Celso Blues Boy

Música quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sentiram minha falta por aqui? É, imaginei que não.

Queiram vocês ou não, os anos oitenta foram a década maldita do rock’n’roll nacional. Ou a primeira delas, pelo menos.

“Mas Piratão”, você, mané, diz. “Você está sendo completamente parcial e sem consideração! Minha banda favorita, a (insira aqui algum nome de banda brasileira mané dos anos 80) era um dos ícones da década mimimimi”.

Pois que seja, eu sou parcial e sem respeito, mas mesmo assim eu posso provar o que eu disse. Começando pelo grande ícone dos anos 80: RPM. Uma banda que tem como maior clássico uma música sobre um mané que além de não chegar na mulé acha que é o big motherfucker por causa de um olhar baitola deveria ser, no mínimo, proibida de pensar em se chamar “Revoluções Por Minuto”. Claro, seria só uma década como qualquer outra, se conseguissem deixar os malditos anos 80 morrerem. Mas não, vocês aparecem com “festas ploc” e sei lá mais que cacete tentando reviver esse pop-rock maldito a cada semana. Claro, se as bandas tentassem voltar à vida de verdade, o problema também seria menor, mas quem quer voltar à ativa se você pode viver pra sempre de sucessos do passado?

Entendam, meus caros, que mesmo que vocês queiram me apunhalar pelas costas, há de se convir que quase todo o “rock” brasileiro dos anos 80 foi pop, e não rock’n’roll. Quase toda tentativa de se fazer rock de verdade no brasil na década maldita foi uma falha miserável, gostem vocês ou não. E eu nem falo sobre a qualidade da música. Dizer que boa parte das músicas do “rock oitentista” eram rock’n’roll é quase como dizer que Miles Davis tocava thrash metal, por exemplo.

Mas, aparentemente, é nas minas mais imundas que se encontram bons diamantes. Vagando por entre o pop oitentista, passando por coisas como Blitz, Legião Urbana e Cazuza, você acaba encontrando Celso Blues Boy. E é aí que você quase que naturalmente solta o refrão mais famoso do cara: “aumenta que isso aí é rock’n’roll!”

Percebem agora o que eu quero dizer? O cara foi provavelmente o único maldito guitar hero brasileiro da época. E é bem complicado citar algum guitarrista de tamanha importância na história do rock brasileiro (quem vocês vão citar? Kiko Loureiro? Thiago Della Vega? GEE ROCHA? Ces são mesmo um bando de frangos).

Apesar de seu auge ter sido nos anos 80, Celso já tocava desde o meio da década de 70, sendo integrante da banda de ninguém menos que Raul Seixas, além de ter tocado com mais gente famosa, como Sá & Guarabira e Renato e seus Blue Caps. Tocou também nas bandas Legião Estrangeira e na Aero Blues, sendo, até onde eu sei, o primeiro cantor de blues em português (corrijam-me se eu estiver errado).

Sua carreira solo começou em 1984, com o disco Som na Guitarra, que nos trouxe clássicos como Aumenta que isso aí é rock’n’roll e Blues Motel. O disco mostrou não só que Celso é um excelente artista, mas também que é possível haver blues de qualidade no Brasil. A voz rouca – lembrando talvez a de Nazi, do Ira! – combina perfeitamente com o timbre e o estilo da guitarra do cidadão. Querem um exemplo? Pois bem, ei-lo.

Fumando na Escuridão:

Durante a década de 80, o cara crescia cada vez mais musicalmente. Sons como Tempos Difíceis, Sempre Brilhará e Fumando na Escuridão (que você pode ouvir aí em cima, aliás) mostravam ao Brasil o que é o blues e o rock’n’roll. Mas, ao contrário de boa parte das bandas oitentistas, o cara não se prendeu a uma só década de sucessos. Em 1996 era lançado o excelente álbum Indiana Blues, contando com a participação especial do próprio rei!

BB King, seu demente! Que mané Roberto Carlos.

A música que BB gravou com Celso é Mississipi – uma das minhas favoritas do cara, aliás -, que homenageia o grandioso Robert Johnson, falando sobre a velha lenda sobre o diabo e a encruzilhada. Ouve aí, rapaz!

Esses blues sobre o diabo são sempre os melhores, incrível. E o refrão é viciante pra carái.

