Memórias de Minhas Putas Tristes – Gabriel García Márquez

Livros terça-feira, 02 de novembro de 2010

Gabriel García Márquez figura no meu rol de autores preferidos desde que li Amor em Tempos do Coléra, um livro que até então eu namorava nas prateleiras da biblioteca, mas sem coragem de ler. Acho que por causa do tanto de letras que tinha. Veja bem, eu tinha apenas 14 anos quando tive meu primeiro encontro com esse autor.

Após esse encontro tão procrastinado, me vi em uma busca incessante por seus livros, até que li sobre o lançamento desse livro: Memórias de Minhas Putas Tristes. Aí foram diversas idas às livrarias, até que o encontrei numa biblioteca não tão perto de casa. E aí começou mais um caso de amor com esse escritor.

Memórias de Minhas Putas Tristes foi escrito em 2004, e publicado em outubro do mesmo ano nos países de lingua espanhola. Foi traduzido para o português por Eric Nepomuceno e publicado pela Editora Record em 2005. A história inicia no dia do 90º aniversário de um cronista musical de uma pequena cidade desconhecida. Seu maior desejo de aniversário é uma noite de amor com uma adolescente virgem, e para isso pede ajuda a uma velha amiga dona de bordel, que lhe arranja tal moça. Porém, na hora em que ele vê a moça dormindo, não tem coragem de acordá-la, e apaixona-se por uma “bela adormecida”. O livro segue então a história desse amor, misturado com as memórias de suas paixões. Esse amor inesperado desperta no coração do até então apático jornalista uma chama que transborda em sua vida e seu modo de escrever, dando a ele um novo motivo para a vida, que ele pensava já ter se extinguido ao chegar em seus 90 anos.

As reminiscências de tal senhor refletem algo bem presente em uma sociedade como a nossa, que preza pelo vigor da juventude e a inevitabilidade com que a velhice precede a morte, como se fosse uma lenta preparação para o suspiro final. Ao descobrir, juntamente com o protagonista, que velhice nada mais é do que um estado mental, podemos perceber que ela não é uma morte em vida mas sim uma continuação de nossas experiências de juventude.

Gabriel García Márquez consegue, com esse livro, reafirmar o seu merecido Nobel e nos leva através de uma narrativa leve e construída com destreza por um passeio não somente aos pensamentos e desejos do personagem, mas também a um passeio por uma chance de libertação da estigma que o envelhecer traz consigo. Uma narrativa apaixonante, sentimental, irônica, sábia e implacável, características que me fizeram apaixonar por este escritor.

Livro altamente recomendado, tanto por seu caráter reflexivo quanto por suas características ficcionais, que entretem de forma que o tempo passa rapidamente quando se está devorando cada uma de suas páginas.

Memórias de Minhas Putas Tristes


Memoria de mis putas tristes
Ano de Edição: 2005
Autor: Gabriel García Márquez
Número de Páginas: 132
Editora: Record

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  • Lil

    Ainda não li esse, mas O Amor nos Tempos do Cólera é muito lindo *O*

  • Rayssa

    é o meu próximo livro pretendido! já apreciei também Amor em Tempos do Cólera, assim como o filme! recomendo ainda Cem Anos de Solidão que, apesar de extenso, se prende as mãos e aos olhos de tão interessante narrativa com o característico tom erótico natural e abrangendo os temas sociais reais, fazendo jus ao renomado autor!

  • Não sei o motivo, mas são consegui gostar desse livro. Pra mim, “Cem anos de solidão” deixa esse no chinelo.

  • João Pedro

    cem anos de solidão deixa metade da literatura universal no chinelo. a outra metade ou chega perto ou passa por muito pouco.

  • Edson

    Apesar de até ter gostado deste livro (já o li faz uns bons anos, por sinal), não o achei tão bom quanto o “Do amor e outros demônios”, que foi o primeiro livro que li dele e considero excelente.
    Ainda não li “Cem anos de solidão”, mas espero fazê-lo em breve (esperando chegar).

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