Jack Kerouac

Livros terça-feira, 26 de julho de 2011

Lá estava eu, procurando alguma coisa pra ler, quando eu vejo, ali, bem no meio da estante não um, mas DOIS livros do Jack Kerouac, que provavelmente estavam lá há meses, e eu ainda não tinha lido. Imperdoável. Então, pra me redimir, além de começar um deles imediatamente, resolvi dedicar um post ao nosso Jean-Louis Lebris de Kerouac. Não que isso valha alguma coisa, mas ele merece.

Pra quem não sabe, MORRA o Jack Kerouac e seus coleguinhas beatniks foram apenas os principais responsáveis pelo florescimento da chamada contracultura na segunda metade do século XX. Claro, outros escritores já haviam penetrado fundo o suficiente na psique humana pra perceber que havia algo errado com, bem, tudo. Mas talvez eles fossem muito pessimistas, individualistas, estranhos demais, ou apenas estivessem muito a frente de seu tempo pra causar um impacto maior na sociedade em que viviam.

Até que, no final da década de 40, com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se encontravam num estado tal de torpor, conformismo e imbecilidade, que um bando de jovens começa a perceber a falta de sentido do tal american way of life. E é nesse cenário que, influenciados pelas ideias de Dostoiévski, Céline, Sartre, entre outros, um grupo de artistas começa uma verdadeira revolução cultural.

 Santíssima trindade: Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs.

Se os poemas de Ginsberg são quase um chamado a revolução e Burroughs se concentra na experimentação através de drogas e novos métodos literários, Kerouac consegue ser o mais simples e ao mesmo tempo o mais profundo dos três. Com a chamada prosa espontânea (A primeira versão do On The Road foi escrita em três semanas), as linhas de seus livros fluem livremente, quase como um jazz, ou melhor, um bebop literário, expressando sua inconformidade com o sistema vigente, mas também oferecendo um caminho alternativo para toda uma geração que não sabe bem aonde ir. Mesmo que esse caminho consista na eterna busca por sabe-se lá o que. Inspirado por Jack London e depois aderindo ao budismo, Kerouac escolheu efetuar sua busca através de viagens, numa existência anti-materialista concentrada na experiência e nas relações humanas, acabando assim por se tornar o porta-voz de toda a Geração Beat.

Claro, como tudo que chega ao mainstream, depois a coisa acabou sendo desviada do seu propósito inicial e mercantilizada. Tanto que o próprio Kerouac passou a rejeitar o termo beat e se opor a tudo que veio dali. Isso fica bem claro no Big Sur, um de seus últimos livros, onde ele já se encontrava bastante desiludido e isolado do mundo ao seu redor. Provavelmente ele deve ter virado para o oeste e visto a marca da maré alta, o lugar onde a onda finalmente quebrou e se retraiu, como Hunter S. Thompson diria sobre a geração seguinte.

Mas o estrago já estava feito. Esse bando de intelectuais bêbados esfarrapados vindos do subterrâneo já tinham deixado sua marca e influenciando quase tudo que aconteceu dali pra frente. Desde a revolução da música na década de 60 até o início da produção cinematográfica independente nos Estados Unidos. E passando pela própria literatura, claro. Ou será que Charles Bukowski seria publicado em vida caso Ginsberg e Burroughs não tivessem sido censurados inicialmente, ou a aparente simplicidade do escrever como se fala de Kerouac não tivesse expandido os limites do que realmente poderia ser considerado literatura? Aliás, o próprio velho safado chegou a admitir que os primeiros beats realmente sacaram, e ainda apontou Jonh Fante, seu escritor favorito, como um percursor do movimento. E se ele disse, quem sou eu pra discordar?

Ok, eu acabei desviando do assunto. Jack Kerouac é fascinante porque sua obra totalmente autobiográfica transborda liberdade, juventude e até inocência, talvez. Ele conta com uma certa esperança-desesperançosa, onde conseguimos até partilhar de sua crença na beleza de todas as coisas através de suas palavras. Ainda hoje, é impossível ler um livro seu e não tomar parte na sua paixão pela vida, sentir vontade de largar o emprego, vagar sem rumo por aí, crer na bondade humana, ou algo desse tipo. Dá até pra acreditar que, ao menos por um momento, tudo faz sentido.

Pra finalizar, fiquem aí com algumas imagens do filme do On The Road, dirigido pelo brasileiro Walter Salles. Que pra mim parece um erro terrível, mas quem sabe a presença da mina do Crepúsculo no elenco não atraia uma parcela dessa juventude perdida e o filme acabe dando inicio a sua jornada pessoal a caminho da iluminação?

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  • Olaf Q

    Cara, eu preciso muito ler “On the Road”, porque li “Vagabundos Iluminados” e não achei grande coisa, achei um livro gostoso de se ler e… Só.

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