – Backstreet Boys


Lançamento: 1999
Gênero musical: Pop
Faixas:
1. Larger Than Life
2. I Want It That Way
3. Show Me The Meaning Of Being Lonely
4. It’s Gotta Be You
5. I Need You Tonight
6. Don’t Want You Back
7. Don’t Wanna Lose You Now
8. The One
9. Back To Your Heart
10. Spanish Eyes
11. No One Else Comes Close
12. The Perfect Fan

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  • Eduardo Le

    Um dos melhores albuns que já conheci!

    Lembrei da minha época que eu adorava dançar as músicas deles!

    era muito bom!

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