Farrapo Humano (The Lost Weekend)

Bogart é TANGA! domingo, 20 de junho de 2010

É, agora quem escreve para essa bagaça aqui sou eu mesmo. Mas continuem acompanhando o FBQPB, afinal, espero que alguém que pegue o quadro honre-o, porque temos vários textos assinados por mim lá, né?

O filme de hoje é um que eu já pretendia falar desde aqueles meus recentes problemas com os goró. É, eu sou um semi-alcólotra aos 21 anos de idade. E desde que eu fui parar no hospital eu repensei toda a minha vida e esse filme me ajudou muito. (Aham, vocês acreditaram? Hahaha.)

Sinopse: Don Birnham é um alcoólico que conta com a ajuda de sua namorada e de seu irmão para parar de beber. Os três planejam uma viagem no fim-de-semana. Antes da viagem, porém, sozinho em casa mas sem dinheiro, Don terá que se humilhar nas sarjetas para conseguir sustentar o seu vício.

Com uma bela panorâmica de Nova Iorque, seguindo pelas paredes dos edifícios da cidade, entramos pela janela, nela pendurada uma garrafa de whisky, no apartamento dos irmãos Birnham. Don (Ray Milland) é um “escritor” alcoólatra que juntamente a seu irmão Wick (Phillip Terry), e sua namorada Helen (Jane Wyman), cuidam dos últimos preparativos do final de semana no campo, com o propósito de distanciar Don da bebida. Na verdade, Don planejava mesmo era levar escondida a garrafa pendurada na janela, mas Wick descobre e deixa o irmão de boca seca.

Mas é aquela coisa, Don é um cara esperto e bola um plano pra ficar sozinho e tentar descolar umas biritas pra molhar o bico: Ele sugere que Wick vá fazer companhia a Helen em um concerto e peguem o trem das 18h30, e Wick (Depois de muito contestar) aceita, tendo em vista que ele próprio revistou o apartamento e não deixou nenhum dinheiro para que Don possa se embebedar. Para a sorte de Don, a empregada aparece no apartamento para buscar uma grana e diz ao manguaceiro onde Wick costuma deixar o dinheiro. Don pega a grana e diz pra empregada que não encontrou e que volte depois. Começa aí a via-sacra do “escritor” atrás da birita.

 Eu bebo sim, estou vivendo…

Don vai até um bar e compra duas garrafas de Rye, após o dono dizer a ele que Wick o proibiu de anotar bebida para ele. Depois, vai pro Bar do Moe Nat, e começa a chapar os melões lá, e conta a Nat das maravilhas que o álcool faz em sua mente, em contraposto aos males do seu corpo. Conta também do plano para levar a bebida para o campo e pede para ser avisado quando faltarem 10 minutos para as 6 horas. Depois de ficar beudo e ter perdido a noção das horas, volta pra casa e vê Wick dizendo a Helen que vai desistir de tentar ajudar Don a acabar com seu vício. Pronto, agora Don tem o final de semana sozinho pra encher a cara. Logo de manhã, ele volta ao Nat, pra tomar, como ele chama, o seu remédio, e conta a história de como ele conheceu e se apaixonou por Helen, de como contou a ela sobre seu problema com álcool, de como, mesmo sendo escritor, nunca ter escrito nada e a ajuda de seu irmão em toda essa história, três anos antes.

Com o dinheiro esgotado, Don se sujeita às mais humilhantes situações, em busca de dinheiro para comprar o tão sagrado álcool. Ele pede dinheiro a uma mulher que o ama, furta, assalta, vai parar no hospital e procura vender o que julga seu bem mais precioso, a máquina de escrever.

 Eeeuu nãaaa stou beudo.

Farrapo Humano é um filme importantíssimo, que mostra a decadência e a humilhação que o ser humano se submete para saciar seus vícios, e no caso de Don, o que poderia ajudá-lo no processo criativo de seus romances, na verdade o faz colocar o álcool em prioridade ao amor de sua namorada e seu irmão. O filme mostra que, como na vida real, o álcool ajuda Don ser verdadeiro e seguro, porém esse é um caminho perigoso, já que é apenas uma fuga para corrigir os problemas que Don não tem coragem de enfrentar sóbrio.

Farrapo Humano ganhou os Oscars de Melhor Direção, Roteiro, Filme e Ator da premiação de 1946 com méritos. É uma das melhores direções de Billy Wilder, que tocou em um ponto muito delicado, já que o consumo de álcool na época era bastante elevado (Havia pouco mais de uma década que a Lei Seca havia acabado e era fim da 2ª Guerra Mundial) mas a atuação de Ray Milland rouba a cena, principalmente quando está embriagado. A trilha sonora composta de acordes de violino agudos só aumenta o desespero e angústia do personagem principal, e poderia muito bem ser inserida em um filme de terror.

 No fundo desse copo vejo a imagem da minha amada…

Eu dei o azar (Ou sorte, sei lá) de nascer em um dos lugares do Brasil que mais deve beber. É, aqui em Ouro Preto tem festa de segunda a segunda e é frio pra caramba, ou seja, o povo bebe bastante pinga. Claro que eu não sou tão alcoólatra quanto o Don, tipo, eu não bebo no café da manhã quase nunca, e em dia de semana quando não tem festa eu só bebo uma dose de whisky para relaxar quando chego do trabalho, ou cerveja quando tem jogo de futebol, NBA, ou NFL. Aos bebuns de plantão, faço o que eu digo e não o que eu faço, bebam com moderação. Se dirigir não beba, e se for beber… ME CHAME

Farrapo Humano

The Lost Weekend (101 minutos – Drama)
Lançamento: EUA, 1945
Direção: Billy Wilder
Roteiro: Billy Wilder, Charles Brackett
Elenco: Ray Milland, Jane Wyman, Phillip Terry, Howard Da Silva, Doris Dowling

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  • Eu sempre quis ver este filme e ontem mesmo eu comprei ele.

    Billy Wilder é genial e nenhum de seus filmes até hoje me decepcionou. E neste ele consegue tratar de um tema muito sério de maneira inteligente e impactante. Também foi importante para que eu refletisse.

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