Clássicos do Horror – Múmias

Clássico é Clássico segunda-feira, 12 de Abril de 2010

Depois de começar com um tema rico do horror cinematográfico, hoje eu vou discutir o extremo oposto. A criatura mitológica mais esquecida pelo cinema (E lembrada pelo Discovery Channel) – o Zumbi enrolado a Múmia. Entre muitos filmes ruins e difíceis de achar, cheguei a uma seleção das obras mais assistíveis do gênero. O que foi uma decepção para um amante da mitologia egípcia, como eu.

Wikipédia, que bicho é esse?
As Múmias são cadáveres que são embalsamados por algumas sociedades que acreditam no retorno ao corpo de uma entidade analogamente a um espírito. Tal processo, mais conhecido como embalsamamento egípcio, tem como fim preservar o corpo para a recepção do “espírito”. Não confundir com a mumificação natural, que é o resultado de cadáveres que são enterrados em terreno seco, quente e arejado. O cadáver sofre uma desidratação rápida e intensa, e o corpo não entra em decomposição, pois a fauna cadavérica não resiste. A pele do cadáver fica com aspectos de couro.

Na primeira coluna da série, sobre os Slashers, apresentei esse “movimento” cinematográfico que surgiu na segunda metade da década de 70. Mas para entender esse gênero é preciso dividí-lo em 4 partes – sendo o período de Freddy e Jason, a 3ª parte, e os remakes de filmes asiáticos a atual. Hoje, devido ao tema propício, falarei sobre as duas primeiras (Exemplificando com os filmes sobre Múmias feitos na época).

Os Monstros da Universal – Década de 30

Se você não fugiu das aulas de história (O que eu duvido muito) identificará nesse período a grande recessão americana pós-crise de 29. Pois então, como eu já cansei de falar aqui – todos os movimentos cinematográficos acompanham os movimentos sociais e econômicos do planeta (“A arte afeta e é afetada pelo mundo”). Acontece que a indústria cinematográfica não foi afetada, e muito pelo contrário – se mostrou essencial para a manutenção do estado de paz (Sem muitas revoltas ou greves) nos EUA.

E é fácil de entender: Todos os dias milhares de desempregados iam para os cinemas esquecer de seus problemas. Filmes leves, românticos – como os vencedores do Oscar Grande Hotel e Aconteceu Naquela Noite. Mas a Universal resolveu fazer uma jogada arriscada (E que deu muito certo): Ao invés de esquecer os problemas com romances, que tal esquecer o horror do desemprego tomando sustos com grandes monstros da literatura? Aparecem aí Drácula, Frankenstein, O Homem Invisível, A Noiva de Frankenstein

E é claro…

A Múmia

(Karl W. Freund, 1932)

Interpretado pelo lendário Boris Karloff (Frankenstein), Imhotep é um sacerdote de 3 mil anos que foi embalsamado vivo ao tentar ressuscitar sua amada. Até ser despertado por arqueólogos, iniciando uma busca por seu antigo amor. Essa história lhe parece familiar?

Hammer – Década de 50/60

Agora que vocês já sabem que os movimentos cinematográficos sempre são justificados por algum contexto histórico, me digam: o mundo passava por qual problema no final da década de 50?
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(…)
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Não. Eu não vou dar nenhuma dica.
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Bem, se vocês responderam 2ª Guerra Mundial, por favor parar de ler essa coluna e se matar.
Agora se vocês responderam “momento crucial da Guerra Fria”, já devem ter ligado os pontos: Nada melhor que reviver o gênero do que uma época sombria, em que todos estavam com o cu na mão morrendo de medo. Adicione isso ao surgimento de cores no cinema (Agora sim, SANGUE!) e um providencial resgate da carreira de nomes consagrados do terror como Boris Karloff e Bela Lugosi (Drácula) – essa foi a fórmula que a produtora inglesa Hammer encontrou de ganhar dinheiro. E deu certíssimo.

A Múmia

(Terence Fisher, 1959)

Arqueólogos ingleses profanam a tumba de uma antiga (Rá!) princesa, para a fúria do sacerdote/múmia Kharis – interpretado por ninguém menos do que Saruman Conde Dooku Christopher Lee. É o primeiro dos quatros filmes do gênero realizado pela Hammer. Os outros são: A Maldição da Múmia, A Mortalha da Múmia e (O meu título favorito) Sangue no Sarcófago da Múmia.

Se vocês chegaram até aqui, perceberam duas coisas – 1) filmes de Múmia não tem títulos criativos e 2) sempre estão ligados a algum problema amoroso. E porque motivos vocês acham que o mais famoso filme de múmia das últimas décadas fugiria dessa fórmula?

A Múmia

(Stephen Sommers, 1999)

Quem poderia imaginar que o melhor filme de múmia já feito é um filme consideravelmente recente? Sem essa de apego a velharia aos filmes antigos – eu sou o primeiro a dizer que esse filme PIPOCA é o mais perto do que podemos chamar de clássico. E mais do que isso, é o mais perto do que podemos chamar de sequência da trilogia Indiana Jones. A história? Bem, basicamente a mesma do filme de 1932, deixando, porém, apenas alguns elementos de terror e apostando na fórmula ação/aventura/comédia comum aos blockbusters.

Eu estou chamando um blockbuster sobre um Múmia de clássico? Acho que minha alma morreu um pouco.
Deve ser a tal maldição.

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  • E como podemos ver, a criatividade para os títulos é sempre impressionante!

  • A Múmia foi muito bem produzido, por isso tanto sucesso, apesar de que não gosto do terceiro filme da franquia, achei meio ridiculo, ainda mais que trocaram a atriz que fazia a Eve O’Connel.

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