Jubiabá (Jorge Amado)

Livros quarta-feira, 03 de outubro de 2012

Recentemente, fiz um relato sobre minha vida de leitor, a qual você pode encontrar por ai. Enfim, decorridas algumas semanas, eu consegui terminar o livro Jubiabá, de Jorge Amado. Tarefa que deveria ter sido mais fácil, visto que o livro não tem nem 250 páginas. Mas de todo modo, venho falar um pouco sobre ele.

Jorge Amado é um daqueles escritores que conseguiram ser um fenômeno pop ao mesmo tempo que eram aclamado como gênios literários. Ele está para a literatura brasileira assim como Paulo Coelho para papéis higiênicos, tendo seus livros traduzidos em mais de 40 línguas e para diversos países.

O livro Jubiabá conta a história de Antônio Balduíno, da infância à vida adulta, mostrando seus diversos momentos e toda a experiência adquirida por este personagem. Jubiabá, que dá o nome ao volume, é um pai de santo cuja as sábias palavras e sua experiência de patrono centenário guiam a todo momento a vida de Balduíno. Apesar de não ser a figura central do romance, Jubiabá funciona quase como uma entidade cósmica onipresente na vida do protagonista.

Dos tempos de mendigo à malandragem de sambista, Baldo encarna toda essência de liberdade em seus próprios termos, que sonhava no dia em que escreveriam um ABC sobre suas aventuras (ABC é uma espécie de cantiga popular, onde grandes personagens da história tinham seus feitos narrados). Um homem que, negro, com pouquíssimos anos do fim da escravidão, não se submetia a nenhum tipo de senhor, a não ser seus próprios desejos. Personagem de grande carisma e valentia, mas que não poderíamos chamar de herói de modo algum. Nem de anti-herói, uma vez que este livro não tem espaço para heroísmo e o que importa é a realidade e o contraponto entre a tristeza e a felicidade de habitantes de um morro, e dos brasileiros de modo geral.

De escrita fluída, sem um esforço estético artificial, Jorge Amado descreve bem o dia-a-dia dos negros trabalhadores do cais, das ruas, das plantações de fumo, a rotina dos meninos de rua. As cenas são facilmente imaginadas por seus toques familiares, pois mesmo tendo sido lançado em 1935, muitos dos elementos, principalmente a pobreza extrema, estão presentes no cotidiano, principalmente dos moradores de grandes cidades, como a Salvador retratada pelo autor.

Também da escrita deste autor, as descrições, apesar de simples, são ricas em suas formas. Nota-se um esmero superior às passagens com sexo, ou sexualidade, que não deixa de ser um elemento marcante em grande parte da obra deste autor.

O que não escapa também ao livro é seu interior carregado de crítica social, aos costumes burgueses e a exploração exercida sobre os pobres pelo capital. A contraposição da imagem do homem bondoso e do capitalista implacável vez ou outra aparece na obra. O óbvio apoio aos movimentos dos trabalhadores vai aparecendo aos poucos no livro e toma força no final, que deixa clara toda a aspiração comunista deste autor e toda sua indignação com a situação vivida pelo trabalhador da sua época.

Jubiabá é uma obra sensível, e ao mesmo tempo poderosa, que escancara seus objetivos sem deixar que a riqueza literária escape. Um pouco de epopeia moderna com crítica social faz de Antonio Balduíno um dos melhores personagens que tive o prazer de conhecer, com sua malandragem e boemia, e de Jubiabá o pai de santo mais poderoso, em sua Bahia de todos os Santos e do Pai de santo Jubiabá.

Jubiabá (Jorge Amado)


Jubiabá
Ano de Edição: 1935
Autor: Jorge Amado
Número de Páginas: 249
Editora: Martins Editora

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