De Onde Eu Te Vejo

Cinema quinta-feira, 07 de abril de 2016

 De Onde Eu Te Vejo conta a história de amor de um casal através de sua separação. Em meio a uma São Paulo em constante mudança e efervescência cultural, Ana Lúcia (Denise) e Fábio (Domingos) se separam após 20 anos de casamento e ele passa a viver no apartamento do outro lado da rua. Eles terão que aprender a viver a nova realidade – a separação, a crise no trabalho e a mudança de cidade da filha – e perceberão que no meio da confusão da vida moderna é possível reinventar uma nova forma de amar.

É engraçado, eu fui ver esse filme só por não ter que trabalhar no dia, e no fim das contas foi uma experiência bacana [Apesar de ter me feito pensar mais do que eu gostaria]. A ideia central da bagaça, mais do que mostrar um relacionamento, é apresentar paralelos entre relacionamentos e uma cidade, já que ambos, por mais que se mantenham, acabam mudando. E as pessoas que ali estão também mudam, o que faz com que tudo isso vire um ciclo sem fim de mudanças e tal e coisa. Eu não tou muito bom pra filosofias hoje.

Mas voltando, Ana e Fábio, depois de sei lá eu quanto tempo de casados, resolvem se separar. Amigavelmente, ao contrário da maioria dos casais que eu vejo por ae. Tão amigável que Ana se muda pro apartamento que fica com as janelas em frente ao apartamento em que Fábio ficou. Olha, que coragem, cara. Eu não conseguiria. Ou conseguiria, sei lá. Deve ser embaçado ter um relacionamento por tantos anos, uma filha e vários sentimentos encrustados e separar assim, do nada. Mas de qualquer forma, não são meus sentimentos que estão em jogo aqui, é a vida de dois personagens fictícios que você quase se importa.

E não é só isso, os personagens não giram ao redor dos dois protagonistas [Ainda bem]. A filha deles, Manu, tá se mudando pro interior pra estudar biologia, mas nem por isso deixa os dois em paz. Tem também Olga, amiga dos dois que, por mais que não seja mostrado, tem vida própria, problemas, felicidades, e todas essas veadagens que o ser humano tem. É um universo expandido muito comprimido, mas nem por isso menos profundo.

Tem também a cidade em si. Ah, São Paulo, sua desgraçada. Cê é uma merda, mas todo mundo te ama. Eu também amaria, se tivesse uns nove milhões de pessoas a menos. Mas o que o filme mostra, com maestria, é a capacidade mutante de uma cidade grande feito a sua falta de vergonha, querido leitor. Ao mesmo tempo que se mantem tradicional em muitas coisas, é dinâmica, descolada, trending e fashion. E eu já nem sei mais do que eu tou falando, o que importa é que, a despeito de ser cenário, a cidade de São Paulo acaba sendo “personagem” [Por mais que eu não ache que um monte de concreto seja uma personagem, mas ai já é outra discussão].

Apesar de ser uma comédia com toques de draminha e com um nicho bem específico em mente, não acredito que seja necessário estar amando pra aproveitar o filme. Inclusive, se você tá ae babando pela patroa [Ou pelo patrão], pode ser que a saga seja meio dura, meio fria, com uns choques de realidade que você não gostaria de receber. Mas no final o amor vence tudo, não é mesmo?

De Onde Eu Te Vejo

(90 minutos – Comédia)
Lançamento: Brasil, 2016
Direção: Luiz Villaça
Roteiro: Rafael Gomes, Leonardo Moreira e Luiz Villaça
Elenco: Denise Fraga, Domingos Montagner, Manoela Aliperti e Marisa Orth

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