Ligeiras meditações sobre as comédias nativas

Cinema segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tava pensando no cinema nacional outro dia. Nada muito profundo, nada muito desenvolvido: Não só não tenho conhecimento pra isso como também era algo momentâneo, uma simples ideia a qual dediquei um ou dois minutos e só. E como eu não tenho uma ideia melhor para texto, vamos nisso mesmo.

 Não tou com saco pra procurar imagem decente.

Há quem diga que o cinema nacional é uma merda. Pode ser, sei lá. Todo país cuja produção cinematográfica é minimamente relevante (E aqui incluo até mesmo filmes de garagem, extremamente amadores) tem suas boas obras, e tem também as porcarias. Entre os maiores e/ou mais comemorados, há o norte-americano, o francês, o indiano, o israelense e, de certo modo, o Brasil taí também… Exceto a Argentina, lá é uma merda mesmo. Mas o ponto aqui não são as diferenças e igualdades entre eles, nem seus estilos, técnicas, focos e o caralho à quatro. Neste exato momento, estou cagando tanto para blockbusters cheios de explosões e interpretações de merda quanto para um filmes israelenses intimistas super densos e com uma fantásticas histórias sobre absolutamente nada acontecer na tela.

Não, meu raciocínio foi muito simples:

Por que as comédias nacionais são uma merda?

Hmm… A comédia na TV é uma merda, já que deve atingir um público grande e as emissoras tosam a porra toda. Então, no cinema, os caras tem a chance de fazer algo diferente, coisas que eles querem fazer, e o fazem do jeito que querem… Mas os filmes são ruins.

Porque, afinal, o filme tem que vender, para que eles possam fazer outros filmes, e prum filme vender, ele tem que atingir um grande público. Logo, o troço deve ser, também, algo mediano, para que “o grande público” consiga consumí-lo.

Viram? Rápido, simples, direto. Nada de firulas, nada de considerações, nada de amplas pesquisas… Às vezes acho que essa galera de cinema sofre de uma total incapacidade comunicativa, por isso falam tanto sem falar nada. Interessantemente aplaudem caras que odiariam fazer um filme de mais de duas horas, enquanto assistem filmes de três.

Mas divago. O resultado da minha incursão foi bem simples: Não é o cinema, como mídia, que atrapalha o resultado final das comédias, mas sim a vontade de continuar fazendo comédia. Faça uma comédia genial e viva o resto da sua vida no ostracismo: Funciona, todo mundo vai gostar e cê pode até ganhar um troféu joinha de papel machê de alguma faculdade de cinema. Uns 30 anos depois que você morrer, nego degladiará na internet dizendo que você foi injustiçado, sendo um gênio esquecido pela massa… E será verdade, mas debater isso na internet é triste do mesmo jeito.

 Não entendo como tem gente que reclama do Adam West.

Minha mente também me lembrou do Frat Pack, cês sabem, Will Farrel, Jack Black, Owen Wilson, bem como para o Adam Sandler e aquele outro cara lá, e finalmente para o Seth Rogen, o Jonah Hill e quem mais você quiser botar aí no meio. Claro, é um cenário diferente aqui e nos EUA, mas até certo ponto, mercado é mercado, aqui ou no cu do pratiarcado Obama.

Creio que tanto para os comediantes nacionais quanto os gringos seja a mesma coisa: Fazer um filme, vendê-lo, fazer outro filme. Ao mesmo tempo que o cinema funciona como uma fuga da TV, dando uma maior liberdade, um público diverso e possibilitando novos experimentos, a (Na prática) obrigatoriedade do filme vender restringe essas possiblidades, e, curiosamente, restringe do mesmo modo que a TV: Usando um público-alvo muito grande. Ou seja, de um lado há a liberdade que o cinema dá, e na outra há a cobrança de o filme se vender.

No fim das contas, é uma puta falta de culhões: É jogar no seguro. O filme em si será uma merda, mas garantirá a próxima merda, então tá tudo bem. É um grande risco botar aí uns 6 milhões de reais em jogo, se der errado, fudeu geral, MAS EI, pode dar certo. Acontece que ninguém está disposto a arriscar, e quem paga o preço é o espectador (Literalmente), o “cinema nacional” como um todo e a comédia, que fica triste com isso tudo (TUDUM TSHHH): Tão te enrabando, véi, cê tá sentindo, só não sabia se esse era o nome certo… E se eu tivesse seis milhões, eu arriscaria? Claro que não, eu investiria em algo inteligente e não em cinema.

 Aí sim o investimento é garantido.

Claro que há outras formas, outros formatos, locais e estilos que os comediantes podem recorrer: O stand up não está mais naquele auge, mas vai bem e a internet está num ótimo momento pra comédia (Porta dos Fundos é um saco, aceitem). Enfim, nunca houve tanta oportunidade para a comédia quanto hoje. E não me venha com Trapalhões e TV Pirata: Fala um desses filhos da puta que fazem um trabalho relevante e decente hoje em dia.

Encerro, portanto, com aquela consideração babaca: A comédia nacional é ruim porque é conservadora. Há muito dinheiro envolvido, e no caso de um fracasso, se perde muito, desde a chance de “continuar fazendo o que gosta” até “o apoio de uma parte dos fãs”. Porque, de um jeito ou de outro, o público é que vai ditar como a coisa é e será: As comédias nacionais são ruins, mas dentro dos seus padrões, vão bem nas bilheterias. Talvez por falta de informação, talvez por falta de escolha, talvez só de sacanagem mesmo, mas dá certo. Não é uma questão de amor e ódio, e sim de puro amor: Destruir o cinema e a comédia por gostar de fazer cinema e comédia… Ou só de ódio. Porque sério, cê tem que detestar muito alguma coisa para fazê-la da pior forma possível, só para continuar a fazendo da pior forma possível.

Enquanto os comediantes continuarem no mesmo esquema de “um filme paga o próximo” a coisa não vai rolar… Ainda não decidi que se é falta de verba para fazer mais de um filme ao mesmo tempo ou só bunda-molismo comum. Talvez os dois. E assim acabamos com um cinema que é, nada mais nada menos, que uma cópia da TV. Tem um orçamento maior, uma ou outra piada diferente… Os mesmos atores. Vocês, com certeza, já repararam nisso, não? Já faz tempo que não vejo ninguém falando das dificuldades da transição de uma mídia pra outra… Em resumo, o que a emissora faz para a TV, os próprios artistas fazem para o cinema, e isso é ainda pior. Enquanto o cinema for TV, não teremos comédias nacionais realmente boas, até lá, vamos continuar vendo as mesmas porcarias, mas se você não gostou desse filme de agora, relaxa, o próximo já tá saindo.

Leia mais em: , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Arthur Arantes Souza

    Na verdade, incauto amigo, as coisas não funcionam bem assim. Raramente os “artistas” possuem muita liberdade no cinema, as produtoras ainda comandam, principalmente a Globo Filmes. Então as comédias no cinema são iguais porque quem produz são as mesmas pessoas, quem roteirizam são as mesmas pessoas. Não sei muito do estado da arte do cinema de comédia no Brasil, porque a maioria das produções independentes tendem para o drama. Esse ai vai de vento em polpa, saem ótimos filmes a cada ano, que buscam apoio nas lais nacionais de incentivo ao cinema e ao audiovisual.

  • Loney

    Com “artistas” eu me referia, também, aos diretores, roteiristas, etc., mas de qualquer jeito, não tenho dúvida alguma que continuar do jeito que está é muito cômodo pra todos eles.

busca

confira

quem?

baconfrito