Livre (Wild)

Cinema quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

 Depois da morte de sua mãe, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) se afasta da família, passa usar heroína e seu casamento desmorona. Quatro anos depois, aos 26 anos, ela toma a decisão mais impulsiva de sua vida: caminhar mais de 1500 quilômetros pela costa do oceano Pacífico em busca de autoconhecimento.

Como não poderia deixar de ser, não se trata de uma obra original, é a adaptação do livro Livre – A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço. E o fato desse não ter sido o primeiro livro de Cheryl Strayed me deixou levemente cabreiro sobre a veracidade dos fatos descritos na história de Livre. Oras, vai saber se ela não aumentou ou mesmo inventou coisas pra preencher lacunas, ou mesmo tornar a história insossa mais interessante? Se bem que eu só vim a tomar ciência disso depois de assistir o filme, e durante a exibição pareceu tudo totalmente crível, como não poderia deixar de ser em uma obra hollywoodiana biográfica padrão.

Mas isso não é importante. O importante é: Meu deus, como a Reese Witherspoon é anã. Sério, foi só nesse filme que eu me dei conta de que ela é um toco de amarrar jegue. Mas isso não é relevante pro filme, acho.

O que importa pro filme é o seguinte: Não é exatamente uma história linear. Digo, a história é linear, ela não é contada de forma linear. A narrativa é feita com aquele velho conhecido, o flashback. O problema é que o bagulho é usado em excesso, deixando a bagaça meio confusa pra quem não consegue acompanhar esse tipo de vai-e-volta. Digamos que talvez seja mais preciso afirmar que a narrativa se apoia nos flashbacks, ao invés de usá-los.

Cheryl [Que não se chamava Strayed, e mudou de nome por conta do divórcio. Leis americanas, cara.] teve problemas com a mãe, mas gostava muito da mãe. Teve problemas com o marido, mas traiu ele. Teve problemas com o irmão, mas ele era um babaca que tava fugindo das coisas. Ou seja, ela teve problemas como todo mundo, e acabou caindo nas dorgas. A diferença é que ela não teve que dar um grande salto pra sair delas. Nem mesmo um pequeno, no fim das contas. Foi o marido dela que puxou ela pra fora, se você for ver bem. E olha que ela tava cagando na cabeça dele, traindo adoidado. Ou seja, de certa forma ela foi muito é sortuda. Não tão sortuda a ponto de salvar o casamento, porque chega uma hora que ninguém guenta, mas a ponto de ter uma chance de recomeçar. E o que ela faz pra recomeçar? Gasta o resto de dinheiro que tem comprando coisas pra fazer uma pequena caminhada de meros 1770km [Acho que é isso, ela andou umas 1100 milhas] pela Pacific Crest Trail, uma rota que vai de norte a sul [Ou vice-versa] da costa oeste dos Estados Unidos.

 Não que ela tenha andado tudo, mas a PCT inteira é isso aqui. Não lembro onde ela começou, mas parou em Portland.

Mas, a despeito de todas as cagadas, a trilha foi um lugar de redenção. De perdão. Não dos outros, mas dela mesma. É claro que é uma puta babaquice de auto-ajuda, mas não deixa de ser verdadeiro: Se você não se perdoar, não adianta nada ter o perdão alheio. E convenhamos, quando cê passa três meses andando, sem conhecidos, sem muita mordomia, algumas coisas tomam suas devidas proporções. Não que eu já tenha passado por isso, mas imagino como seja.

Livre

Wild (115 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 2014
Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Nick Hornby, baseado no livro de Cheryl Strayed
Elenco: Reese Witherspoon, Gaby Hoffmann, Laura Dern, Thomas Sadoski, Michiel Huisman, W. Earl Brown, Kevin Rankin e Brian Van Holt

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