E a internet sai da tela. De novo.

Televisão terça-feira, 27 de março de 2012

Essa tal cultura de internet, viu? A gente sabe que boa parte do que fica circulando pela internet atinge o lado de fora da tela do computador também, né? Então. É meme, é gíria, é expressão, seja o que for. Mas tá tudo circulando on e offline. Dá até pra dizer que essa tal divisão do que é online ou offline nem existe mais.

Enfim. Se tu mora no planeta Terra, tu deve ter ouvido, visto por aí, em algum compartilhamento tosco no Facebook ou em alguma sacada genial que fizeram em cima do alvoroço todo, mas tu deve ter te deparado, de alguma forma, com as palavras “Para nossa alegria”. Né? Certamente. Mesmo sem saber do que se trata, tu deve ter visto algo assim:

Ou algo do tipo. Enfim. Essa história toda surgiu quando alguém encontrou esse vídeo e espalhou (D’oh), só que a história tomou proporções gigantescas. Em um dia, era galera wébica em peso falando do tal vídeo, rachando o bico com o cara abrindo o bocão e mandando ver na viola. Essa coisa de internet, que faz uma coisinha virar uma coisona e estourar loucamente, sabe? Pois bem. Mas beleza, a gente sabe do exagero em torno de tudo na web. E a gente não reclama, não.

Mas, aí, eu estou em casa, tarde da noite, quando vem meu avô e diz “já vai acabar esse BBB? PARA NOSSA ALEGRIA!”. Pronto, acordei pra vida. Meu avô tá sabendo disso? QUE BRUXARIA É ESSA? Ele não tem acesso à internet, ele não usa iPhone, ele não tem Android, ele não sabe nem o que é YouTube. E ele tem 76 anos, for God’s sake. Como que ele sabia? Ratinho. O negócio foi pra televisão. O tosco mais tosco dos toscos foi pra TV. Galere gosta de aberração, a gente sabe, mas o frisson do momento da internet ganhou espaço na telona. Te liga:

O que é cultura de internet, que antes era restrita à internet, agora, cada vez mais, vira cultura popular. Tudo acontece na internet, e não fica mais presa nela. Antes, a gente até via alguns assuntos mantidos naquela panelinha fechada, das pessoas que respiram internet e têm seus próprios códigos. Normal, acontece em todo o grupo que tem afinidades e se relacionam entre si. Mas, agora, o que era pertencente a um clã, ganha as ruas, e as telas da TV. Isso é bom? Não sei. O tosco, que é característico em muitos segmentos da internet, passa a ser mais ainda aclamado fora da rede também. Calma, haters. Não tô generalizando a internet. Tô falando dessa cultura de agora que gira em torno de memes e afins, ok? Ok.

Há quem reclame que o que tá na rede tá quebrando barreiras, mas isso é ruim mesmo? Pensa: Agora tu pode bater papo até com o teu avô sobre alguma bizarrice que tu acha por aí, e ele vai te entender. E vai rir junto com você. Ou não, vai que ele ache que o mundo tá perdido, mas ae são outros 500. A questão é que cultura tá aí pra espalhar, pra dividir, pra agregar. Tu não é obrigado a curtir tudo aquilo que vê, mas, pelo menos, agora tu sabe que existe. E pode decidir se gosta ou não. Antes, essa cultura era mais restrita, e quem não tinha tanto acesso à internet acabava alheio, pegando fragmentos daquilo que os nerds de plantão comentavam por aí. Mudou. Quebrou barreiras. E cada vez mais, on e off estão juntos.

Ridículo e genial, nas palavras de Ratinho. E é mesmo. É ridículo que algo tão tosco tenha a repercussão que teve. Mas é genial que algo tão tosco tenha a repercussão que teve. A cultura de hoje permite que o ridículo tenha espaço. Não que se deva fazer um culto ao tosco, mas permitir que coisas desse tipo entrem nas nossas vidas, e saber separar o que presta do que não presta, hoje, é o desafio. A gente tá exposto a tudo. Até quem nem sabe o que significa www tá sabendo o mesmo que tu, que vê tudo na internet de modo tão natural.

Se é bom, sei lá. Mas é genial. Toscamente genial.

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