Dogville

Bogart é TANGA! terça-feira, 10 de agosto de 2010

O que você pensaria de um filme que praticamente não tem cenário, não tem paisagem, não tem quase nada? Como eu sei que vocês são muito noobs, já até sei o que passou pela cabeça de vocês, que a chance de fracasso é grande. Mas eu pensei diferente (Aham). Como não há elementos “secundários”, me pareceu claramente que o enfoque seria nas atuações. Até que eu não estava errado, mas Dogville é um filme que vai muito além disso, tanto que está no meu top10.

Sinopse: Durante a época da grande depressão, Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva da máfia, encontra abrigo numa pacata cidadezinha chamada Dogville. Os habitantes no começo se mostram receptivos e bondosos com a nova moradora, mas aos poucos são reveladas as verdadeiras intenções da vila com a frágil forasteira, em um crescimento insuportável de exploração e humilhação.

Então, como foi falado aí em cima na sinopse, a história do filme acontece nos Estados Unidos na época após a quebra da Bolsa de Valores de New York, o que casou a maior crise da sistema capitalista na história. O país ficou completamente arruinado, com pessoas muito pobres e em completo desespero, chegando até ao ponto de não ter nada para comer.

Dogville é um pequeno vilarejo com aproximadamente 20 habitantes, que vivem todos os dias praticamente da mesma forma, já que nada acontecia naquele lugarzinho. Até que… Um dia, Tom (Paul Bettany), um jovem aspirante a filósofo e escritor ouve tiros e conhece a bela Grace. Depois de uma conversa, Grace conta a Tom que está fugindo de um grupo de mafiosos e então Tom resolve fazer uma reunião para convencer a população a acolher a forasteira.

 O cenário é isso aí ó!

Após relutar um pouco, a cidadezinha decide dar uma chance a Grace, e ficou combinado que ela pagaria com pequenos trabalhos braçais, de uma maneira simbólica, durante duas semanas, como um teste. Esses trabalhos eram completamente desnecessários, coisas que todos faziam em seu cotidiano, era só uma maneira de Grace “merecer” morar ali na cidade.

Com o tempo, Grace vai se afeiçoando ao povo de Dogville e os moradores também vão se encantando com a bondade e o jeito doce da garota, até que ela consegue a aprovação geral da população da cidade para ficar lá pra sempre.

Com todo o convívio, Tom se declara apaixonado pela Grace, e ela diz a ele que também está apaixonado por ele. É aí que as coisas começam a pegar pro lado da moça. Glória, uma moça vaidosa da cidade, que sempre reclamava do assédio dos homens, meio que timidamente reclama com Grace, por ser ela agora que é a cortejada e observada pelos machos de Dogville. Mas a situação fica feia mesmo é no dia 4 de julho, quando a polícia aparece por aqueles lados para pregar cartazes de Grace, que estava desaparecida. Só pelo fato de haver cartazes de Grace pregados na cidade, o povo de Dogville reluta novamente sobre a presença da moça nas redondezas, e decidem aumentar a carga horária de trabalho Grace, como forma de cobrar por não contarem às autoridades sobre a permanência da foragida na cidade.

 Não sei porque, mas acho isso muito bonito

Certo dia, Chuck, o cultivador de maçãs do lugar, chama a polícia dizendo ter informações de Grace, mas com a chegada dos tiras na cidade, Chuck esconde Grace em sua casa e a violenta, sexualmente falando, e em troca ele não contaria para a polícia onde ela estava escondida. Um a um, cada morador passa a abusar de Grace, seja fisicamente ou moralmente falando, já que a pobrezinha nada podia fazer. A situação fica tão crítica com os abusos sexuais e a exploração de seu trabalho, que são praticamente uma escravidão, que a moça decide fugir da cidade com a ajuda de Tom, que é o único fica ao lado dela, nunca tentando algo de que ela não consinta.

Após ter falhado em sua tentativa de fuga, devido à traição do motorista do caminhão, Grace volta à cidade mais escrava do que nunca, carregando até um corrente com peso presa em seu pescoço. Até que Tom não resiste e liga para o cartão que um dos mafiosos deu a ele no dia do encontro com Grace.

Contado através de uma narração em off e em capítulos, Dogville se aproxima muito de uma peça teatral, até porque a história é contada sobre um palco onde as casas e outros elementos da cidade são desenhados com riscos de giz no chão. No começo isso pode até soar estranho, já que não havia sido feito um filme assim, fugindo completamente do que estamos acostumados a ver. Mas com o passar do tempo, tal ausência aguça nossa imaginação e o cenário que o narrador descreve passa a ser construído em nossas mentes. E como eu falei anteriormente, pela falta de cenário e paisagem nossa atenção nos diálogos e atuação é redobrada.

 Diálogo final GENIAL!!1

Dirigido por um conjunto de técnicas chamadas Dogma 95, Lars Von Trier faz ainda diversas críticas aos Estados Unidos, e ao próprio ser-humano, inter-textualizandoo Thomas Hobbes com a célebre frase: ”O homem é lobo do homem”. Aliás, há vários outros intertextos na obra, como por exemplo o nome dos personagens: Grace = graça, Jesus, quem pode salvar; o cão=moisés, Tom= Tom Sawyer.

Considero Dogville um dos melhores filmes para análise, tanto que vem sendo bastante estudado por alunos de psicologia e filosofia, tratando de temas como relações de poder, o que é certo fazer para nos tornarmos pessoas melhores e até mesmo a corruptibilidade da polícia. Nada é gratuito, não há falas desnecessárias, tudo está ali com um intuito. Cada personagem pode ser analisado como um caraterística do ser-humano e todos juntos podem ser entendido como a pessoa que somos. Mas chega de falar, essa análise quem tem que fazer são vocês mesmos ao verem o filme, afinal, algumas coisas a gente tem que fazer sozinho.

Dogville

Dogville (177 minutos – Drama)
Lançamento: Alemanha/Dinamarca/Estados Unidos/França/Holanda, 2003
Direção: Lars Von Trier
Roteiro: Lars Von Trier
Elenco: Nicole Kidman, Paul Bettany, Lauren Bacall, Stellan Skarsgard, James Caan, Ben Gazzara, Harriet Anderson,

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • Willy

    Agora eu fiquei curioso!!

  • Finalmente vi esse filme depois de muito me indicarem. Gostei, mas como sempre, a atmosfera sufocante do Lars von Trier me deixa mais aflita do que maravilhada com o filme.

    Em tempo: galera, cês já fizeram alguma resenha do Melancolia? Curiosa pra ver o que têm a dizer sobre esse filme dele. :)

  • Não, ninguém no bacon viu Melancolia. Ou se viu, não se interessou em fazer resenha.

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