Ainda nos anos 90, Celso lançou mais dois discos: Nuvens Negras Choram, em 1998, e Vagabundo Errante em 99. E nem a chegada do novo milênio conseguiu derrubar o bluesman. Celso não chegou a lançar nenhum CD só de músicas inéditas, mas pra quem acha que o rock morreu, o cara deixou sua resposta, que pode ser conferida no DVD “Quem foi que falou que acabou o rock’n’roll?“, lançado esse ano. A música inédita, que leva o mesmo nome do disco, mostra o que todo mundo já devia saber faz tempo: O rock não vai se dar por vencido tão fácil, e vai lutar pra continuar existindo até que a última guitarra se cale. Hah!

Recomendação do dia:

Dever de casa pra vocês, marujos.

Lynyrd Skynyrd é provavelmente uma das bandas mais clássicas do rock americano, trazendo influências fortes do country, blues e bluegrass. Talvez vocês já tenham ouvido até bastante deles. Provavelmente Sweet Home Alabama, Tuesday’s Gone (que foi gravada também pelo Metallica no Garage Inc. ) ou Freebird (muito provavelmente graças ao Guitar Hero, mas enfim).

Recomendo o primeiro disco deles, (pronounced ‘l?h-‘nérd ‘skin-‘nérd), se aceitam uma sugestão.

Até a próxima, bando de malditos!

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  • Pô, rolei de rir da parte do Roberto Carlos.

    E Lynyrd Skynyrd é foda, véi!

    E quando tiver mais tempo, ouço as músicas do Celso, já que blues é fodão também…

  • Java

    “Queiram vocês ou não, os anos oitenta foram a década maldita do rock’n’roll nacional. Ou a primeira delas, pelo menos”

    concordo plenamente… exeto pela banda mutantes. naum q eu seja fã mas as musicas são muito boas…

  • Pra mim, o bom da década de 80 foi o “Começo do Fim do Mundo”.

  • Caio, The Eldar

    Digamos que eu “concordo disconcordando”, mas com certeza vc não tá nem ae pra isso.

    Não creio que tenha sido uma época tão maldita assim, afinal, retardou o aparecimento do axé e a destruição das modas caipiras se tornando baladinhas de cornos, mas também encheu toda mídia da época com um pop-rock que se dizia rock oitentista.

    Concordo que é nessa lama toda que encontramos os diamantes do verdadeiro rock nacional, como Casa das Máquinas, Golpe de Estado, Made in Brazil, o irreverente Camisa de Vênus e o trio Violeta de Outono, tá, tudo bem, a maioria delas tem um pé nos anos 70, mas o auge foi nos 80. E claro, sempre Celso Blues Boy é imperdível.

  • Rômulo Magnus

    Não podemos esquecer dos \Blues Etílicos\ e \Baseado em Blues\, se bem que realmente o Celso teve muito mais destaque (se é que podemos dizer isso) que esses dois…

  • caaaraaalhoo! eu devia ter ouvido esse cara antes =O
    não ouvi porque sou tanga! digo, era, até ouvir essa bagaça :D

  • Pô gerarock acho que tô ficando velho,os caras falam da época de 80 como a era boa do ROCK,discordo tem muitas bandas que vcs nunca nem ouviram Gary Glitter,MC Five,( não confunda com Rap por favor tô fora),Ted Nugent,J.B.Pickers,Vanila Fudge,todos 60 e 70,muitos se espelharam nos caras,tipo Made in Brazil,Mutantes,Patrulha do Espaço e por ai vai, Led ,Purple,Rush etc.

  • Mackuco Pantcho

    Eu concordo que os anos oitenta não foram anos muito bons, se o que desejamos ouvir é Rock, já que praticamente 90% das bandas dessa década foram baseadas no que havia sido feito no Britsh Pop do final dos anos 70 e começo dos 80, ou pós-punk como outros diriam.

    Porém, além das ressalvas já mencionadas, das quais concordo plenamente, gostaria de acrescentar que o Lobão, não fazia nada parecido com o que acontecia naquele momento meio “mela cueca”. A equalização das suas músicas era muita mais pesadas, evidenciando mais as guitarras, o baixo e a bateria, e deixando de lado o maldito teclado pop que imperava nessa época.

    Outra ressalva importante é corrigir nosso amigo lá de cima, pois quando ela menciona “MUTANTES” no contexto de bandas dos anos 80 ele errou, uma vez que se trata de uma banda dos anos 70, que ocorreu junto com o Tropicalismo, sendo considerada a única banda Paulista a fazer parte desse movimento.

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