Eu e o Pink Floyd

Música terça-feira, 09 de junho de 2015

Ainda pior que minha relação com o Legião Urbana é minha relação com o Pink Floyd.

Acontece que eu não ouvo ouço Pink Floyd. Sério mesmo. Na verdade, só tem uma única música da banda que eu ouço e é Another Brick in the Wall parte dois. Pois é, eu sou um hipster mainstream. Cês não fazem noção de quanto tempo eu demorei pra descobrir que essa porra era a parte dois: Pra mim sempre foi Another Brick in the Wall e pronto; parte dois simplesmente não existia. Provavelmente essa relação se dá ao fato de que, à época, a música era um grande hino contra a escola, e isso é sempre muito bom.

À bem da verdade, eu já ouvi bastante da banda antes, mas sempre como música de fundo, seja porque estivesse tocando num churrasco (É, os churrascos que eu ia vou são assim) ou porque resolveram colocar no som do carro durante uma viagem. Seja como for, nunca dediquei tempo nenhum da minha vida à ouvir Pink Floyd, tudo que ouvi sempre foi meio acidental, e Another Brick in the Wall foi a única que eu notei de verdade, o resto todo é um borrão psicodélico com uns solinhos de guitarra e LSD misturado no Toddynho.

E é isso aí: Pink Floyd é, pra mim, uma daquelas bandas que não fedem nem cheiram. Eu simplesmente não ligo. Tá, as capas de Division Bell, The Wall, Animals, Wish You Were Here e The Dark Side of the Moon tem seus lugares marcados na minha mente, mas muito mais pelo meu interesse em design e fotografia do que pelos álbuns: Eu fui pesquisar qual capa era de que álbum, copiei e colei aqui. O pouco que já vi dos shows da banda me fazem bater palmas pelo uso dos recursos e mídias diferentes: Lembro da primeira vez que vi o palco de Division Bell (Sim, fui pesquisar também), creio que no DVD Pulse, e o tempo todo eu fiquei prestando atenção nas luzes e nas imagens projetadas, não na música. Aplaudo a banda por sua inteligência em cima dos palcos e fora dos shows, não pelo que eles tocam.

E isso seria meio patético… Se eu ligasse.

Mas é aí que eu traio o movimento punk, véio.

Se você fuçar no Bacon vai ver que a opinião geral é bem simples: Pink Floyd é chato pra caralho. Desde o AOE é assim, e isso foi uma das coisas que não mudou nada… E é bem verdade porque, assim como Legião, Los Hermanos e Beatles (E Guns N’ Roses, Slipknot, Chico Buarque, Nirvana, Matanza, Iron Maiden, Dream Theater, Avenged Sevenfold, Manowar…), os fãs tornam tudo pior.

Mas me refiro à trairagem não porque eu gosto da maioria dessas porcarias todas (Com ressalvas, é claro – eu não me vendo tão barato), mas sim porque, vira e mexe, eu descubro uma música do Pink Floyd e a acho foda pra caralho. Eu disse que era complicado.

Isso mesmo, Avril Lavigne num post sobre Pink Floyd, lidem com isso.

Pink Floyd pra mim é aquela música que ou surge o momento certo e faz todo o sentido do mundo por dois ou três dias ou não rola de jeito nenhum. E assim que esses poucos dias terminam, também termina essa aproximação da banda com a minha vida, voltando pra Another Brick in the Wall e foda-se… Meu signo é Legião Urbana com ascendente em Pink Floyd (E é agora que o Pizurk me demite).

Eu sei que o Roger Waters era da banda, que o David Gilmour também e que tinha um cara chamado Syd Barrett, mas só sei que o primeiro era o vocalista. Sei que todos eles vivem enchendo o saco com uma reunião e rumores e o caralho a quatro só para, uns anos depois, dizer que era tudo mentira mas lançar um novo álbum, só pra arrecadar mais uma bufunfa. E sei que eles tem um filme viajadão, no melhor estilo Beatles encontram Tim Burton. E é isso aí. Pink Floyd é uma banda que, vira e mexe me dá momentos incríveis, para depois passar o resto do tempo enchendo o saco por motivos que eu realmente não ligo sobre questões que são irrelevantes para qualquer pessoa que não continue vivendo trinta anos atrás.

E é por isso que quando me dizem que Pink Floyd é chato pra caralho eu concordo: Porque, à exceção de três ou quatro músicas desde que eu nasci, todo o resto me é irrelevante. Pode me dizer que isso é porque eu nunca fui atrás, mas minha resposta é a mesma de sempre pra esse questionamento: Eu nunca quis ir atrás. Nunca, nada que eu já vi da banda, dos seus membros e sua música, me fez querer conhecer mais. E eu sei que na maioria das vezes isso é culpa minha, mas cara, foda-se o Marcelo Camelo, o Renato Russo e o John Lennon. Só parem de me encher o saco. Pouco me importa se você é um gênio, você é o cara que eu enfiaria a mão na fuça se a gente fosse colega na escola. Até o Bono é mais legal que vocês.

Portanto, até o próximo momento da minha vida em que as estrelas entrarão em congruência e os planetas se alinharão, eu não dou a mínima. Não é pessoal, só não me apetece… Talvez seja o exagero na duração das músicas, talvez seja quantidade de trechos cantados, talvez seja o tom e os temas, e talvez seja minha relutância em aceitar essa história de que a coisa mais importante na música seja a sensação que ela causa, e não a própria música (Algo que é totalmente a base pra música eletrônica, diga-se de passagem)… Talvez Pink Floyd só seja chato pra caralho mesmo, e eu seja esquisito.

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  • Aline

    “Pra mim sempre foi Another Brick in the Wall e pronto; parte dois simplesmente não existia.” – Somos dois

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