Do balacobaco é o meu pau (Ou “O in e out do Português”)

Livros segunda-feira, 05 de agosto de 2013

De tempos em tempos vemos a insurgência de uma palavra e/ou expressão, que toma conta das fofocas de crentes de bigode no ônibus, assalta os depoimentos chorosos à jornais após alagamentos e desbarrancamentos e mutila ouvidos e cérebros alheios. E querem saber? Foda-se o mundo, ou escova os dentes pra falar ou cala a boca.

Você com certeza já se deparou com uma situação em que alguém, no meio de uma conversa comum, solta um jargão do Zorra Total. Não negue, eu sei que é verdade. Eu já passei por isso, você já passou por isso e mais uma infinidade de gente já passou por isso, e o que todos temos em comum é a reação à tal demonstração de inclusão linguística: Uma vontade súbita de tirar uma doze do cu, que nem o Batman das costas, no melhor estilo CS, e estourar a cabeça de quem pronunciou tais palavras.

Claro que, em relação ao Zorra Total, A Praça é Nossa e vários outros programas, humorísticos há controvérsias ou não, tais bordões são criados justamente com a intenção de fazer com que as pessoas as adicionem aos seus vocabulários, e os utilizem nas determinadas situações. Ou seja, ainda que irritante e idiota, é algo feito para ser assim, o que os torna menos pior do que as palavras e/ou expressões e/ou costumes e/ou vícios que “simplesmente acontecem”.


Tá vendo como pode ser legal?

Deixando de lado a questão de manipulação, conspiração e toda e qualquer outra coisa que levem à um discurso de como a Globo é boba, feia e cara de bolacha, essa coisa não passa de uma mistura de moda, ignorância e necessidade de inclusão. Como minha digníssima mãe já dizia, “não use uma palavra que você não sabe o que significa”. Alie a burrice teimosa à necessidade que o ser humano tem de querer “fazer parte de algo” e temos o quadro de gente tentando “falar bonito”.

Sinceramente não sei qual o pior: O falar bonito ou o falar errado… Provavelmente o primeiro, uma vez que o segundo ao menos é sincero. “Piratas da internet”, “vivenciar”, o gerundismo, “perda irreparável”, “tipo”, o estrangeirismo e, nos últimos tempos “pacífica” são apenas alguns exemplos. Tenho especial horrar à “firma”, “catástrofe”, “tragédia” e o uso errado (E absurdamente mais comum) do “literalmente”.

Direi o óbvio: O problema não é a palavra, mas o uso que se faz dela. Já há vários casos em que uma palavra perde seu sentido e significado por ser usada de forma errada, “recalque” é uma delas. A perda não é unilateral: A língua sai prejudicada e as pessoas, tanto as que falam quanto as que ouvem (O quão gramatical ficou essa frase?), também. É um atestado de idiotice sair por aí falando palavras que você não sabe o que são, mas que fala mesmo assim só para não “ficar mal” com outras pessoas. É tipo você ir prum jogo de polo de sunga e touca, segurando um taco de bete e perguntando quem fez cesta.

 É incrível como, dentre tantos, este consegue ser tão gay…

Entendem o ponto? Não é só estúpido do ponto linguístico, é ruim de todos os ângulos possíveis: Fala-se errado com o simples objetivo de querer se enturmar (Não, não é coincidência a semelhança entre isso e filmes adolescentes gringos), sem ao menos perceber que o efeito é totalmente oposto. Cê tá pendurando um quadro numa parede que vai ser demolida, e o som do martelo irrita mais que o da marreta. E fica ainda pior caso alguém tente lhe mostrar o que está acontecendo. Sério, é uma perda de tempo gigantesca que só vai fazer a pessoa insistir ainda mais no que está falando… Por que caralhos o ser humano sempre acha que vai sair prejudicado se aceitar o que está bem na sua cara?

Como já dizia alguém que eu não lembro quem é, “o meio é a pior parte, depois do começo e do fim”. No começo há a total ignorância, no fim, a ciência (Ainda que não completa), uma irrita e incomoda pelo excesso, a outra pela falta, e no meio há a união de tudo que é ruim em ambos os extremos: A ignorância gritante e a certeza de que se está certo. Chega a ser cruel como alguns clichês estão absolutamente certos: Seja quem você é… No final, isto, também, se resolve com fones de ouvido.

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  • Aline Esteves

    Não concordo muito com essa história de “empobrecimento” da língua. Na verdade, a palavra, quando ganha mais um significado, a acrescenta mais “dados” a “database” geral da língua.

    Se a palavra é ignorada o suficiente pra ter o significado mudado, é por que de outro jeito ela ia ter morrido.

    Mas eu concordo com esse uso do “literalmente”. Isso é um erro comum no inglês e que acabou passando por osmose ao português, igual ao maldito gerúndio.

    Motherfuckers.

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