Mestre ou Farsante

Primeira Fila sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não fazem nem 10 anos do lançamento de O Sexto Sentido, lançado em 1999, e de lá para cá, Bruce Willis continua sendo astro do primeiro time de Hollywood (agora, escolhendo melhores suas participações), Haley Joel Osment deixou de ser O menino-prodígio e desapareceu da mídia e, a grande dúvida que permaneceu, afinal de contas, seria M. Night Shyamalan (diretor e roteirista do filme) o herdeiro do trono pertecente a Alfred Hitchcock, O Mestre do Suspense?

A pergunta parece que irá demorar um pouco mais para poder ser respondida, neste final de semana estréia Final dos Tempos, oitavo filme do jovem cineasta indiano. Desde o sucesso estrondoso de O Sexto Sentido, que acabou virando fonte para cópia de diversos outros suspenses sobrenaturais nesta década – e quem já não fez referência a famosa frase “I See Dead People”, dita no filme? – o diretor tem aproveitado/sofrido com a valorização de seu nome em Hollywood, como se fosse o novo Midas do gênero.

Se tem um aspecto que se repete em sua filmografia desde O Sexto Sentido, além dos famosos finais surpresas, é o retrato de temas que parecem sempre ilustrar o confronto entre a ciência e a fé, ou como em seu último filme, A Dama na Ígua, a crença (fé) no mundo fantástico ou no mundo real. No entanto, algo que não se pode dizer de Shyamalan é que falta originalidade em seus roteiros. Reparem no seu filme de super-heróis, Corpo Fechado, erroneamente vendido como um filme somente sobrenatural – vai dizer que você já havia visto coisa igual?

Sou um pouco suspeito para comentar sobre os trabalhos do diretor porque mesmo em seus filmes onde a trama não parece corresponder com minha expectativa (vide Sinais e A Dama na Ígua), o cineasta possui uma capacidade de criar um clima tão angustiante e sombrio como pouco se vê atualmente (em tempos de edição picotada). Ao mesmo tempo, chama a atenção sua suposta arrogância lhe reservando participações em seus filmes, inicialmente em pontas, mas em seus últimos filmes papéis razoavelmente importantes, quando se observa que seu talento é mesmo atrás das câmeras ou do roteiro (isto quando não viaja demais).

Após O Sexto Sentido, as bilheterias de seus filmes vêm caindo seguidamente (foram: Corpo Fechado, Sinais, A Vila e A Dama na Ígua), apesar de ainda serem considerados sucessos. O nome do diretor já não é mais uma unanimidade em Hollywood, inclusive o próprio escreveu um livro relatando os bastidores de sua briga com produtores do estúdio do qual era contratado, e isto não pega bem num meio tão corporativo como a indústria cinematográfica.

Se Fim dos Tempos não colocar a carreira de Shyamalan nos trilhos novamente, algo que acredito que não ocorrerá devido aos primeiros comentários que tenho lido, o cineasta ainda terá a chance de ser o provável diretor da adaptação cinematográfica de Avatar, para alegria ou desespero dos fãs da animação.

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